Originalmente postado em 4 de Setembro de 2008
Se você tem entre os seus conceitos o fato de que tomou todas as vacinas quando era criança e o assunto ficou bem resolvido por aí, está na hora de rever esse conceito.
Os adultos também devem observar alguns cuidados fundamentais para a sua saúde no aspecto da vacinação.
Não apenas em função das viagens para qualquer canto do mundo, que ficaram comuns e acessíveis, trazendo alguns perigos antes não imaginados, mas também para quem tem suas raízes bem firmes no seu ambiente pátrio, na sua cidade.
As várias notícias que alarmaram o país nos últimos dois anos dão conta do relaxamento, em parte, com esse aspecto, embora denunciem um descaso e relaxo com outras medidas sanitárias muito mais graves e de responsabilidade governamental.
Para fazer a sua parte, contudo, aqui vão dicas e o calendário completo que o adulto deve observar para se proteger adequadamente. Juntamente com as dicas vamos, como é nosso costume, aumentar o seu conhecimento com detalhes médicos, esclarecimento de siglas e comentários gerais, o que me dá grande satisfação pessoalmente e, espero, seja uma satisfação compartilhada com os leitores do blog:
BCG IntradérmicaBacilo de Calmette e Guérin é um bacilo atenuado do Mycobacterium bovis que foi inicialmente desenvolvido, no começo do século 20, para a imunização bovina contra a turberculose. Mais tarde essa vacina passou a ser utilizada experimentalmente na forma oral para previnir as infecções tuberculosas graves nas pessoas. Na década de 40 o seu sucesso ficou estabelecido e passou a ser utilizada. A tuberculose é uma infecção de comportamento variado que se apresenta muito mais branda quando existe uma imunidade natural ou induzida pela vacinação, que causa um processo muito menos agressivo, protegendo contra as formas mais graves da tuberculose, que pode acometer não só os pulmões mas também o trato urinário ( rins, bexiga e testículos) o trato intestinal, etc.
A dose da BCG ID deve ser única e pode ser tomada em postos públicos.
Triplice - Sarampo, Rubéola e Caxumba -Dose única. Também disponível nos postos públicos.
Caxumba é o nome popular para parotidite viral. Em alguns lugares do Brasil é conhecida como papeira. A parótida é uma glandula localizada na frente da orelha, desembocando na boca, produzindo parte da nossa saliva, enzimas, etc. Quando existe a caxumba a pessoa fica com a cara inchada do lado, como se tivesse um abscesso dentário. O grande problema da caxumba é que ela pode cursar com orquite ( infecção do testículo) que pode ou não ser percebida - até 30% das orquites por caxumba podem ser assintomáticas. Essa orquite pode compromenter a fertilidade do menino/moço futuramente.
O sarampo é uma doença viral, transmissível, com pápulas e manchas avermelhadas na pele, febre e sintomas catarrais. O contágio pode ser direto com a pele ou por gotículas de saliva, beijo, etc. Crianças pequenas e desnutridas podem cursar com gravidade (bronco-pneumonia e morte).
A rubéola também é uma doença exantemática ( manchas e pápulas de pele avermelhadas pequenas) com acometimento dos linfonodos (gânglios linfáticos do pescoço, cabeça, etc) sua importância maior é com a forma congênita ( feto atingido a partir da mãe) com chance de óbito fetal, parto prematúro e malformações congênitas, envolvendo principalmente malformações oculares, catarata, microftalmia, glaucoma, malformações cardíacas, surdez parcial ou total, retardo mental, malformações dentárias, criptorquidia, etc.
Hepatites A e BVide outros artigos sobre Hepatite, aqui mesmo no blog. Utilize o recurso de busca.
Vacina da hepatite A é tomada em duas doses com intervalo de 6 meses. Não está disponível em postos públicos.
A vacina da hepatite B deve ser feita em 3 doses com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e cinco meses entre a segunda e terceira. Para pessoas até 19 anos ela é encontrada gratuitamente nos postos públicos, para os maiores deve-se procurar os serviços de imunização particulares ( veja recomendações do nosso blog).
Pode-se utilizar a vacina da hepatite A junto com a B ( A+B) seguindo o mesmo esquema da B.
Essa também só em serviços privados de imunização.
Vacina do HPVTrês doses com intevalos de dois meses entre as duas primeiras e a última quatro meses depois da segunda. Não está disponível no serviço público. É realizada em mulheres entre 9 e 29 anos e em moços até 29 anos mediante solicitação médica específica. A liberação da vacinação irrestrita para os homens deve ocorrer em breve.
Influenza (gripe)Vacina anual em dose única. Gratuita para adultos maiores de 60 anos em postos públicos. Demais pessoas em serviços privados de vacinação. Grande quantidade de empresas oferecem a vacinação aos funcionários, incluindo alguns seguros e planos de saúde mais inteligentes.
