As infecções urinárias, muitas vezes encaradas como um problema banal no sistema de saúde tem grande importância.
Em primeiro lugar pelo sofrimento em maior ou menor grau de quem as apresenta, notadamente as mulheres, vítimas mais frequentes da doença.
Dados apontam que essa infecção, a mais comum na raça humana, responde por 15% de todas as prescrições de antibióticos nos Estados Unidos, que resultam num custo entre 1,6 a 2,5 milhões de dólares anuais, naquele país. Contados todos os custos a soma ultrapassa 1 bilhão de dólares.
Embora com um índice raro de complicações mais sérias, ainda assim, elas geram 100.000 hospitalizações anuais (em geral por pielonefrite, infecção que se estende até o rim).
Nas mulheres, o ônus é maior, gerando perdas não contabilizadas em termos de dias perdidos em suas atividades e produtividade. Mesmo bem tratada a infecção nas mulheres podem reaparecer em 25% das pessoas num espaço de 6 meses (uma nova infecção) ou em até 44% no período de um ano inteiro após o primeiro episódio.
Outro grande problema é a automedicação, geralmente errada, em termos de medicação, tempo de duração, etc.
Esses e outros problemas estão sendo discutidos em um encontro agora, manhã do dia 26 de abril de 2014, em Buenos Aires, Argentina no Uro-Vaxom Summit em sua segunda versão na América Latina (a primeira foi no Peru em 2012). Participam médicos de todo o continente, incluindo o México e palestrantes da Inglaterra, Alemanha, Suécia, Itália e Hungria entre outros.
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sábado, 26 de abril de 2014
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Transplante de fezes & Bacteriúria Assintomática
Não você não leu errado.
Transplante de fezes já estão sendo realizados.
É uma da mais novas terapias para o tratamento de doenças inflamatórias/infecciosas intestinais graves (como por exemplo pelo Clostridium difficile multi-resistente).
A noção de bioma humano vai se estendendo pela Medicina. Ela já existe em relação a infecção urinária crônica recorrente, notadamente nas mulheres, em que microorganismos multi-resistentes continuamente reinfectam as bexigas dessas pacientes e constituem uma doença de difícil manejo.
Algumas cepas da Escherichia coli, o germe mais comum e prevalente nessas cistites, apresenta algumas cepas "boazinhas" em que a infecção não passa de uma colonização da bexiga, sem sintomas (Bacteriúria Assintomática).
Nessas pacientes a cultura de urina vem positiva (exame pedido como "check up"....), a urina tipo I as vezes nem mostra leucócitos aumentados (glóbulos brancos que mostram inflamação) e a paciente não tem sintomas.
O maior erro é o tratamento do exame. Sim, tratar bacteriúria assintomática faz mais mal do que bem.
Você trata o exame e não a paciente. Só existem 3 situações em que a Bacteriúria Assintomática deve ser tratada: nas mulheres grávidas, nas crianças e quando essas pacientes vão fazer uma cirurgia ou procedimento no trato urinário.
Na filosofia do Bioma, algumas universidades da Escandinávia (Lund, principalmente e pioneira) e outras nos Estados Unidos, estão propondo e estudando a "troca" deliberada de cepas "boazinhas" da E. coli nessas mulheres com quadros intratáveis.
O uso indiscriminado de antibióticos seleciona bactérias multi-resistentes. Na prática clínica isso começa com o teste de sensibilidade mostrando que a bactéria existente na cultura não tem nenhum antibiótico que possa ser usado por via oral, apenas por via endovenosa ou intramuscular....
Há quase quinze ou vinte anos não se descobrem novos antibióticos!
Pense a respeito.
Pacientes e médicos devem pensar nisso.
Tratar uma infecção urinária pode não ser tão simples assim...
Nem mesmo pedir exames a esmo!
Transplante de fezes já estão sendo realizados.
É uma da mais novas terapias para o tratamento de doenças inflamatórias/infecciosas intestinais graves (como por exemplo pelo Clostridium difficile multi-resistente).
A noção de bioma humano vai se estendendo pela Medicina. Ela já existe em relação a infecção urinária crônica recorrente, notadamente nas mulheres, em que microorganismos multi-resistentes continuamente reinfectam as bexigas dessas pacientes e constituem uma doença de difícil manejo.
Algumas cepas da Escherichia coli, o germe mais comum e prevalente nessas cistites, apresenta algumas cepas "boazinhas" em que a infecção não passa de uma colonização da bexiga, sem sintomas (Bacteriúria Assintomática).
