Parafimose é uma condição relativamente comum em jovens adolescentes e mais raramente jovens adultos, não circuncidados em que o prepúcio, a pele que recobre a glande (cabeça do pênis) é retraída, puxada para trás e assim deixada, evoluindo com edema (inchaço) no local o que impede a sua volta para frente, impossibilitando que a pele inchada volte a cobrir a glande.
É uma situação que pode ocorrer por manipulação prolongada, colocação de piercing e outras situações em que a pele fique longo tempo retraída. Geralmente ocorre nas pessoas em que essa retração, em condições normais, já exige um certo esforço, ou seja o diâmetro da pele é um tanto quanto apertado, seja na ereção e até mesmo no estado de flacidez do pênis.
A parafimose exige intervenção médica para sua reversão. Se não for feito nada os tecidos podem evoluir para o sofrimento, estrangulamento da glande e perda de tecido, por baixa oxigenação local.
Geralmente o procedimento pode ser realizado sob anestesia local e exige algumas manobras urológicas específicas.
A parafimose é diferente de fimose. Nessa última o prepúcio mostra uma impossibilidade total de descobrir, de ser retraído, puxado para trás e possibilitar a exposição da glande. A fimose pode ser total quando verificada no estado de flacidez do pênis ou parcial quando se verifica apenas no estado de ereção.
Fimose requer cirurgia - postectomia ou circuncisão. São as mesmas cirurgias aplicadas nos casos de excesso de prepúcio (excesso de pele) que vai e volta para trás e para frente, sem nenhum impedimento (não há estrangulamento ou dificuldade nesse movimento). Geralmente no caso do excesso de prepúcio a cirurgia é indicada em adultos jovens ou mesmo homens mais maduros, quando os mesmos começam a apresentar infecções locais recorrentes (infecções por fungos, bactérias, etc. que vão e voltam com certa frequência). Com a retirada da pele que recobre a glande e a parte de baixo da coroa da glande, toda essa região apresenta um "engrossamento" da pele/mucosa local, diminuindo a umidade e deixando a pele mais grossa e forte (tecnicamente mais queratinizada), o que praticamente elimina o desenvolvimento de infecções no local, que também fica sempre mais limpo, restos de urina, sem secreções e odores.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Vacina HPV - quem deve ser vacinado?
Originalmente postado em 11 de Setembro de 2009
Alguns leitores enviaram várias questões sobre o uso da vacina quadrivalente contra o HPV no sexo masculino.
Embora eu esteja preparando um artigo mais extenso e completo sobre o assunto, valem algumas dicas e conhecimentos:
A vacina é preventiva e não curativa.
Os índices de anticorpos desencadeados nos rapazes até 15 anos são até um pouco maiores do que os observados nas meninas.
Não há necessidade absoluta de fazer exame prévio para a vacinação quando indicada, porque a infecção por um dos tipos não invalida a proteção contra os outros três.
Quando alguém se infecta com o HPV não adquire imunidade permanente contra os demais tipos.
Novos contatos sexuais podem gerar novas infecções por tipos diferentes.
“Nunca mais vou sarar?” “Nunca mais vou eliminar o vírus?”
NÃO ! A grande maioria da população em geral (60%) tem contato com os vírus do HPV e os elimina espontaneamente. Uma minoria desenvolve lesões e dentro dessa minoria uma outra minoria entra no que classificamos como doença recorrente, com recidivas (novas lesões). Mesmo esses, por uma questão de tempo, têm uma chance muito grande de “clarear” o vírus, eliminá-lo. O paralelismo que se faz com o comportamento do Herpe vírus não é procedente.
A vacinação idealmente deve ocorrer nos meninos que ainda não tiveram relações sexuais.
“Quanto tempo dura a vacina?” “Tenho que tomar nova dose em 5 anos?”
Isso ainda não está completamente estudado e comprovado. No entanto, mesmo com a queda dos anticorpos ao final desses 5 anos, dados preliminares nas populações que estão sob acompanhamento nos estudos (alguns já com quase 15 anos) mostram que uma eventual exposição ao vírus tem a capacidade de despertar a “memória imunológica”, elevando novamente o nível de anticorpos. Isso ainda é inconclusivo mas o dado é uma constatação animadora e eventualmente não haja necessidade de uma nova dose de vacina após 5 anos ( efeito”booster”).
