Mostrando postagens com marcador Gripe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gripe. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de maio de 2013

NOTICIA DA AGÊNCIA REUTERS 24 MAIO 2013


Abaixo a notícia veiculada hoje pela Agência Reuters nesta sexta-feira, 24 de maio de 2013.  Chama a atenção a possibilidade de transmissão por via aérea. 




HONG KONG, 24 Mai (Reuters) - O vírus H7N9 tem capacidade de transmissão entre humanos, inclusive por via aérea, disseram nesta sexta-feira pesquisadores da Universidade de Hong Kong que estudam a nova gripe aviária.
Os cientistas relataram que três furões, o principal animal usado em pesquisas sobre a influenza humana, contraíram o H7N9 quando em contato com outros furões previamente contaminados.
Um dos três ficou numa gaiola à parte, e acabou infectado por exposição aérea.
Até agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) dizia não haver indícios de "transmissão sustentada entre humanos". Desde que surgiu na China, a doença já matou 36 pessoas.
"As descobertas sugerem que a possibilidade de o vírus evoluir mais para formar a base de uma futura ameaça de pandemia não pode ser excluída", disse a equipe de pesquisa, liderada pelo biólogo Yi Guan, especialista em gripes aviárias.

Os cientistas também descobriram que alguns animais contaminados não desenvolveram febre e outros sinais clínicos, indicando que infecções assintomáticas entre humanos são possíveis. Isso tornaria o vírus mais difícil de detectar e controlar.
O vírus também pode contaminar porcos, mas não tem como ser transmitido entre porcos ou deles para outros animais, segundo o estudo. Mesmo assim, a equipe pediu às autoridades para que mantenham a vigilância para evitar uma mutação que resulte em um vírus mais sério.
A OMS considerou o estudo bom, mas advertiu que as pessoas "têm de ter muito cuidado com o que está acontecendo no terreno".
"Estudos como esse são realmente úteis para aumentar o conhecimento geral, e este é muito útil para saber que, sob condições de laboratório, este vírus poderia transferir-se de pessoa para pessoa", disse o principal porta-voz da OMS, Gregory Hartl, à Reuters.
Há poucos dias, a OMS disse que o H7N9 parecia ter sido controlado na China graças a restrições a mercados aviários.
O H7N9 apresentou sintomas relativamente brandos nos furões, e todos eles se recuperaram em no máximo sete dias, segundo o estudo. Os pesquisadores disseram que os pacientes humanos que morreram tinham outras complicações de saúde.
Desde que surgiu, em março, o vírus contaminou 130 pessoas na China continental. Nenhum novo caso foi registrado desde o começo de maio.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nova gripe na China

No final de abril foram notificados 3 casos fatais de gripe na China.

Novamente são vírus mutantes vindos de aves domésticas (gripe aviária). Os dois vírus combinados, isoladamente nunca tinham sido descritos em humanos ou mesmo em mamíferos. 

Trata-se do H7N9.

Os três casos  englobam um homem de 87 anos, uma mulher de 35 e um homem jovem de 27 anos. Todos evoluíram em curto espaço de tempo, apesar de cuidados intensivos (UTI) para a Síndrome da Angústia Respiratória Aguda, um tipo de falência pulmonar, acompanhada da falência de outros órgãos vitais, o que caracteriza a conhecida síndrome de falência de múltiplos órgãos (rins, coração, fígado, etc.). 

Aparece como fato interessante nesse caso o fato dos três pacientes morarem em cidades populosas e não na área rural  (Shangai e Anhi). O problema da transmissão interespécies (ave-homem) refere-se a padrões culturais muito antigos e sócio-econômicos daquela região do mundo em que as aves são parte importante da alimentação e muitas vezes criadas dentro de casa, em contato muito próximo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Influenza e Sarampo - Atualização da vigilância epidemiológica pelo mundo.

Originalmente postado em 15 de Abril de 2010

Em número recente, de abril de 2010, da revista “The Lancet”, uma das revistas médicas mais conceituadas no mundo, chegam três notícias muito inter-relacionadas com o contexto que vimos observando na sociedade, principalmente no Brasil, nas últimas semanas.