Nessas pacientes a cultura de urina vem positiva (exame pedido como "check up"....), a urina tipo I as vezes nem mostra leucócitos aumentados (glóbulos brancos que mostram inflamação) e a paciente não tem sintomas.
O maior erro é o tratamento do exame. Sim, tratar bacteriúria assintomática faz mais mal do que bem.
Você trata o exame e não a paciente. Só existem 3 situações em que a Bacteriúria Assintomática deve ser tratada: nas mulheres grávidas, nas crianças e quando essas pacientes vão fazer uma cirurgia ou procedimento no trato urinário.
Na filosofia do Bioma, algumas universidades da Escandinávia (Lund, principalmente e pioneira) e outras nos Estados Unidos, estão propondo e estudando a "troca" deliberada de cepas "boazinhas" da E. coli nessas mulheres com quadros intratáveis.
O uso indiscriminado de antibióticos seleciona bactérias multi-resistentes. Na prática clínica isso começa com o teste de sensibilidade mostrando que a bactéria existente na cultura não tem nenhum antibiótico que possa ser usado por via oral, apenas por via endovenosa ou intramuscular....
Há quase quinze ou vinte anos não se descobrem novos antibióticos!
Pense a respeito.
Pacientes e médicos devem pensar nisso.
Tratar uma infecção urinária pode não ser tão simples assim...
Nem mesmo pedir exames a esmo!
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
PSA - Interferentes
Originalmente postado em 18 de Setembro de 2008
O antígeno próstatico específico (PSA) é um exame de sangue auxiliar no diagnóstico do câncer de próstata. Na realidade é uma proteína ( uma enzima) produzida por algumas células da glândula próstática e em muito menor quantidade por outros tecidos como outras glândulas e o fígado.
Seus níveis devem ser interpretados pelo médico, pois ao contrário de outros exames em que apenas se afere a normalidade fazendo-se a comparação com o valor de referência, no caso do PSA, existem outras variáveis que devem ser levadas em conta.
O PSA , além disso, deve ser cercado de alguns cuidados na sua execução, mais precisamente na sua coleta. Na presença de infecção urinária quase que invariavelmente ele pode estar aumentado apenas pela infecção. Outros fatores que interferem com o nível do PSA são todos os eventos que podem comprimir ou manipular a região retal que guarda íntima de relação com a próstata ( a parede do intestino tem alguns milímetros até a cápsula da próstata) . Assim deve-se observar um espaço de tempo entre alguns desses eventos e a coleta do sangue para o exame. Relação sexual/ masturbação (ejaculação) na noite anterior à coleta invalidam o exame. O ideal são três dias de abstinência. O mesmo período serve para passeio de motocicleta, bicicleta ( inclusive a ergométrica), passeio a cavalo, toque retal, supositório, passagem de sonda na uretra e mesmo alguma constipação muito acentuada com evacuação de fezes muito endurecidas após vários dias sem evacuar.
Se houver exame ultra-sonográfico transretal o período mínimo é de 7 a 10 dias. Duas semanas para o exame de colonoscopia e retossigmoidoscopia. Para a biópsia de próstata e uretrocistoscopia recomenda-se um intervalo de 30 dias. A diarréia não interfere no exame, mas as crises hemorroidárias ( episódio agudo com dor , trombose, etc.) devem adiar o exame.No caso da infecção não há consenso adequado, seu médico deve ser consultado.
O antígeno próstatico específico (PSA) é um exame de sangue auxiliar no diagnóstico do câncer de próstata. Na realidade é uma proteína ( uma enzima) produzida por algumas células da glândula próstática e em muito menor quantidade por outros tecidos como outras glândulas e o fígado.
Seus níveis devem ser interpretados pelo médico, pois ao contrário de outros exames em que apenas se afere a normalidade fazendo-se a comparação com o valor de referência, no caso do PSA, existem outras variáveis que devem ser levadas em conta.
O PSA , além disso, deve ser cercado de alguns cuidados na sua execução, mais precisamente na sua coleta. Na presença de infecção urinária quase que invariavelmente ele pode estar aumentado apenas pela infecção. Outros fatores que interferem com o nível do PSA são todos os eventos que podem comprimir ou manipular a região retal que guarda íntima de relação com a próstata ( a parede do intestino tem alguns milímetros até a cápsula da próstata) . Assim deve-se observar um espaço de tempo entre alguns desses eventos e a coleta do sangue para o exame. Relação sexual/ masturbação (ejaculação) na noite anterior à coleta invalidam o exame. O ideal são três dias de abstinência. O mesmo período serve para passeio de motocicleta, bicicleta ( inclusive a ergométrica), passeio a cavalo, toque retal, supositório, passagem de sonda na uretra e mesmo alguma constipação muito acentuada com evacuação de fezes muito endurecidas após vários dias sem evacuar.