“A vacina contém vírus vivo ou morto, atenuado?”
Não, as vacinas utilizam uma proteína praticamente comum aos diversos tipos de HPV para estimular o sistema imunológico contra essa proteína e por tabela ao vírus que a produz precocemente. A proteína além disso é sintetizada por engenharia genética. Uma das vacina utiliza uma levedura (que é usada para a fabricação da cerveja) modificada para produzir a tal proteína que depois é adicionada de outras substâncias estimulantes da resposta imunológica.
“E os outros tipos de HPV?”
Quando dos estudos iniciais e até o presente momento se investiu nessa terapia o alvo sempre foi prevenir o câncer de colo do útero (principalmente causado pelo HPV 16 e HPV18), além das verrugas causadas pelo HPV 6 e 11 (esses últimos praticamente sem potencial oncogênico). Sabe-se, também do acompanhamento dessas populações distribuidas no mundo todo (estudos multicêntricos) que existe um grau menor de proteção (anticorpos) cruzada com outros HPVs “próximos” dos tipos alvo.
Essa proteção não é total e ainda não foi definitivamente mensurada e testada clinicamente sob o ponto de vista de proteção clínica. Mas é outro dado animador.
“Se no homem o HPV não causa câncer, qual o benefício da vacina?”
Os HPVs de comportamento mais agressivo, também conhecidos como de alto risco, podem causar outros tipos de câncer, sobretudo, o câncer anal e também o câncer da região da laringe e esôfago.
No pênis o HPV associado a outros fatores, notadamente, higiene precária, podem favorecer alguns tipos de câncer de pênis. A circuncisão é extremamente protetora nesses casos, notadamente quando realizada na primeira infância. Além disso, o homem desleixado nesse aspecto é um “reservatório” e “vetor” do vírus (transmissor). Um ponto final, ainda a considerar, é que o homem também pode apresentar a doença verrucosa (condiloma acuminado) que pode assumir proporções não desprezíveis e com consequências facilmente previsíveis na sua vida sexual.
Alguns leitores enviaram várias questões sobre o uso da vacina quadrivalente contra o HPV no sexo masculino.
Embora eu esteja preparando um artigo mais extenso e completo sobre o assunto, valem algumas dicas e conhecimentos:
A vacina é preventiva e não curativa.
Os índices de anticorpos desencadeados nos rapazes até 15 anos são até um pouco maiores do que os observados nas meninas.
Não há necessidade absoluta de fazer exame prévio para a vacinação quando indicada, porque a infecção por um dos tipos não invalida a proteção contra os outros três.
Quando alguém se infecta com o HPV não adquire imunidade permanente contra os demais tipos.
Novos contatos sexuais podem gerar novas infecções por tipos diferentes.
“Nunca mais vou sarar?” “Nunca mais vou eliminar o vírus?”
NÃO ! A grande maioria da população em geral (60%) tem contato com os vírus do HPV e os elimina espontaneamente. Uma minoria desenvolve lesões e dentro dessa minoria uma outra minoria entra no que classificamos como doença recorrente, com recidivas (novas lesões). Mesmo esses, por uma questão de tempo, têm uma chance muito grande de “clarear” o vírus, eliminá-lo. O paralelismo que se faz com o comportamento do Herpe vírus não é procedente.
A vacinação idealmente deve ocorrer nos meninos que ainda não tiveram relações sexuais.
“Quanto tempo dura a vacina?” “Tenho que tomar nova dose em 5 anos?”
Isso ainda não está completamente estudado e comprovado. No entanto, mesmo com a queda dos anticorpos ao final desses 5 anos, dados preliminares nas populações que estão sob acompanhamento nos estudos (alguns já com quase 15 anos) mostram que uma eventual exposição ao vírus tem a capacidade de despertar a “memória imunológica”, elevando novamente o nível de anticorpos. Isso ainda é inconclusivo mas o dado é uma constatação animadora e eventualmente não haja necessidade de uma nova dose de vacina após 5 anos ( efeito”booster”).
