Originalmente postado em 27 de Abril de 2011
Várias evidência científicas têm apontado para um provável sinergismo no tratamento de dois problemas urológicos muito comuns, a disfunção erétil e os sintomas irritativos do trato urinário baixo, geralmente causados, em grande parte, pelo crescimento benigno da próstata.
Os inibidores da PDE, uma enzina que faz reverter a vasodilatação do pênis durante a ereção, fazendo com que a mesma acabe, parecem ter um efeito benéfico nos sintomas irritativos do trato urinário baixo.
No mecanismo de ação envolvido parece estar o aumento do fluxo sanguíneo para os dois locais, causado e prolongado pelos medicamentos até aqui utilizados para tratar a disfunção erétil , ou melhorar os “motores mais cansados”. Como aquela propaganda de um determinado óleo, parecido com Pardal….
O fato é que um dos grande fabricantes dos medicamentos citados lançou, já há algum tempo nos Estados Unidos, e agora também no Brasil, uma versão de uso diário, com dose bem menor, com o intuito de atingir dois objetivos :
Primeiro - não ficar refém dos 40 minutos do “será que é agora?” , “será que é hoje?”, “será que na hora H, não vai ter aquela dor de cabeça?” Teoricamente e pelas constatações iniciais, obtém-se um stand by permantente. Verdade? A conferir…
Segundo - com o uso contínuo, os sintomas irritativos podem melhorar bastante.
Também a conferir.
Veja artigo no nosso site, um pouco mais extenso e educativo, www.drhomeroguidi.com.br
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Dor no testículo
Originalmente postado em 6 de Janeiro de 2010
Uma queixa muito frequente que motiva procurar o urologista é a dor em um dos testículos e mais raramente nos dois.
Dores muito agudas e fortes devem ser imediatamente verificadas. O pior quadro que pode ocorrer nesses casos é a torção do cordão que liga e suspende o testículo dentro da bolsa escrotal. Nesse cordão existem vários elementos como artéria, veias e o conduto deferente por onde passam os espermatozóides. A torção desse conjunto de tubos faz com que o suprimento de sangue arterial, que chega ao testículo, diminua muito ou mesmo cesse. A falta de irrigação de um órgão leva à morte daquela área sem sangue. Isso é genericamente denominado de infarto. O termo infarto, portanto, não é uma coisa exclusiva do coração. No caso da torção de testículo temos como conseqüência um infarto testicular. Como o tecido é muito nobre a falta de oxigênio leva à necrose dos tecidos. Isso evolui com o comprometimento do tecido responsável pela produção dos espermatozóides e depois das células que produzem o hormônio masculino, a testosterona. A maior parte dos pacientes que têm a infelicidade de sofrer uma torção testicular é constituída de crianças, adolescentes e adultos jovens, quando a função reprodutiva ainda precisa ser protegida e é muito importante na vida desses indivíduos. Geralmente existe um fator predisponente do ponto de vista anatômico.
Em linhas gerais esse defeito relaciona-se com a conexão do cordão ao testículo e epidídimo. Numa pessoa normal essa inserção é em toda a porção póstero lateral do testículo em seu maior eixo (imagine uma azeitona preta grande, como se estivesse em pé e com esse cordão ligado de cima abaixo na sua face posterior. As chances de esse cordão rodar e torcer são mínimas. Já nas pessoas predispostas a inserção desse cordão é feita no topo do testículo, como imagem clássica de um badalo de sino. Nessa situação o movimento circular é fácil e pode torcer o cordão. O atendimento dentro das primeiras 6 ou 8 horas garante a recuperação praticamente total desse testículo, sem morte de tecidos. Atendimentos fora desse prazo são acompanhados de comprometimento do órgão. O tratamento da torção é cirúrgico. Rarissimamente se consegue desfazer manualmente a torção. Geralmente o edema local e a dor inviabilizam essa manobra.
Mas, felizmente, a grande maioria das dores testiculares não são tão graves assim.
A dor testicular pode ser sinal de inflamação/infecção no testículo (orquite), no epidídimo (epididimite) ou nos dois (orquiepididimite). Pode ainda refletir um problema da parede abdominal (hérnia inguinal ou inguino-escrotal) e até como dor reflexa de cálculos renais.
