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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ausência e atividades

Os leitores com certeza perceberam uma "pausa" aqui no blog.
Não foi sem propósito.
Com muito trabalho e as últimas revisões já está publicado nosso segundo livro sobre "Lesões Genitais Masculinas", em inglês "Male Genital Lesions - The urologic perspective" com quase 500 páginas e ao redor de 700 fotos coloridas sobre praticamente tudo o que pode afetar os genitais masculinos.
O livro, que é o segundo depois do inicial sobre HPV no homem, também foi publicado pela Editora Springer da Alemanha , Heidelberg-Berlin. Estava previsto para setembro, mas estará disponível antes.
Se o leitor tiver um tempinho dê uma olhada no link abaixo
http://www.springer.com/medicine/urology/book/978-3-642-29016-9




Outras atividades foram algumas aulas sobre Cistite Recorrente na Mulher e os novos tratamentos existentes. As aulas foram em algumas cidades e centros universitários do interior paulista, envolvendo ginecologistas e urologistas.

A cistite de repetição, um tipo muito comum de infecção urinária, atinge mais as  mulheres, notadamente entre os 20 e 55 anos, e pode ser prevenida com um programa que inclui diversas medidas e investigações.
De longe a infecção urinária é o tipo mais comum de infecção na raça humana e em termos de saúde pública responde por 6% de todas as consultas médicas em geral na população. O uso indiscriminado de antibióticos e uso incorreto colocaram o Brasil numa situação sui generis em relação ao resto do mundo, com níveis alarmantes de resistência bacteriana a agentes muito potentes como o ciprofloxacino. No resto do mundo a sensibilidade a esse medicamento ultrapassa os 95%. No Brasil os últimos dados do Hospital das Clínicas mostram uma sensibilidade abaixo de 70%.  Esse foi um dos fatores que motivaram a intervenção da ANVISA no sentido de controlar a venda de antibióticos mediante receita médica retida, validade de 10 dias e quantidade limitada.

A respeito da Cistite Recorrente ou de repetição, a TV Saúde Brasil fez um clipe conosco, durante o último congresso paulista de Ginecologia da SOGESP, confira abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=4PdT5jXknFI

Até a próxima!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Infecção Urinária - o que você deve saber.

Originalmente postado em 25 de Agosto de 2008

A infecção urinária é o tipo mais comum de infecção na prática médica.
Estima-se que todas as mulheres, pelo menos uma vez na vida, terão ao menos um episódio de infecção urinária. Os homens terão uma chance menor. Essa diferença se explica pela anatomia do canal da urina (uretra) de ambos: a da mulher é muito mais curta ( 3 a 4 cm).

Sintomas : dor ao urinar, queimação no canal da urina, ardência. Dificuldade para iniciar o jato urinário. Desejo insuportável de urinar, geralmente com pequena quantidade e em espaços de tempo muito curtos. Urina com mau cheiro e até com um pouco de sangue no final.

Geralmente não há febre ( o que junto com calafrios pode indicar uma infecção urinária mais grave, que pode até atingir o rim).

Na pessoa idosa e na criança muito nova os sintomas podem não existir ou ser muito fracos. Também é comum que o idoso apresente dor em todo o abdomen além de náuseas e vômitos.

Na infecção urinária, bactérias presentes na nossa região genital conseguem subir pelo canal da urina e, dentro da bexiga, penentrar na mucosa, causando inflamação e infecção, com sua multiplicação.

Geralmente nossa urina que é estéril (sem bactérias) passa a exibir microscópicamente grande quantidade desses microorganismos.

A infecção urinária não se transmite sexualmente, por mais grave que seja.

O tratamento da infecção urinária deve ser precedido de um diagnóstico correto. Nem sempre é necessário um exame específico de laboratório. As vezes, ao contrário, ele é imprescindível. Quem sabe avaliar quando é ou não necessário é o seu médico.

Em determinadas situações o tratamento é iniciado de imediato, pois os germes envolvidos são relativamente poucos e têm uma sensibilidade bem conhecida aos medicamentos apropriados. Além disso, os bons resultados ( cura ) costumam ser a regra.

Situações que comprometem a saúde da pessoa em outras esferas podem funcionar com fatores complicadores da infecção urinária levando à necessidade de maiores cuidados.