“A vacina contém vírus vivo ou morto, atenuado?”
Não, as vacinas utilizam uma proteína praticamente comum aos diversos tipos de HPV para estimular o sistema imunológico contra essa proteína e por tabela ao vírus que a produz precocemente. A proteína além disso é sintetizada por engenharia genética. Uma das vacina utiliza uma levedura (que é usada para a fabricação da cerveja) modificada para produzir a tal proteína que depois é adicionada de outras substâncias estimulantes da resposta imunológica.
“E os outros tipos de HPV?”
Quando dos estudos iniciais e até o presente momento se investiu nessa terapia o alvo sempre foi prevenir o câncer de colo do útero (principalmente causado pelo HPV 16 e HPV18), além das verrugas causadas pelo HPV 6 e 11 (esses últimos praticamente sem potencial oncogênico). Sabe-se, também do acompanhamento dessas populações distribuidas no mundo todo (estudos multicêntricos) que existe um grau menor de proteção (anticorpos) cruzada com outros HPVs “próximos” dos tipos alvo.
Essa proteção não é total e ainda não foi definitivamente mensurada e testada clinicamente sob o ponto de vista de proteção clínica. Mas é outro dado animador.
“Se no homem o HPV não causa câncer, qual o benefício da vacina?”
Os HPVs de comportamento mais agressivo, também conhecidos como de alto risco, podem causar outros tipos de câncer, sobretudo, o câncer anal e também o câncer da região da laringe e esôfago.
No pênis o HPV associado a outros fatores, notadamente, higiene precária, podem favorecer alguns tipos de câncer de pênis. A circuncisão é extremamente protetora nesses casos, notadamente quando realizada na primeira infância. Além disso, o homem desleixado nesse aspecto é um “reservatório” e “vetor” do vírus (transmissor). Um ponto final, ainda a considerar, é que o homem também pode apresentar a doença verrucosa (condiloma acuminado) que pode assumir proporções não desprezíveis e com consequências facilmente previsíveis na sua vida sexual.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
OMS recomenda circuncisão no combate a AIDS
Em recente comunicado da Organização Mundial de Saúde, após uma reunião na Suíça, de especialistas médicos e entidades relacionadas com o combate à AIDS e transmissão do HIV, coordenada pelo UNAIDS, órgão da ONU encarregado das diretrizes e acompanhamento das medidas contra o HIV e AIDS, a OMS incluiu oficialmente a circuncisão como procedimento recomendado formalmente a todos os homens sexualmente ativos que ainda tem o prepúcio, como mais um método de profilaxia da transmissão do HIV, principalmente nas áreas do mundo em que a proporção de homens circuncidados é muito pequena e a transmissão heterossexual do HIV é ainda alta, caso do Brasil.
O procedimento de retirada do prepúcio, ou a pele que recobre a glande, a parte terminal arredondada do pênis, é largamente adotado no mundo todo, estimando-se que 30% de todos homens sejam circuncidados. No entanto, existem várias áreas em que esse procedimento é pouco adotado e em várias dessas regiões se sobrepõe uma alta transmissão do HIV em relações heterossexuais .
A mucosa (parte da pele interna) recoberta pelo prepúcio mantém-se mais fina, úmida e sujeita a traumas, muitas vezes mínimos, pequenas fissuras, que podem funcionar como porta de entrada de diversas doenças sexualmente transmissíveis, principalmente o HIV.
A idéia de que esse procedimento possa prevenir a Sífilis foi reportada em 1855 por um médico chamado Hutchinson e depois disso várias pesquisas apontaram a proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e mesmo o câncer de pênis em áreas de grande pobreza, com homens apresentando hábitos de higiene precários, por dificuldades ou desconhecimento da sua higiene íntima. O mesmo ocorre com o HPV e, por conseqüência, com a baixa incidência de câncer do colo do útero, do qual alguns tipos de HPV podem facilitar o seu aparecimento, em áreas em que se pratica esse procedimento.