As notícias referem-se:
1) um grande surto de sarampo no Zimbábue e cidade do Cabo, África;
2) a última reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 23 de fevereiro (Comitê de Emergência) sobre o status da pandemia de gripe suína (influenza H1N1);
3) as últimas recomendações da mesma OMS para a vacinação contra gripe.

O que sarampo tem a ver com gripe e sua vacina? Absolutamente nada do ponto de vista médico estrito.
São doenças distintas, agentes distintos, mas que têm em comum a possibilidade de proteção através da vacinação.

Do ponto de vista social e público atual têm muito mais a ver porque exemplificam bem o contraponto à campanha irresponsável e ignorante que vem sendo feita, a torto e a direito, principalmente pela Internet contra a vacina da gripe. São totais desconhecidos (pessoas, “doutores”, sites, blogs e o diabo a quatro) elevados à condição de “oráculos da verdade” e com posição totalmente contrária à vacinação, com delírios de “teoria da conspiração”, rivalizando com os “blockbusters” do entretenimento, que abundam na televisão e no cinema.

É sabido que nos Estados Unidos existem algumas ONGs que são totalmente contrárias a todos os tipos de vacina, assim como existem outras que são totalmente contrárias a esse ou aquele medicamento, tratamento, cirurgia, alopatia, homeopatia, etc. São fruto do livre pensar e da liberdade de pensamento e expressão que naquele país imperam.

Mas o rigor científico que é exigido na ciência médica no mundo todo não é o mesmo que baliza esse pessoal. Citações sem embasamento, para-ciência. Casos esporádicos transformados em casos generalizados (por exemplo, a reação vacinal com Síndrome de Guillan-Barrè, uma paralisia raríssima, tornando-se uma “complicação tipo 1 caso em cada 3 vacinações” ou até mais absurdo do que isso!).

São opiniões e crenças convertidas em verdades, falsamente alavancadas por dados e depoimentos sem pé, nem cabeça, sem pesquisas sérias, e por aí afora. Ontem recebi um email que dava conta de um depósito de urnas mortuárias para uma mortandade sem precedentes a ser causada pela vacina que podia ser visto pelo Google Earth, tamanha a extensão da funerária ao ar livre… É risível para não dizer outra coisa de baixo calão…

Os ecos desses exageros, maquiados aqui e ali para maior “veracidade”, têm invadido nossos emails e até nossas conversas. É o reino da boataria generalizada.

Presta-se um desserviço à comunidade e engorda-se a ignorância popular.

Nesse sentido as três notícias se encaixam como uma parábola moderna sobre esses fatos.

É muito fácil essa atitude “naturalista” ou “conspiratória”, num mundo de hoje e na sociedade americana que viu praticamente banidas do seu país, doenças com grande cobertura vacinal como a varíola, rubéola, o sarampo, a poliomielite, a meningite meningocócica, tétano, raiva, caxumba, as flaviviroses (febre amarela) e boa parte das hepatites virais (A e B) que quando crônicas (principalmente o tipo B) são a principal etiologia da insuficiência hepática, que alimenta as tristes filas de transplante hepático no mundo todo.

Já no Zimbábue a situação não é a mesma.

Apenas entre 5 e 22 de janeiro desse ano oito crianças morreram de sarampo naquele país. Depois disso foram registrados 1.200 casos com 90 mortes pela referida doença. Em fevereiro na cidade do Cabo, África do Sul foram também registrados 422 casos confirmados de sarampo naquela cidade, com 46 casos extremamente graves, isolados em UTI, em 2 hospitais inteiros também isolados para o problema.

Já foi iniciada uma vacinação em massa, começando nas regiões mais críticas.

O leitor aqui do blog é inteligente e não preciso me alongar.

Quanto à gripe os dados compilados pela OMS apontam a regressão em vários países, onde já passou o pico da transmissão e dos casos novos, mas ainda não se pode generalizar esse conceito ao mundo todo e diminuir o nível de alerta mundial que o órgão manteve.

