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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Gonorréia um fantasma em ascenção

Ainda não existem dados oficiais e recentes, mas a prática clínica e notadamente a troca de informações entre diversos colegas em especialidades afins tem levado a constatação e conclusão (com base na experiência praticamente unânime dos demais colegas) de que estamos vivendo uma epidemia de infecção pelo gonococo, o causador da gonorréia. 

No homem a manifestação principal é uma inflamação da uretra, chamada uretrite, com produção de pus abundante, amarelo-esverdeado, fortes sintomas de irritação, dor e ardor da uretra, edema do pênis e vermelhidão, consequente à inflamação. Os sintomas urinários (ardor para urinar e até febre) podem ser os primeiros e sugerir apenas uma infecção urinária. 

Na mulher além da inflamação vaginal pode haver um quadro mais grave chamado moléstia inflamatória pélvica que atinge além da vagina as trompas e ovários com dor importante no baixo ventre (o "pé" da barriga). 

A transmissão do gonococo é eminentemente sexual, nas diversas formas de contato (vaginal, anal e oral). Alguns pacientes, homens e mulheres, podem portar o gonococo na garganta e reto, sem necessariamente apresentarem sintomas, mas funcionarem como transmissores. 

O tratamento da gonorréia merece cuidado especial e acompanhamento. No mundo todo vem sendo notada uma resistência crescente aos antibióticos tradicionais utilizados para o tratamento da bactéria. Não é incomum que haja, ainda, a associação com outros agentes no mesmo quadro infeccioso (como  a associação entre gonococo e clamídia). 

A menor suspeita consulte um médico. Evite o balconista, mesmo porque, antibióticos só com receita médica. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS, UM EXEMPLO FIEL DA SAÚDE BRASILEIRA

Entrevista concedida ao editor Giuliano Agmont da Revista “HPV News”, último número, a respeito de um estudo sobre doenças sexualmente transmissíveis em seis capitais brasileiras, publicado em 2008, com a cooperação da Alemanha, que gerou um livro com tiragem de 4.000 exemplares para todo o país:

PREVALÊNCIAS E FREQUENCIAS RELATIVAS DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS EM POPULAÇÕES SELECIONADAS DE SEIS CAPITAIS BRASILEIRAS.  Programa Nacional DST/AIDS / MS. 2008.
Sob os auspícios da agência  GTZ –Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha



1 Qual a importância desse levantamento?

Homero Guidi (HG):

Num país em que os dados de saúde são muito precários, salvo algumas exceções honrosas, qualquer levantamento com metodologia séria é bem vinda.  Na realidade a falta de dados na Saúde Brasileira constitui um dos “anti-pilares” do nosso sistema: como planejar e investir se não sabemos no quê, em quanto, de que maneira, onde, etc. Para o leigo fica fácil explicar isso. Tomemos um exemplo de instituição de saúde de excelência no país:  o Incor, Instituto do Coração de São Paulo. O problema de saúde do país não seria resolvido se toda cidade média ou grande no Brasil contasse com um Incor, exatamente igual ao original. O motivo é obvio: nem só de doenças cardíacas carece a saúde do brasileiro. Há desde as verminoses, as hérnias, acidentes, apendicites  e doenças sexualmente transmissíveis (DST) até o câncer. 

Onde, como  e quanto investir?

Se considerarmos outros países ficamos muito atrás nesse ponto.  Tomemos por exemplo os países escandinavos que tem o histórico de saúde de toda a população e, hoje, se dão ao luxo de estudar um determinado assunto levantando dados de toda a população nos últimos 50 anos.  Sim não são cinco, são 50 anos!. A primeira desculpa que vem a mente de todos é a questão do custo dessa organização toda. Balela pura. O primeiro custo da organização é o comprometimento de todos que querem  ser organizados. Isso vai muito além do recurso financeiro propriamente dito.  

Temos um sistema econômico e financeiro brasileiro eficientíssimo nos mesmos moldes – instituições governamentais e privadas, todas unidas e engrenadas para funcionar perante o cidadão e o seu CPF.  Nenhum calote passa despercebido... Nos países nórdicos o indivíduo recebe um “CPF” único para o resto de sua vida representado pela sequencia numérica da sua data de nascimento e uma numeração que identifica a ordem de registro do mesmo. Isso apenas para começar. Todas as doenças são notificadas e registradas e sempre que necessário sabe-se exatamente em que tipo de recurso de saúde há necessidade de cada centavo disponível para o investimento. Onde há mais e menos necessidade?  

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