Na realidade, não apenas o HIV tem como porta de entrada uma mucosa peniana mais frágil e úmida, muitas outras doenças associadas que levam a ulceração (formação de pequenas feridas) podem se transmitir com mais facilidade, desde o Herpes Vírus até os cancros mole e sifilítico. Um conceito relativamente novo, nessa área da Infectologia, é de que muitas vezes as infecções são múltiplas. Muitas dessas doenças são adquiridas em conjunto e muitas vezes uma facilita o desenvolvimento da outra. Esse conceito assume uma importância prática muito grande, pois diante de uma lesão peniana, um corrimento, sintomas genitais ou suspeita de contaminação após uma relação não protegida totalmente ou acidentes com o uso do preservativo (rompimento), a pesquisa das doenças sexualmente transmissíveis deve ser o mais abrangente possível e, muitas vezes, demanda um acompanhamento médico por alguns meses.
Na história as circuncisões já eram registradas no Papiro de Ebers do antigo Egito, datado de 1550 A C e no Antigo Testamento da Bíblia, quando Abraão é aconselhado a exigi-la de seus descendentes e seguidores ( Gênesis 17:11) (vide Box específicos abaixo).
A circuncisão é praticada por muitos povos por motivos religiosos, destacando-se a comunidade judaica que preconiza a circuncisão já no 8º. dia de vida, período em que o sangramento é mínimo.
No mundo islâmico, em várias partes do mundo que vai desde parte da África até o Oriente, na Índia, a circuncisão também é praticada por motivos religiosos como um ritual e um elemento de ligação sagrada entre Alá e o muçulmano.
Nos Estados Unidos durante várias décadas esse foi um hábito bastante comum, mesmo entre pessoas de outra religião que não o Judaísmo. A grande maioria dos bebês já saia do hospital com o procedimento feito. Há alguns anos atrás a Sociedade Americana de Pediatria emitiu um parecer no sentido de que houvesse mais cuidado com o procedimento uma vez que, tomando-o como um procedimento muito simples, muitas vezes se negligenciava as complicações que podem advir do procedimento em bebês muito novos.
Além disso, uma contra-indicação formal à sua realização é a presença de uma condição chamada hipospádia, em que a abertura do canal da uretra ( que transporta a urina para fora do corpo) tem a sua abertura mais abaixo, fora da ponta, as vezes até perto da base do pênis junto ao escroto). Nesse caso a pele do prepúcio pode ser valiosa para cirurgias de reconstrução, muitas vezes depois que a criança cresce um pouco, que visam recolocar o orifício na sua posição correta , na ponta do pênis.
Já em paises europeus, sobretudo nos escandinavos, o procedimento não é tão usado e a higiene adequada, propiciada pelas melhores condições sócio-econômicas, faz com que os riscos mencionados sejam mínimos, mesmo sem a cirurgia.
A recomendação da OMS emitida agora em março, no entanto, é clara para as áreas de transmissão heterossexual alta do HIV, associada a níveis sócio-econômicos não tão satisfatórios. Infelizmente, várias áreas do Brasil se incluem nesse padrão.
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Cultura Geral
O Papiro de Ebers - A “Enciclopédia Médica “ do antigo Egito.
A combinação das crenças e status político das dinastias que se sucederam no antigo Egito fez com que aquela civilização tivesse entre as suas figuras de importância no seio da sociedade o médico e , por extensão , a valorização da Medicina. Não apenas na manutenção da saúde enquanto as pessoas viviam, mas também para a conservação dos corpos quando mortos. Numa região quente e úmida as vezes a putrefação e a incidência de várias doenças foram estimulando o descobrimento de técnicas e procedimentos para contornar a influência desses fatores na saúde das pessoas .
O Papiro de Ebers pelo seu estado de conservação bastante bom foi descoberto em Luxor no ano de 1873 e atualmente é patrimônio da Universidade de Leipzig na Alemanha. Compõem-se de 108 páginas escritas na 18ª. Dinastia, ao redor do ano 8 do reinado de Amenhotep I. Segundo os especialistas é a fonte mais fidedigna, rica e conservada sobre a Medicina egípcia. Nele se encontram descritos procedimentos oculares, cirurgias, conhecimentos de farmacologia, de veterinária ( pois também preservavam os animais para a vida além morte) e muitos conhecimentos para vencer o ambiente. No que tange a circuncisão há a descrição de que o “vento arenoso” do deserto induzia à sua prática desde o ano 5000 AC) para evitar a gangrena ( e provavelmente também o câncer) do pênis. O papiro foi encontrado junto a uma múmia vendido inicialmente ao egiptólogo Edwin Smith e posteriormente comprado por outro estudioso do antigo Egito, o alemão Geoge Moritz Ebers, que lhe deu o nome atual com tal é conhecido.