Aproxima-se a estação fria, de inverno, no hemisfério sul que concentra países mais pobres na faixa que vai do nosso continente sul americano, África e toda a Ásia pobre. Além disso, até o dia 28 de fevereiro de 2010, casos confirmados continuavam a ser reportados em 213 países pelo mundo todo, incluindo no total 16.455 mortes notificadas e documentadas pelo H1N1.

As áreas mais ativas no presente momento são partes do sudeste da Ásia e sudeste da Europa.

Além disso, no mesmo sudeste da Ásia e Mongólia na China começam a aparecer as gripes anuais pelo vírus da influenza B.

A sazonalidade das gripes é bastante conhecida e caminha junto com o sol na geografia mundial. Nascem no leste e avançam para o oeste.

Por essa razão a terceira notícia nos dá conta da recomendação da OMS de incluir na vacina anual da gripe comum para a próxima temporada no hemisfério norte (entre novembro de 2010 e abril de 2011), além da cepa H1N1, as cepas da influenza B e influenza A H3N2.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Novidades da Gripe Suína - chegou a vez do hemisfério norte.

Originalmente postado em 17 de Novembro de 2009

Com a chegada do verão e também com novos acontecimentos, que geram novas notícias, pouco tem se falado sobre a Gripe Suína ou Influenza A aqui pelo hemisfério sul, no Brasil.
Já no hemisfério norte a coisa começa a esquentar com a chegada do outono/inverno.
Nesse final de semana (14/15 de novembro 2009), o Instituto de Saúde americano, algo equivalente ao nosso Ministério da Saúde decretou “estado de emergência nacional” em função do avanço notável dos casos de gripe suína naquele país. A baixa temperatura, que por lá, pode mesmo ser chamada de “baixa” altera hábitos que favorecem os ambientes fechados e também as aglomerações, condições importantes para a disseminação do vírus H1N1, sobretudo nas grandes cidades.


O estado de emergência significa uma alteração significativa no gerenciamento do sistema de saúde que passa a dedicar recursos materiais, físicos e humanos para o atendimento desses pacientes, contigenciando toda a organização do sistema à nova situação. Tamiflu e Relenza continuam na linha de frente do tratamento desses pacientes (respectivamente o fosfato de oseltamivir (via oral) e zanamivir (pó de inalação – diskus/ puff)).

A vacina que começou a ser produzida em meados do ano passado sofreu atrasos e o seu ritmo de produção foi menor que o esperado. Há uma estimativa de que os Estados Unidos disponham de algo em torno de 40 a 45 milhões de doses, o que é pouco em função da população americana. Provavelmente sejam vacinadas as pessoas de maior risco incluindo as grávidas, idosos, pneumopatas, trabalhadores do setor de saúde, etc. Estudos realizados até agora mostram que apenas uma dose da vacina é suficiente para a imunização.
Para aqueles que viajam ao exterior, no hemisfério norte nesse final de ano e férias (o que não é mais tão inusitado ou privilégio de poucos abonados) ficam as recomendações de higiene perfeita das mãos, evitar espirros e tosse sem utilizar um lenço descartável e principalmente durante a permanência em lugares públicos como restaurantes, trens, metrô, ônibus e outros locais de diversão evitar de levar a mão à boca, aos olhos e nariz.
O uso do álcool gel, difundido aqui no Brasil, não tem sido tão disseminado no Norte. Se resolver levar isso na bagagem tome cuidado com as novas regras de segurança que proíbe frascos com materiais potencialmente úteis a qualquer explosivo. Cuidado para não ser deportado como um terrorista com um potencial coquetel Molotov.

Vírus H1N1 & H5N1 & Gripe suína e aviária. Que salada é essa ?


Originalmente postado em 16 de Julho de 2009

Desculpem-se os leitores desse meu pequeno blog, em especial os meu diletos pacientes, mas entre tanta desfaçatez, com as quais somos obrigados a conviver nos dias de hoje no Brasil, algumas, em especial, fazem-me perder a paciência.