Raramente existe a possibilidade de ser uma dor de origem músculo-esquelética, geralmente envolvendo os adutores da coxa e ligamento da região perineal. Esse tipo de diagnóstico é o que chamamos em Medicina como “diagnóstico de exclusão”. Há a necessidade de eliminar todas as demais possibilidades antes de se firmar esse tipo de diagnóstico. O tratamento das condições inflamatórias é clínico e tem vários detalhes caso a caso.
Para os mais hipocondríacos que podem logo pensar em câncer de testículo fica um alívio na informação de que na grande maioria das vezes ele não se acompanha de dor. O sinal principal é a presença de um nódulo (um caroço) indolor, endurecido, de fácil palpação durante o banho e no exame físico do testículo. A dor, quando presente no tumor pode aparecer na evolução de tumores de crescimento mais rápido em que podem ocorrer pequenos infartos no tecido tumoral (dentro do próprio nódulo canceroso). O tratamento dos tumores de testículo atualmente é um dos mais promissores em que podemos falar de cura total. A retirada do testículo contendo o nódulo canceroso é o pilar do tratamento. A quimioterapia complementar é muito eficaz.
A perda de um testículo não representa uma ameaça à função sexual e reprodutiva. O testículo remanescente, desde que normal anteriormente, mantém as duas funções, inclusive com um aumento de seu tamanho (o que em Medicina é chamado de vicariância do órgão – ocorre também em rins que se tornam únicos, por exemplo). No entanto, uma atenção especial deve ser dada à preservação da função reprodutiva quando houver indicação de quimioterapia. Hoje em dia antes de sua realização pode-se lançar mão da coleta de amostras para congelação em banco de sêmen, antes do tratamento. Algumas vezes, meses após o término da quimioterapia pode haver o restabelecimento da função reprodutiva do testículo que restou. O contrário também pode acontecer. Daí a importância do banco de sêmen nesses casos.
Outra situação que deve ser conhecida é o efeito contralateral de situações infecciosas e mesmo a atrofia de um dos testículos. Trocando em miúdo podemos ter um quadro inflamatório/infeccioso de um lado, com o testículo evoluindo para uma atrofia e, nessa situação, influenciar negativamente a função do outro testículo que não apresentava nada no início.
A atrofia do testículo manifesta-se pela diminuição do seu volume. Em condições normais pode existir uma pequena diferença volumétrica entre um testículo e outro no mesmo indivíduo. Isso em geral não ultrapassa uma porcentagem de 15 a 20%. Discrepâncias maiores devem ser investigadas.
Uma queixa muito frequente que motiva procurar o urologista é a dor em um dos testículos e mais raramente nos dois.
Dores muito agudas e fortes devem ser imediatamente verificadas. O pior quadro que pode ocorrer nesses casos é a torção do cordão que liga e suspende o testículo dentro da bolsa escrotal. Nesse cordão existem vários elementos como artéria, veias e o conduto deferente por onde passam os espermatozóides. A torção desse conjunto de tubos faz com que o suprimento de sangue arterial, que chega ao testículo, diminua muito ou mesmo cesse. A falta de irrigação de um órgão leva à morte daquela área sem sangue. Isso é genericamente denominado de infarto. O termo infarto, portanto, não é uma coisa exclusiva do coração. No caso da torção de testículo temos como conseqüência um infarto testicular. Como o tecido é muito nobre a falta de oxigênio leva à necrose dos tecidos. Isso evolui com o comprometimento do tecido responsável pela produção dos espermatozóides e depois das células que produzem o hormônio masculino, a testosterona. A maior parte dos pacientes que têm a infelicidade de sofrer uma torção testicular é constituída de crianças, adolescentes e adultos jovens, quando a função reprodutiva ainda precisa ser protegida e é muito importante na vida desses indivíduos. Geralmente existe um fator predisponente do ponto de vista anatômico.
Em linhas gerais esse defeito relaciona-se com a conexão do cordão ao testículo e epidídimo. Numa pessoa normal essa inserção é em toda a porção póstero lateral do testículo em seu maior eixo (imagine uma azeitona preta grande, como se estivesse em pé e com esse cordão ligado de cima abaixo na sua face posterior. As chances de esse cordão rodar e torcer são mínimas. Já nas pessoas predispostas a inserção desse cordão é feita no topo do testículo, como imagem clássica de um badalo de sino. Nessa situação o movimento circular é fácil e pode torcer o cordão. O atendimento dentro das primeiras 6 ou 8 horas garante a recuperação praticamente total desse testículo, sem morte de tecidos. Atendimentos fora desse prazo são acompanhados de comprometimento do órgão. O tratamento da torção é cirúrgico. Rarissimamente se consegue desfazer manualmente a torção. Geralmente o edema local e a dor inviabilizam essa manobra.