Se houver exame ultra-sonográfico transretal o período mínimo é de 7 a 10 dias. Duas semanas para o exame de colonoscopia e retossigmoidoscopia. Para a biópsia de próstata e uretrocistoscopia recomenda-se um intervalo de 30 dias. A diarréia não interfere no exame, mas as crises hemorroidárias ( episódio agudo com dor , trombose, etc.) devem adiar o exame.No caso da infecção não há consenso adequado, seu médico deve ser consultado.
Infecção Urinária - o que você deve saber.
Originalmente postado em 25 de Agosto de 2008
A infecção urinária é o tipo mais comum de infecção na prática médica.
Estima-se que todas as mulheres, pelo menos uma vez na vida, terão ao menos um episódio de infecção urinária. Os homens terão uma chance menor. Essa diferença se explica pela anatomia do canal da urina (uretra) de ambos: a da mulher é muito mais curta ( 3 a 4 cm).
Sintomas : dor ao urinar, queimação no canal da urina, ardência. Dificuldade para iniciar o jato urinário. Desejo insuportável de urinar, geralmente com pequena quantidade e em espaços de tempo muito curtos. Urina com mau cheiro e até com um pouco de sangue no final.
Geralmente não há febre ( o que junto com calafrios pode indicar uma infecção urinária mais grave, que pode até atingir o rim).
Na pessoa idosa e na criança muito nova os sintomas podem não existir ou ser muito fracos. Também é comum que o idoso apresente dor em todo o abdomen além de náuseas e vômitos.
Na infecção urinária, bactérias presentes na nossa região genital conseguem subir pelo canal da urina e, dentro da bexiga, penentrar na mucosa, causando inflamação e infecção, com sua multiplicação.
Geralmente nossa urina que é estéril (sem bactérias) passa a exibir microscópicamente grande quantidade desses microorganismos.
A infecção urinária não se transmite sexualmente, por mais grave que seja.
O tratamento da infecção urinária deve ser precedido de um diagnóstico correto. Nem sempre é necessário um exame específico de laboratório. As vezes, ao contrário, ele é imprescindível. Quem sabe avaliar quando é ou não necessário é o seu médico.
Em determinadas situações o tratamento é iniciado de imediato, pois os germes envolvidos são relativamente poucos e têm uma sensibilidade bem conhecida aos medicamentos apropriados. Além disso, os bons resultados ( cura ) costumam ser a regra.
Situações que comprometem a saúde da pessoa em outras esferas podem funcionar com fatores complicadores da infecção urinária levando à necessidade de maiores cuidados.
A infecção urinária pode ser prevenida desde cedo:
- nas mulheres são imperativos alguns comportamentos valiosos e simples : não prender a urina por muito tempo; fazer a higiende dos genitais sempre da frente para trás; urinar após as relações sexuais; evitar o uso de absorventes internos desnecessariamente; evitar o uso de talcos, desodorantes íntimos, duchas, etc. que podem irritar a uretra ou mesmo injetar fluídos contaminados no interior da bexiga.
- nos homens a higiene após o coito também é valiosa, bem como a higiene na parte interna do prepúcio e glande, limpando o produto de descamação da mucosa e das glândulas ( esmegma), lavando com água e sabonete o local pelo menos uma vez ao dia.
Em ambos os sexos é fundamental beber muito líquido para manter uma produção abundante de urina clara .
O uso de diafragma, como método anticoncepcional, está associado a uma maior incidência de infecção urinária nas mulheres sexualmente ativas. O uso da pílula e do preservativo não oferecem esse risco.
Outros fatores gerais que facilitam a infecção urinária são problemas obstrutivos como a próstata que cresce no homem depois dos 40 anos e que em alguns deles (20% aproximadamente) pode interferir diminuindo o fluxo da urina. Além disso , nos dois sexos, o diabetes facilita muito as infecções urinárias. Além disso, também outras doenças do sistema imune (HIV, câncer, quimioterapia, uso de corticóides por períodos prolongados, etc.) podem aumentar o risco de infecção urinária.
As infecções urinárias, embora sejam consideradas simples e possam ser facilmente tratadas, podem apresentar complicações, como a sua extensão para os rins (pielonefrite) ou mesmo septicemia ( infecção generalizada pelo organismo. Nas mulheres grávidas uma das preocupações mais importantes e constantes durante o pré-natal é o diagnóstico e tratamento eficaz de infecções urinárias que podem favorecer o parto prematuro e o baixo peso do nenem.