O fato primeiro…

Vários países do mundo, muitos do mundo industrializado e portanto com boa dose de seriedade governamental para com suas populações, não habituadas às “marolinhas” em que nós, brasileiros, somos embalados, juntamente com o órgão máximo de saúde da Organização das Nações Unidas, há vários meses, vêm emitindo alertas e mais alertas a respeito de uma epidemia, hoje tornada pandemia, de gripe suína ou, tecnicamente, Influenza A.

No Brasil a coisa é recebida como “uma gripinha de lá de fora”, que não é tão assim importante e “totalmente sob controle”, muito parecida com a “marolinha” econômica criada pelos de “olhos azuis”.

O fato técnico…

O vírus da influenza A, generalizada como gripe suína, face ao papel do porco como hospedeiro inicial do vírus H1N1, alastrou-se por praticamente todo o mundo, vencendo fronteiras e causando uma mortalidade estimada em 4 casos a cada 1000 doentes. Esse H1N1 é mais virulento do que os vírus utilizados nos “coquetéis” anuais que compõem a vacina anti-gripal administrada as pessoas antes do inverno. A vacina anual é gratuitamente na rede pública aos idosos e também em algumas empresas que vacinam todos os seus funcionários. Quem fica de fora por pagar por ela.

O que já é realidade …

A transmissão entre humanos sustentada, sem que haja necessidade de contato com estrangeiros e/ou viajantes que estiveram fora do Brasil já é uma realidade.
Isso, entre os especialistas, já tinha ficado claro quando se emitiu nota de que “os testes do vírurs seriam reservados para os casos mais graves”.

Boa parte dos serviços de saúde está agora contigenciada em atender aos estragos e a acompanhar os casos conforme a gripe se comporte.

O que preocupa quando se tem idéia de que a coisa está sob controle, etc. são as atitudes mais liberais e relapsas dos cidadãos em relação a doença, achando, muitas vezes, que é apenas uma “gripinha” , que vai passar e com isso se retarda a procura dos serviços de saúde.

É tempo precioso que supera a chance de uso do antiviral, eficaz nas primeiras 48 horas. Sim, pois após esse tempo, geralmente, já em estado mais grave, o antiviral Tamiflu (oseltamivir) já não faz mais efeito e o tratamento é dirigido às complicações.

Adicione-se a isso o mês de férias de julho, em que as aulas estiveram providencialmente suspensas, mas que voltarão, juntamente com muitos alunos que viajaram para esse Brasil imenso, para o cone sul e até para outras partes do mundo e a previsão é de um grande aumento do número de casos em agosto.

Notícias recentes do Ministério da Saúde garantem que não vai faltar antiviral e que o estoque de matéria prima de 9 milhões de unidades está sendo encapsulado a todo vapor. Lote esse que foi comprado em 2006, como estoque estratégico para uma epidemia de gripe aviária.

O poder da oração e das rezas…

Nem só de pão vive o homem. No plano espiritual devemos rezar, orar bastante mesmo, para dois fatos biológicos: primeiro que a resistência ao oseltanavir não se generalize e nos surpreenda com a necessidade do seu eventual substituto, o zanamivir, remédio de que não se tem notícia de estoque.

Em segundo lugar devemos rezar para que o vírus, na sua disseminação possa apresentar o fenômeno da atenuação de sua virulência, abrandando os seus efeitos e não ocorra o contrário.

Infelizmente para alguns estudiosos esse contrário, já ocorre em parte e e explica porque essa gripe suína é tão mais forte e diferente do que as comuns.

São dados obtidos num estudo comparativo entre os vírus das gripes “comuns” e a gripe do H1N1, publicado na revista científica Nature, assim resumidos:

1- O H1N1 apresenta uma quantidade semelhante aos seus “primos” quando pesquisadas as secreções do organismo infectado. Mas em 3 dias já atinge muito mais profundamente a estrutura pulmonar do que os demais, matando células não atingidas pelos outros. Na evolução natural, com seis dias, isso se intensifica ainda mais, ao contrário dos demais.