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A Circuncisão na Bíblia
Antigo Testamento - Livro do Gênesis
Cap17, vers 9-11.
Aliança selada pela circuncisão
… Deus disse a Abraão: “Tu, de tua parte, guardarás minha aliança, tu e tua descendência para sempre. Esta é a minha aliança que devereis observar entre mim e vós e tua descendência futura: circuncidai todos os homens de vosso meio. Circuncidareis a carne do prepúcio: esse será o sinal da aliança entre mim e vós. No oitavo dia do nascimento todos os meninos serão circuncidados, em cada geração, mesmo os filhos dos escravos nascidos em casa ou comprados de algum estrangeiro, não pertencentes à tua raça. Seja circuncidado tanto o escravo nascido em casa como o comprado a dinheiro. Assim trareis em vossa carne o sinal de minha aliança para sempre” …..
Originalmente postado em 23 de Abril de 2008.
O procedimento de retirada do prepúcio, ou a pele que recobre a glande, a parte terminal arredondada do pênis, é largamente adotado no mundo todo, estimando-se que 30% de todos homens sejam circuncidados. No entanto, existem várias áreas em que esse procedimento é pouco adotado e em várias dessas regiões se sobrepõe uma alta transmissão do HIV em relações heterossexuais .
A mucosa (parte da pele interna) recoberta pelo prepúcio mantém-se mais fina, úmida e sujeita a traumas, muitas vezes mínimos, pequenas fissuras, que podem funcionar como porta de entrada de diversas doenças sexualmente transmissíveis, principalmente o HIV.
A idéia de que esse procedimento possa prevenir a Sífilis foi reportada em 1855 por um médico chamado Hutchinson e depois disso várias pesquisas apontaram a proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e mesmo o câncer de pênis em áreas de grande pobreza, com homens apresentando hábitos de higiene precários, por dificuldades ou desconhecimento da sua higiene íntima. O mesmo ocorre com o HPV e, por conseqüência, com a baixa incidência de câncer do colo do útero, do qual alguns tipos de HPV podem facilitar o seu aparecimento, em áreas em que se pratica esse procedimento.
Na realidade, não apenas o HIV tem como porta de entrada uma mucosa peniana mais frágil e úmida, muitas outras doenças associadas que levam a ulceração (formação de pequenas feridas) podem se transmitir com mais facilidade, desde o Herpes Vírus até os cancros mole e sifilítico. Um conceito relativamente novo, nessa área da Infectologia, é de que muitas vezes as infecções são múltiplas. Muitas dessas doenças são adquiridas em conjunto e muitas vezes uma facilita o desenvolvimento da outra. Esse conceito assume uma importância prática muito grande, pois diante de uma lesão peniana, um corrimento, sintomas genitais ou suspeita de contaminação após uma relação não protegida totalmente ou acidentes com o uso do preservativo (rompimento), a pesquisa das doenças sexualmente transmissíveis deve ser o mais abrangente possível e, muitas vezes, demanda um acompanhamento médico por alguns meses.
Na história as circuncisões já eram registradas no Papiro de Ebers do antigo Egito, datado de 1550 A C e no Antigo Testamento da Bíblia, quando Abraão é aconselhado a exigi-la de seus descendentes e seguidores ( Gênesis 17:11) (vide Box específicos abaixo).
A circuncisão é praticada por muitos povos por motivos religiosos, destacando-se a comunidade judaica que preconiza a circuncisão já no 8º. dia de vida, período em que o sangramento é mínimo.
No mundo islâmico, em várias partes do mundo que vai desde parte da África até o Oriente, na Índia, a circuncisão também é praticada por motivos religiosos como um ritual e um elemento de ligação sagrada entre Alá e o muçulmano.