A infecção urinária pode ser prevenida desde cedo:

- nas mulheres são imperativos alguns comportamentos valiosos e simples : não prender a urina por muito tempo; fazer a higiende dos genitais sempre da frente para trás; urinar após as relações sexuais; evitar o uso de absorventes internos desnecessariamente; evitar o uso de talcos, desodorantes íntimos, duchas, etc. que podem irritar a uretra ou mesmo injetar fluídos contaminados no interior da bexiga.

- nos homens a higiene após o coito também é valiosa, bem como a higiene na parte interna do prepúcio e glande, limpando o produto de descamação da mucosa e das glândulas ( esmegma), lavando com água e sabonete o local pelo menos uma vez ao dia.

Em ambos os sexos é fundamental beber muito líquido para manter uma produção abundante de urina clara .

O uso de diafragma, como método anticoncepcional, está associado a uma maior incidência de infecção urinária nas mulheres sexualmente ativas. O uso da pílula e do preservativo não oferecem esse risco.

Outros fatores gerais que facilitam a infecção urinária são problemas obstrutivos como a próstata que cresce no homem depois dos 40 anos e que em alguns deles (20% aproximadamente) pode interferir diminuindo o fluxo da urina. Além disso , nos dois sexos, o diabetes facilita muito as infecções urinárias. Além disso, também outras doenças do sistema imune (HIV, câncer, quimioterapia, uso de corticóides por períodos prolongados, etc.) podem aumentar o risco de infecção urinária.

As infecções urinárias, embora sejam consideradas simples e possam ser facilmente tratadas, podem apresentar complicações, como a sua extensão para os rins (pielonefrite) ou mesmo septicemia ( infecção generalizada pelo organismo. Nas mulheres grávidas uma das preocupações mais importantes e constantes durante o pré-natal é o diagnóstico e tratamento eficaz de infecções urinárias que podem favorecer o parto prematuro e o baixo peso do nenem.

Não se auto-medique, nem use o remédio “da amiga”, por mais simples e igual que o seu quadro possa parecer, uma boa orientação e um diagnóstico individual é insubstituível e pode poupar complicações desnecessárias.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cistite de repetição na mulher

Um problema relativamente freqüente que atormenta as mulheres é a infecção urinária de repetição ou cistite de repetição.
A infecção urinária toma diferentes nomes de acordo com a extensão do trato urinário que é acometido. Cistite é a infecção urinária que se restringe à bexiga. Na imensa maioria ela fica restrita a bexiga e uretra originando sintomas dolorosos principalmente a queimação e dor ao urinar, micções freqüentes e até com pequeno sangramento no final da micção. Geralmente há dor no baixo ventre (no “pé da barriga”), mas não há febre, não há dor nas costas (dor lombar) e nem comprometimento do estado geral da pessoa.
Já quando a infecção sobe até o rim, geralmente um deles, falamos em pielonefrite. Nesse caso a infecção sobe pelo ureter (canal que liga a bexiga ao rim) e acomete a via coletora (o sistema de túbulos que coletam a urina filtrada) e o próprio parênquima renal (o tecido próprio do rim). Na pielonefrite há dor lombar, febre, mal estar, comprometimento importante do estado geral que pode até motivar internação para tratamento com medicamentos por via venosa.  Pielonefrites se não tratadas podem evoluir para septicemia, uma infecção generalizada pelo organismo que pode levar à morte.
Felizmente mais de 95% das cistites, mesmo as que se repetem, ficam totalmente restritas à parte baixa do trato urinário. No entanto, são bastante debilitantes no aspecto pessoal e profissional da mulher, uma vez que são muito incômodas e estressantes.
A cistite de repetição na grande maioria das vezes reflete apenas um desequilíbrio entre as bactérias que colonizam a região vaginal e a sua possibilidade de atingir a bexiga e aderir à mucosa vesical (a parede interna da bexiga). A atividade sexual é um facilitador desse processo e, via de regra,  está quase sempre envolvida no mecanismo que a desencadeia.  Geralmente, além do tratamento da fase aguda devemos instituir uma profilaxia  prolongada para evitar novos surtos.
Recentemente no Brasil  passamos a contar também com imuno-profiláticos que auxiliam muito a prevenção de novas cistites através da melhora do próprio sistema imune da paciente.
Se você sofre com  cistites de repetição vale a pena uma visita ao seu urologista