2- O poder de aniquilar animais infectados pelos diferentes vírus, medido como a capacidade de matar 50% dos infectados é dez vezes maior nos casos de gripe suína, considerada a mesma quantidade viral. Ou seja, a carga viral necessária para uma mortalidade de 50% dos infectados (muito parecido com a dose letal – DL 50, quando estudamos medicamentos) é dez vezes menor para o H1N1 do que para os seus “primos” mais comedidos e conhecidos. Parece ainda que o vírus da gripe suína tem uma morbidade muito maior pela sua capacidade de provocar a produção de citocinas (ou citoquinas) do hospedeiro ( a pessoa infectada), destruindo mais rapidamente os pulmões, com necessidade de respiradores artificiais e evolução mais rápida, mesmo em pessoas saudáveis, como o moço do Rio Grande do Sul, primeira vítima brasileira fatal.

3- O paralelo com a ação e virulência do H1N1 só é igual ao verificado com o vírus da “Grande epidemia de 1918” ou “Gripe Espanhola”. Uma pandemia devastadora na época.

Grande esperança...

A grande esperança, anunciada nos últimos dias, foram os testes iniciais de uma companhia na Austrália de uma vacina específica. Esperando que funcione o que teremos, então, é uma corrida contra o relógio e talvez uma utilização apenas para o hemisfério norte que ainda vai passar pelo inverno que , aqui, já terá terminado.

O que ainda pode ser pior….

Há ainda um panorama pior que pode se desenhar.

Não é uma questão de pessimismo, mas uma constatação e um alerta, pelo menos em termos de informação livre e limpa, não contaminada pelos panos quentes dos “marolistas” de plantão.

O H5N1, vírus da influenza aviária (gripe aviária) está contido em alguns países, mas não está eliminado. Ainda paira sobre nossas cabeças como uma ameaça real.

É um vírus mais letal com uma mortalidade estimada maior ou igual a 50% dos que adoecem.

O céu que nos protege...

O que nos protege em termos de gripe aviária é a raridade da transmissão inter-humanos, com poucos casos descritos. O contágio se dá entre as aves e dessas para o homem.

Isso, no entanto, pode ser uma defesa muito tênue se a coexistência do H5N1 e H1N1, que é uma realidade em paises da Ásia e África, forjarem uma mutação com características dos dois vírus num terceiro.

Daí, na realidade, estaremos vivendo, até agora, apenas um preview de algo muito maior e pior, como se fosse um tsunami.

Melhor nem pensar nisso.

===================
Reveja artigo sobre a gripe aviária, nesse blog, de 2008. Nele comentários de remédios alternativos como as estatinas e cloroquina e também sobre vacinas (outra grande esperança). Clique sobre o “H5N1″ ao final desse artigo e veja o da gripe aviária após esse atual.

Vacinas para os adultos e adolescentes.

Originalmente postado em 4 de Setembro de 2008

Se você tem entre os seus conceitos o fato de que tomou todas as vacinas quando era criança e o assunto ficou bem resolvido por aí, está na hora de rever esse conceito.

Os adultos também devem observar alguns cuidados fundamentais para a sua saúde no aspecto da vacinação.

Não apenas em função das viagens para qualquer canto do mundo, que ficaram comuns e acessíveis, trazendo alguns perigos antes não imaginados, mas também para quem tem suas raízes bem firmes no seu ambiente pátrio, na sua cidade.

As várias notícias que alarmaram o país nos últimos dois anos dão conta do relaxamento, em parte, com esse aspecto, embora denunciem um descaso e relaxo com outras medidas sanitárias muito mais graves e de responsabilidade governamental.