VaricelaCausada pelo vírus ho herpes zooster (família herpesvírus : herpes simplex, herpes genital, herpes zooster-varicela, vírus Epstein-Barr e citomegalovírus). É uma doença exantemática com pequenas manchas vermelhas que evoluem para papulas e depois vesículas pequenas. As lesões coçam bastante e acometem o tronco, face, cabeça, couro cabeludo e menos nos membros. A febre não é alta. As complicações são raras e mais frequentes em imunossuprimidos. A vacina deve ser aplicada em duas doses a partir dos 13 anos (intervalo de 2 meses) e só está disponível em serviços privados.
Antipneumocócica 23-valente
Dose única. Disponível para maiores de 60 anos no serviço público gratuíto. Para as demais pessoas em serviços privados.
Antimeningocócica C conjugada
Dose única, só em serviços privados.
Febre amarelaDose a cada dez anos. Só no serviço público. Não perder o comprovante que é necessário quando viajar para países que exigem essa vacina dos brasileiros.
Difteria, Tétano e Coqueluche
Recomenda-se uma dose da vacina tripla adulto e uma dose de dupla adulto a cada dez anos.
A vacina dupla do adulto é encontrada nos postos públicos. Já a tríplice não.
Onde tomar suas vacinas com segurança ? Recomendamos:
CEDIPI
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1338 - São Paulo/SP - Fone: (11) 3887-6111 - Fax: (11) 3887-7733
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Doenças que voltam
Nos últimos anos temos presenciado alguns fatos realmente interessantes, senão trágicos, em relação a algumas doenças relacionadas à esfera da saúde pública .
São doenças que têm voltado à cena.
Nos últimos dias recebemos várias notícias de “surtos” de Doença de Chagas (Tripanossomíase , do Tripanosoma cruzii) por transmissão oral, diferentemente da transmissão pela picada do “barbeiro” um besouro ( Triatomídeo) que ocorria nas zonas endêmicas da doença, em casas com frestas nas paredes e teto, onde o “barbeiro” se acomodava e costumava picar os moradores a noite. No local dessa picada o Triatoma, hematófago, sugava o sangue e, ato contínuo, defecava, sendo as suas fezes contaminadas pelo Tripanossoma ( cruzii de Oswaldo Cruz, que o descreveu), contaminando a pessoa, que as vezes ainda dormindo coçava o local e completava a inoculação do parasita. A doença de Chagas na sua forma crônica apresenta-se em duas formas principais: a Cardiopatia Chagásica, com destruição das fibras cardíacas levando a cardiomegalia e arritmias importantes, que via de regra ocasionam uma insuficiência cardíaca de evolução inexorável, senão controlável apenas; e a forma digestiva com o desenvolvimento de destruição de fibras musculares e nervosas de órgãos como o esôfago e cólon (instestino) originando o que se chama em Medicina como mega-cólon chagásico e o mega-esôfago chagásico.
A fase aguda é passivel de tratamento, mas pode se apresentar com forma de evolução muito grave, rápida e até com morte .
Durante muitos anos a Doença de Chagas vitimou muitos brasileiros, tornando-os pessoas marcadas por triste história de incapacidades.
O exame de sangue que detecta a Doença de Chagas passou a ser obrigatório para os doadores de sangue, pela possibilidade de transmissão transfusional. Um trabalho incansável de Saúde Pública foi sendo desenvolvido para controlar essas endemias.
As casas foram borrifadas com inseticidas para combater o vetor dentro das moradias. Também foram orientadas várias gerações sobre a importância de fechar as frestas nas construções, melhorando inclusive o padrão dessas moradias precárias.
Estabeleceu-se um controle da endemia . Principalmente por educação da população.
Com que tristeza, nós profissionais da saúde, vemos a volta dessas doenças, agora por falta de higiene no manuseio desses alimentos em que os besouros podem ser triturados juntos no seu preparo, ou existe a contaminação pelas suas fezes. Foi um surto de grande repercussão no litoral catarinense em 2005 e agora esses focos no Pará, Amazonas e estados do nordeste. Implicados estão o açaí e a cana de açúcar. O primeiro “batido”, como lá se diz, a segunda moída em pequenos engenhos, para a obtenção da garapa ou suco de cana. Estima-se que os frutos não sejam lavados adequadamente, assim como as máquinas não o sejam. Admite-se ainda que nesses locais, as vezes pequenas barracas, a luz elétrica atraia os triatomas ( que se contam em mais de 30 espécies nativas existentes na Amazônia um grande reservatório natural do Tripanossoma) e estes caiam nos aparelhos para o preparo do açaí e da cana, contaminando o alimento .
Culpar o desmatamento , o meio ambiente que muda, ou o aquecimento global é muito fácil, senão simplista. É uma forma de a sociedade e os órgãos governamentais responsáveis se eximirem da educação em saúde que deixou de existir por todo o país, ou foi descaradamente relaxada. Idem para a febre amarela, idem para a malária, dengue.