Nos Estados Unidos durante várias décadas esse foi um hábito bastante comum, mesmo entre pessoas de outra religião que não o Judaísmo. A grande maioria dos bebês já saia do hospital com o procedimento feito. Há alguns anos atrás a Sociedade Americana de Pediatria emitiu um parecer no sentido de que houvesse mais cuidado com o procedimento uma vez que, tomando-o como um procedimento muito simples, muitas vezes se negligenciava as complicações que podem advir do procedimento em bebês muito novos.
Além disso, uma contra-indicação formal à sua realização é a presença de uma condição chamada hipospádia, em que a abertura do canal da uretra ( que transporta a urina para fora do corpo) tem a sua abertura mais abaixo, fora da ponta, as vezes até perto da base do pênis junto ao escroto). Nesse caso a pele do prepúcio pode ser valiosa para cirurgias de reconstrução, muitas vezes depois que a criança cresce um pouco, que visam recolocar o orifício na sua posição correta , na ponta do pênis.
Já em paises europeus, sobretudo nos escandinavos, o procedimento não é tão usado e a higiene adequada, propiciada pelas melhores condições sócio-econômicas, faz com que os riscos mencionados sejam mínimos, mesmo sem a cirurgia.
A recomendação da OMS emitida agora em março, no entanto, é clara para as áreas de transmissão heterossexual alta do HIV, associada a níveis sócio-econômicos não tão satisfatórios. Infelizmente, várias áreas do Brasil se incluem nesse padrão.
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Cultura Geral
O Papiro de Ebers - A “Enciclopédia Médica “ do antigo Egito.
A combinação das crenças e status político das dinastias que se sucederam no antigo Egito fez com que aquela civilização tivesse entre as suas figuras de importância no seio da sociedade o médico e , por extensão , a valorização da Medicina. Não apenas na manutenção da saúde enquanto as pessoas viviam, mas também para a conservação dos corpos quando mortos. Numa região quente e úmida as vezes a putrefação e a incidência de várias doenças foram estimulando o descobrimento de técnicas e procedimentos para contornar a influência desses fatores na saúde das pessoas .
O Papiro de Ebers pelo seu estado de conservação bastante bom foi descoberto em Luxor no ano de 1873 e atualmente é patrimônio da Universidade de Leipzig na Alemanha. Compõem-se de 108 páginas escritas na 18ª. Dinastia, ao redor do ano 8 do reinado de Amenhotep I. Segundo os especialistas é a fonte mais fidedigna, rica e conservada sobre a Medicina egípcia. Nele se encontram descritos procedimentos oculares, cirurgias, conhecimentos de farmacologia, de veterinária ( pois também preservavam os animais para a vida além morte) e muitos conhecimentos para vencer o ambiente. No que tange a circuncisão há a descrição de que o “vento arenoso” do deserto induzia à sua prática desde o ano 5000 AC) para evitar a gangrena ( e provavelmente também o câncer) do pênis. O papiro foi encontrado junto a uma múmia vendido inicialmente ao egiptólogo Edwin Smith e posteriormente comprado por outro estudioso do antigo Egito, o alemão Geoge Moritz Ebers, que lhe deu o nome atual com tal é conhecido.
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A Circuncisão na Bíblia
Antigo Testamento - Livro do Gênesis
Cap17, vers 9-11.
Aliança selada pela circuncisão
… Deus disse a Abraão: “Tu, de tua parte, guardarás minha aliança, tu e tua descendência para sempre. Esta é a minha aliança que devereis observar entre mim e vós e tua descendência futura: circuncidai todos os homens de vosso meio. Circuncidareis a carne do prepúcio: esse será o sinal da aliança entre mim e vós. No oitavo dia do nascimento todos os meninos serão circuncidados, em cada geração, mesmo os filhos dos escravos nascidos em casa ou comprados de algum estrangeiro, não pertencentes à tua raça. Seja circuncidado tanto o escravo nascido em casa como o comprado a dinheiro. Assim trareis em vossa carne o sinal de minha aliança para sempre” …..
Originalmente postado em 23 de Abril de 2008.
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