Para fazer a sua parte, contudo, aqui vão dicas e o calendário completo que o adulto deve observar para se proteger adequadamente. Juntamente com as dicas vamos, como é nosso costume, aumentar o seu conhecimento com detalhes médicos, esclarecimento de siglas e comentários gerais, o que me dá grande satisfação pessoalmente e, espero, seja uma satisfação compartilhada com os leitores do blog:

BCG IntradérmicaBacilo de Calmette e Guérin é um bacilo atenuado do Mycobacterium bovis que foi inicialmente desenvolvido, no começo do século 20, para a imunização bovina contra a turberculose. Mais tarde essa vacina passou a ser utilizada experimentalmente na forma oral para previnir as infecções tuberculosas graves nas pessoas. Na década de 40 o seu sucesso ficou estabelecido e passou a ser utilizada. A tuberculose é uma infecção de comportamento variado que se apresenta muito mais branda quando existe uma imunidade natural ou induzida pela vacinação, que causa um processo muito menos agressivo, protegendo contra as formas mais graves da tuberculose, que pode acometer não só os pulmões mas também o trato urinário ( rins, bexiga e testículos) o trato intestinal, etc.
A dose da BCG ID deve ser única e pode ser tomada em postos públicos.

Triplice - Sarampo, Rubéola e Caxumba -Dose única. Também disponível nos postos públicos.
Caxumba é o nome popular para parotidite viral. Em alguns lugares do Brasil é conhecida como papeira. A parótida é uma glandula localizada na frente da orelha, desembocando na boca, produzindo parte da nossa saliva, enzimas, etc. Quando existe a caxumba a pessoa fica com a cara inchada do lado, como se tivesse um abscesso dentário. O grande problema da caxumba é que ela pode cursar com orquite ( infecção do testículo) que pode ou não ser percebida - até 30% das orquites por caxumba podem ser assintomáticas. Essa orquite pode compromenter a fertilidade do menino/moço futuramente.
O sarampo é uma doença viral, transmissível, com pápulas e manchas avermelhadas na pele, febre e sintomas catarrais. O contágio pode ser direto com a pele ou por gotículas de saliva, beijo, etc. Crianças pequenas e desnutridas podem cursar com gravidade (bronco-pneumonia e morte).
A rubéola também é uma doença exantemática ( manchas e pápulas de pele avermelhadas pequenas) com acometimento dos linfonodos (gânglios linfáticos do pescoço, cabeça, etc) sua importância maior é com a forma congênita ( feto atingido a partir da mãe) com chance de óbito fetal, parto prematúro e malformações congênitas, envolvendo principalmente malformações oculares, catarata, microftalmia, glaucoma, malformações cardíacas, surdez parcial ou total, retardo mental, malformações dentárias, criptorquidia, etc.

Hepatites A e BVide outros artigos sobre Hepatite, aqui mesmo no blog. Utilize o recurso de busca.
Vacina da hepatite A é tomada em duas doses com intervalo de 6 meses. Não está disponível em postos públicos.
A vacina da hepatite B deve ser feita em 3 doses com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e cinco meses entre a segunda e terceira. Para pessoas até 19 anos ela é encontrada gratuitamente nos postos públicos, para os maiores deve-se procurar os serviços de imunização particulares ( veja recomendações do nosso blog).
Pode-se utilizar a vacina da hepatite A junto com a B ( A+B) seguindo o mesmo esquema da B.
Essa também só em serviços privados de imunização.

Vacina do HPVTrês doses com intevalos de dois meses entre as duas primeiras e a última quatro meses depois da segunda. Não está disponível no serviço público. É realizada em mulheres entre 9 e 29 anos e em moços até 29 anos mediante solicitação médica específica. A liberação da vacinação irrestrita para os homens deve ocorrer em breve.

Influenza (gripe)Vacina anual em dose única. Gratuita para adultos maiores de 60 anos em postos públicos. Demais pessoas em serviços privados de vacinação. Grande quantidade de empresas oferecem a vacinação aos funcionários, incluindo alguns seguros e planos de saúde mais inteligentes.

VaricelaCausada pelo vírus ho herpes zooster (família herpesvírus : herpes simplex, herpes genital, herpes zooster-varicela, vírus Epstein-Barr e citomegalovírus). É uma doença exantemática com pequenas manchas vermelhas que evoluem para papulas e depois vesículas pequenas. As lesões coçam bastante e acometem o tronco, face, cabeça, couro cabeludo e menos nos membros. A febre não é alta. As complicações são raras e mais frequentes em imunossuprimidos. A vacina deve ser aplicada em duas doses a partir dos 13 anos (intervalo de 2 meses) e só está disponível em serviços privados.