Não se auto-medique, nem use o remédio “da amiga”, por mais simples e igual que o seu quadro possa parecer, uma boa orientação e um diagnóstico individual é insubstituível e pode poupar complicações desnecessárias.
A infecção urinária é o tipo mais comum de infecção na prática médica.
Estima-se que todas as mulheres, pelo menos uma vez na vida, terão ao menos um episódio de infecção urinária. Os homens terão uma chance menor. Essa diferença se explica pela anatomia do canal da urina (uretra) de ambos: a da mulher é muito mais curta ( 3 a 4 cm).
Sintomas : dor ao urinar, queimação no canal da urina, ardência. Dificuldade para iniciar o jato urinário. Desejo insuportável de urinar, geralmente com pequena quantidade e em espaços de tempo muito curtos. Urina com mau cheiro e até com um pouco de sangue no final.
Geralmente não há febre ( o que junto com calafrios pode indicar uma infecção urinária mais grave, que pode até atingir o rim).
Na pessoa idosa e na criança muito nova os sintomas podem não existir ou ser muito fracos. Também é comum que o idoso apresente dor em todo o abdomen além de náuseas e vômitos.
Na infecção urinária, bactérias presentes na nossa região genital conseguem subir pelo canal da urina e, dentro da bexiga, penentrar na mucosa, causando inflamação e infecção, com sua multiplicação.
Geralmente nossa urina que é estéril (sem bactérias) passa a exibir microscópicamente grande quantidade desses microorganismos.
A infecção urinária não se transmite sexualmente, por mais grave que seja.
O tratamento da infecção urinária deve ser precedido de um diagnóstico correto. Nem sempre é necessário um exame específico de laboratório. As vezes, ao contrário, ele é imprescindível. Quem sabe avaliar quando é ou não necessário é o seu médico.
Em determinadas situações o tratamento é iniciado de imediato, pois os germes envolvidos são relativamente poucos e têm uma sensibilidade bem conhecida aos medicamentos apropriados. Além disso, os bons resultados ( cura ) costumam ser a regra.
Situações que comprometem a saúde da pessoa em outras esferas podem funcionar com fatores complicadores da infecção urinária levando à necessidade de maiores cuidados.
A infecção urinária pode ser prevenida desde cedo:
- nas mulheres são imperativos alguns comportamentos valiosos e simples : não prender a urina por muito tempo; fazer a higiende dos genitais sempre da frente para trás; urinar após as relações sexuais; evitar o uso de absorventes internos desnecessariamente; evitar o uso de talcos, desodorantes íntimos, duchas, etc. que podem irritar a uretra ou mesmo injetar fluídos contaminados no interior da bexiga.
- nos homens a higiene após o coito também é valiosa, bem como a higiene na parte interna do prepúcio e glande, limpando o produto de descamação da mucosa e das glândulas ( esmegma), lavando com água e sabonete o local pelo menos uma vez ao dia.
Em ambos os sexos é fundamental beber muito líquido para manter uma produção abundante de urina clara .
O uso de diafragma, como método anticoncepcional, está associado a uma maior incidência de infecção urinária nas mulheres sexualmente ativas. O uso da pílula e do preservativo não oferecem esse risco.
Outros fatores gerais que facilitam a infecção urinária são problemas obstrutivos como a próstata que cresce no homem depois dos 40 anos e que em alguns deles (20% aproximadamente) pode interferir diminuindo o fluxo da urina. Além disso , nos dois sexos, o diabetes facilita muito as infecções urinárias. Além disso, também outras doenças do sistema imune (HIV, câncer, quimioterapia, uso de corticóides por períodos prolongados, etc.) podem aumentar o risco de infecção urinária.
As infecções urinárias, embora sejam consideradas simples e possam ser facilmente tratadas, podem apresentar complicações, como a sua extensão para os rins (pielonefrite) ou mesmo septicemia ( infecção generalizada pelo organismo. Nas mulheres grávidas uma das preocupações mais importantes e constantes durante o pré-natal é o diagnóstico e tratamento eficaz de infecções urinárias que podem favorecer o parto prematuro e o baixo peso do nenem.
Não se auto-medique, nem use o remédio “da amiga”, por mais simples e igual que o seu quadro possa parecer, uma boa orientação e um diagnóstico individual é insubstituível e pode poupar complicações desnecessárias.
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