Mas, felizmente, a grande maioria das dores testiculares não são tão graves assim.
A dor testicular pode ser sinal de inflamação/infecção no testículo (orquite), no epidídimo (epididimite) ou nos dois (orquiepididimite). Pode ainda refletir um problema da parede abdominal (hérnia inguinal ou inguino-escrotal) e até como dor reflexa de cálculos renais.
Raramente existe a possibilidade de ser uma dor de origem músculo-esquelética, geralmente envolvendo os adutores da coxa e ligamento da região perineal. Esse tipo de diagnóstico é o que chamamos em Medicina como “diagnóstico de exclusão”. Há a necessidade de eliminar todas as demais possibilidades antes de se firmar esse tipo de diagnóstico. O tratamento das condições inflamatórias é clínico e tem vários detalhes caso a caso.
Para os mais hipocondríacos que podem logo pensar em câncer de testículo fica um alívio na informação de que na grande maioria das vezes ele não se acompanha de dor. O sinal principal é a presença de um nódulo (um caroço) indolor, endurecido, de fácil palpação durante o banho e no exame físico do testículo. A dor, quando presente no tumor pode aparecer na evolução de tumores de crescimento mais rápido em que podem ocorrer pequenos infartos no tecido tumoral (dentro do próprio nódulo canceroso). O tratamento dos tumores de testículo atualmente é um dos mais promissores em que podemos falar de cura total. A retirada do testículo contendo o nódulo canceroso é o pilar do tratamento. A quimioterapia complementar é muito eficaz.
A perda de um testículo não representa uma ameaça à função sexual e reprodutiva. O testículo remanescente, desde que normal anteriormente, mantém as duas funções, inclusive com um aumento de seu tamanho (o que em Medicina é chamado de vicariância do órgão – ocorre também em rins que se tornam únicos, por exemplo). No entanto, uma atenção especial deve ser dada à preservação da função reprodutiva quando houver indicação de quimioterapia. Hoje em dia antes de sua realização pode-se lançar mão da coleta de amostras para congelação em banco de sêmen, antes do tratamento. Algumas vezes, meses após o término da quimioterapia pode haver o restabelecimento da função reprodutiva do testículo que restou. O contrário também pode acontecer. Daí a importância do banco de sêmen nesses casos.
Outra situação que deve ser conhecida é o efeito contralateral de situações infecciosas e mesmo a atrofia de um dos testículos. Trocando em miúdo podemos ter um quadro inflamatório/infeccioso de um lado, com o testículo evoluindo para uma atrofia e, nessa situação, influenciar negativamente a função do outro testículo que não apresentava nada no início.
A atrofia do testículo manifesta-se pela diminuição do seu volume. Em condições normais pode existir uma pequena diferença volumétrica entre um testículo e outro no mesmo indivíduo. Isso em geral não ultrapassa uma porcentagem de 15 a 20%. Discrepâncias maiores devem ser investigadas.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Anticoncepção masculina - pílula masculina.
Originalmente postado em 6 de Maio de 2009
As tentativas de se atingir um estado de infertilidade passageira, com nivel de falha baixo de métodos anticoncepcionais não-definitivos e segurança, relativamente aos efeitos colaterais, tiveram grande sucesso nas mulheres, que hoje dispõem de uma infinidade de métodos temporários para esse fim.
Eles vão desde pílulas ajustadas para meninas bem jovens, até dispositivos intra-uterinos medicamentosos, de longa duração, utilizados até para abolir as menstruações, passando por uma infinidade de pílulas anticoncepcionais, implantes, injeções, etc. com um variação imensa de doses e combinações hormonais.
Desde o seu lançamento, considerado um marco na sexualidade na década de 60, a “pílula” ou Anticoncepcionais Hormonais Orais (AHO) sofreram constante modificações, objeto de uma pesquisa frenética, para um mercado bilionário privado e público.