Antipneumocócica 23-valente
Dose única. Disponível para maiores de 60 anos no serviço público gratuíto. Para as demais pessoas em serviços privados.

Antimeningocócica C conjugada
Dose única, só em serviços privados.

Febre amarelaDose a cada dez anos. Só no serviço público. Não perder o comprovante que é necessário quando viajar para países que exigem essa vacina dos brasileiros.

Difteria, Tétano e Coqueluche
Recomenda-se uma dose da vacina tripla adulto e uma dose de dupla adulto a cada dez anos.
A vacina dupla do adulto é encontrada nos postos públicos. Já a tríplice não.

Onde tomar suas vacinas com segurança ? Recomendamos:

CEDIPI
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1338 - São Paulo/SP - Fone: (11) 3887-6111 - Fax: (11) 3887-7733

Gripe - da espanhola à gripe aviária.

Originalmente postado em 4 de Julho de 2008

A Comissão Européia (EC), órgão europeu semelhante ao FDA americano, acaba de licenciar a vacina Prepandrix, produzida pela GlaxoSmithKline, ativa contra todas as cepas virais do H5N1, o vírus da gripe aviária, circulantes na Ásia, Europa e Africa.

Praticamente todos os governos responsáveis estão se preparando para uma pandemia desse tipo de gripe.

A vacina é uma das medidas.

A gripe aviária surgiu na Ásia, em função de um contato muito próximo de humanos e aves (galinhas, gansos) e outros animais domésticos criados, não bem no quintal, mas dentro de toda a casa de locais de baixa renda e baixo desenvolvimento social. Já existe uma epidemia inquestionável entre as aves. Várias e radicais têm sido as medidas adotadas para a contenção dessa disseminação, entre as aves criadas em fazendas da Europa e do resto do mundo. Tem sido notícia constante o isolamento de propriedades e a morte e incineração das aves doentes e suspeitas de contaminação.

Os mecanismos de contaminação não são apenas de aves comercializadas, mas também de aves silvestres que têm os ciclos migratórios intercontinentais.

Também já foram notificados vários casos de transmissão para os humanos e alguns casos de transmissão inter-humanos, apesar da reticência de alguns a respeito dessa última forma de disseminação.

Em medicina e saúde pública, historicamente, existem acontecimentos cíclicos em relação as doenças, notadamente as virais.

A última grande pandemia de gripe (epidemia global) foi verificada no começo do século passado entre os anos de 1918 e 1919 e ficou conhecida como “gripe espanhola”. A referência geográfica provavelmente derivou do fato da Espanha, à epoca fora do conflito da Primeira Guerra, ter notificado uma quantidade alarmante de mortes entre civis, causadas pela gripe, em seu território.

A referência específica aos civis foi em decorrencia de que, poucos meses antes, vários casos já tinham sido relatados em tropas francesas, inglesas e americanas, acantonadas em portos franceses, ao final da Primeira Guerra. Esses casos, que compreenderam a primeira das tres grandes ondas da epidemia, foram mais brandos e não deixaram entrever o que viria após, muito mais grave e letal, inclusive em termos de proporção que a coisa toda tomaria. Mesmo assim houve grande número de baixas nos soldados que haviam saído de um conflito armado, dos mais grotescos, chamado de a “Mãe de todas as guerras” e sobre a qual muitos e muitos juraram nunca mais nada igual acontecer…

O destino, no entanto, foi cruel, em primeiro lugar porque aos sobreviventes restou pela frente a pandemia e mais tarde muitos tiveram seus filhos envolvidos em um novo conflito mundial já em gestação, após o Armistício e na desastrosa República de Weimar que se seguiu, na terra dos vencidos.

O fato é que a pandemia da gripe espanhola ceifou a vida de 20 a 40 milhões de pessoas. A imprecisão dos números se deve à epoca e, seguramente, deve ter superado os 40 milhões de vidas porque aí não está contabilizado nenhum óbito do Oriente ( China e restante da Ásia) onde a gripe grassou violentamente, em igual ou maior intensidade.