Idem para a tuberculose que ainda não ganhou as manchetes …
Talvez falte jornal para o tamanho do problema representado pela tuberculose hoje em dia ! Uma fatura em aberto, sem data para ser cobrada da sociedade, pelo seu caráter sorrateiro e silencioso.
Idem , finalmente para a própria AIDS que voltou a crescer entre as camadas mais jovens.
Não há mistério. Achar que as campanhas que foram realizadas foram um sucesso não é um erro. Mas as gerações continuaram a sua evolução. Essa gente que está chegando não está sendo atingida por campanhas que deveriam ser perenes, sob pena de se invalidar um trabalho de várias décadas, e, no caso das demais doenças de alguns séculos.
Oswaldo Cruz e outros eminentes Sanitaristas devem estar se revirando em seus túmulos !
Originalmente postado em 28 de Abril de 2008.
São doenças que têm voltado à cena.
Nos últimos dias recebemos várias notícias de “surtos” de Doença de Chagas (Tripanossomíase , do Tripanosoma cruzii) por transmissão oral, diferentemente da transmissão pela picada do “barbeiro” um besouro ( Triatomídeo) que ocorria nas zonas endêmicas da doença, em casas com frestas nas paredes e teto, onde o “barbeiro” se acomodava e costumava picar os moradores a noite. No local dessa picada o Triatoma, hematófago, sugava o sangue e, ato contínuo, defecava, sendo as suas fezes contaminadas pelo Tripanossoma ( cruzii de Oswaldo Cruz, que o descreveu), contaminando a pessoa, que as vezes ainda dormindo coçava o local e completava a inoculação do parasita. A doença de Chagas na sua forma crônica apresenta-se em duas formas principais: a Cardiopatia Chagásica, com destruição das fibras cardíacas levando a cardiomegalia e arritmias importantes, que via de regra ocasionam uma insuficiência cardíaca de evolução inexorável, senão controlável apenas; e a forma digestiva com o desenvolvimento de destruição de fibras musculares e nervosas de órgãos como o esôfago e cólon (instestino) originando o que se chama em Medicina como mega-cólon chagásico e o mega-esôfago chagásico.
A fase aguda é passivel de tratamento, mas pode se apresentar com forma de evolução muito grave, rápida e até com morte .
Durante muitos anos a Doença de Chagas vitimou muitos brasileiros, tornando-os pessoas marcadas por triste história de incapacidades.
O exame de sangue que detecta a Doença de Chagas passou a ser obrigatório para os doadores de sangue, pela possibilidade de transmissão transfusional. Um trabalho incansável de Saúde Pública foi sendo desenvolvido para controlar essas endemias.
As casas foram borrifadas com inseticidas para combater o vetor dentro das moradias. Também foram orientadas várias gerações sobre a importância de fechar as frestas nas construções, melhorando inclusive o padrão dessas moradias precárias.
Estabeleceu-se um controle da endemia . Principalmente por educação da população.
Com que tristeza, nós profissionais da saúde, vemos a volta dessas doenças, agora por falta de higiene no manuseio desses alimentos em que os besouros podem ser triturados juntos no seu preparo, ou existe a contaminação pelas suas fezes. Foi um surto de grande repercussão no litoral catarinense em 2005 e agora esses focos no Pará, Amazonas e estados do nordeste. Implicados estão o açaí e a cana de açúcar. O primeiro “batido”, como lá se diz, a segunda moída em pequenos engenhos, para a obtenção da garapa ou suco de cana. Estima-se que os frutos não sejam lavados adequadamente, assim como as máquinas não o sejam. Admite-se ainda que nesses locais, as vezes pequenas barracas, a luz elétrica atraia os triatomas ( que se contam em mais de 30 espécies nativas existentes na Amazônia um grande reservatório natural do Tripanossoma) e estes caiam nos aparelhos para o preparo do açaí e da cana, contaminando o alimento .
Culpar o desmatamento , o meio ambiente que muda, ou o aquecimento global é muito fácil, senão simplista. É uma forma de a sociedade e os órgãos governamentais responsáveis se eximirem da educação em saúde que deixou de existir por todo o país, ou foi descaradamente relaxada. Idem para a febre amarela, idem para a malária, dengue.
Idem para a tuberculose que ainda não ganhou as manchetes …
Talvez falte jornal para o tamanho do problema representado pela tuberculose hoje em dia ! Uma fatura em aberto, sem data para ser cobrada da sociedade, pelo seu caráter sorrateiro e silencioso.
Idem , finalmente para a própria AIDS que voltou a crescer entre as camadas mais jovens.
Não há mistério. Achar que as campanhas que foram realizadas foram um sucesso não é um erro. Mas as gerações continuaram a sua evolução. Essa gente que está chegando não está sendo atingida por campanhas que deveriam ser perenes, sob pena de se invalidar um trabalho de várias décadas, e, no caso das demais doenças de alguns séculos.
Oswaldo Cruz e outros eminentes Sanitaristas devem estar se revirando em seus túmulos !
Originalmente postado em 28 de Abril de 2008.
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