Supõem-se , inclusive, que tenham sido chineses, recrutados para trabalhar na retaguarda das tropas americanas, que, dirigindo-se à América, introduziram a gripe em setembro .

A taxa de letalidade foi estimada em 8% , com uma grande prevalência de fatalidade entre os jovens e adultos jovens. O vírus implicado, isolado em 1920, foi o vírus causador da gripe suína .

No Brasil foram estimadas 300 mil mortes, notadamente nas áreas urbanas maiores ( Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas , etc). A pandemia não poupou sequer o presidente brasileiro à epoca, Rodrigues Alves, além de várias outras personalidades da sociedade, entre conhecidas, desconhecidas e esquecidas.

Sobre pessoas esquecidas, vale um parêntesis, nesse aspecto, em relação ao Brasil.
Ao contrário de vários outros países somos pródigos em nomear ruas, praças, avenidas e até cidades, homenageando pessoas que depois são esquecidas e / ou a maioria das pessoas sequer nunca ouviu falar ou nunca sequer procurou saber (o que não se sabe pior).

Vítima da gripe espanhola, entre nós, foi também a Sra. Anália Franco, carioca de nascimento (1853) e responsável pela fundação de mais de setenta escolas e mais de duas dúzias de instituições entre asilos, casas maternais, orfanatos e instituições de ensino. Sim, a mesma Anália Franco que empresta o nome a uma grande e próspera região de São Paulo e por último a um grande centro de compras da mesma região ( e não como outro dia ouvi no Hospital das Clínicas de um paciente jovem que atribuia a nossa “Dama da Educação”, a propriedade do referido shopping….)

Coisas de Brasil, para amenizar o artigo. Voltemos aos fatos.

O outro aspecto da possível pandemia de gripe aviária é que provavelmente a vacina não chegue a todos no mundo todo em tempo. Mesmo com essa arma importante, com certeza o quadro vai exigir sérias ações de planejamento e estratégia por parte das autoridades sanitárias e dos governos como um todo, pois as legiões de doentes vão exigir uma resposta adequada, muito diferente do que as pobres populações do século XX tinham a seu dispor e por clamar.

Questiona-se nos meios científicos a grande quantidade de medicamentos antivirais que seriam necessários. Existem notícias de grandes encomendas de alguns deles por alguns paises mais ricos. É fato patente, todavia, a falta de capacidade para o atendimento de, numa situação hipotética, todos resolverem fazer estoques massivos. Entre os cientístas da área existe uma polêmica sobre a eficácia de agentes antivirais genéricos, como alternativas, que possam atuar na imunidade de quem vier a ser acometido pela doença. Muitos cientístas torcem o nariz para isso, mas o fato é que estão em curso inúmeros estudos sérios avaliando isso.

Um artigo muito interessante saiu no último número da publicação científica The Lancet ( versão de Infectologia).

As estatinas, por exemplo, parecem melhorar a recuperação de pacientes com pneumonia e bacteremia e, teoricamente, teriam o mesmo efeito na influenza ( o nome técnico da gripe e dos virús associados) . Sim, você já ouviu falar de estatinas. São os medicamentos utilizados para a diminuição do colesterol no sangue ( aquele teimoso, que não baixa apesar da dieta e do exercício) . Alguns desses agentes já mostraram a sua utilidade e efeito positivo em ratos infectados com o vírus H2N2.

A cloroquina, um agente antimalárico, também parece ter efeito benéfico no bloqueio do vírus da influenza, por alterações no pH de algumas membranas plasmáticas (endossoma) liberando o vírus em meio inóspito.

Qual a grande vantagem desses medicamentos ?

São remédios baratos, produzidos genericamente por diversos países, inclusive os “em desenvolvimento” e poderão estar disponíveis em grande quantidades tão logo se delineie um quadro epidemiológico mais sério e de grandes proporções.

Como se vê, existem várias alternativas e caminhos que formam um conjunto de ações que podem ser tomadas para, senão prevenir em larga escala, pelo menos enfrentar um risco iminente de saúde pública, como não se vê há um século.

Basta querer, política e financeiramente.