Hoje, além da infertilidade passageira, os AHO têm aplicação terapêutica em um sem número de condições ginecológicas, seja como tratamento principal ou mesmo adjuvante (endometriose, menopausa, distúrbios menstruais, ovários policísticos, alguns tipos iniciais de osteoporose, etc.). Alguns de nossos colegas ginecologistas, com os quais convivemos diariamente no Hospital das Clínicas, notabilizam-se pelo vasto conhecimento dos mínimos detalhes e “n” formulações desses medicamentos. Um deles, particularmente amigo, que nos espanta pelo conhecimento vasto e na ponta da língua é o Prof. Nilson de Melo, uma de nossas maiores autoridades nessa área da Contracepção.
Mas como urologistas ficamos com uma verdadeira inveja, no bom sentido, sobre as mesmas técnicas em relação aos homens.
Infertilidade passageira, controlada, reversível e segura é ainda um sonho para os homens.
Muitas são as tentativas para a criação da ‘pílula’ do homem.
Um brasileiro, Dr. Elsimar Coutinho, dedicou grande parte de sua vida científica a isso. Infelizmente com resultados muito modestos.
Notícia recente dá conta que alguns pesquisadores chineses testaram com certo sucesso o uso de undecanoato de testosterona em doses menores do que as encontradas no mercado brasileiro dessa droga, na forma injetável, já utilizada para o tratamento da andropausa, ou mais corretamente, Sindrome da Deprivação Androgênica do Homem, em confortáveis aplicações trimestrais.
O experimento foi conduzido com homens jovens, férteis, com filhos e se extendeu por um período considerável. Segundo o relato chinês todos voltaram a sua condição fértil com a suspensão do medicamento.
É uma esperança, mas que ainda necessita de observação e repetição, com maior tempo de observação, para verificar se junto com os efeitos desejáveis não se observem efeitos colaterais, indesejáveis, em relação à ação do medicamento em outros órgãos e funções.
Explica-se: undecanoato de testoterona é um tipo de testosterona que é metabolizado sem ficar agredindo tanto o fígado, uma grande vantagem sobre a maioria das outras formulações de testosterona, notadamente por via oral, mas que pode, como todas, interferir negativamente no organismo, levando a alterações de comportamento como alterações de humor/euforia, libido exagerada, atrofia do testículo imprevisível, estimulação da próstata (crescimento benigno - câncer (assunto controverso)), além de alterações cardiovasculares, incluindo-se alterações nos lípides (colesterol, triglicérides e frações), com maior chance de AVC (acidente vascular cerebral) e problemas isquêmicos coronários (infarto do miocárdio). Somam-se ainda aumento de pelos corporais, sudorese irregular e alopécia (a carequinha androgênica) e hipertensão arterial. Efeitos verificados em muito menor escala quando fazemos a reposição em pacientes comprovadamente com déficit do hormônio.
Na realidade a história se repete. As primeiras pílulas também tinham efeitos colaterais semelhantes, trocando-se alguns sintomas masculinos por equivalentes femininos, como alterações menstruais, crescimento de pelos, tumores de mama, etc. Muita pesquisa foi necessária para se isolar frações e moléculas com ações cada vez mais específicas dentro do que se desejava, inclusive com doses irrisórias perto da doses “cavalares” dos primeiros AHO.
No homem estamos engatinhando em relação a isso.
A grosso modo, quando ingerimos testosterona exógena existe imediata resposta do organismo no sentido de parar ou diminuir drasticamente a produção da testosterona própria, liberada pelo testículo e de nossos espermatozóides. Quem controla esses níveis e esse funcionamento, o “gerente da fábrica”, localizada no testículo, figurativamente, é a hipófise um pequeno órgão no meio do cérebro que produz dois hormônios comuns ao homem e à mulher (”ordens da gerência para o setor da produção”) chamados FSH e LH - siglas respectivas para Hormônio Folículo Estimulante e Hormônio Luteinizante). O FSH está relacionado diretamente com a produção dos espermatozóides, pela linhagem de células germinativas dos testículos. O LH, por sua vez, está relacionado com a linhagem que lida com a produção hormonal.
Quando existe essa “importação” maciça de testosterona do exterior, como na nossa macro-economia real, a nossa “fabrica” recebe ordens expressas de diminuir a oferta de testosterona “nacional”. Os níveis de FSH e LH caem e o testículo “entra em férias coletivas”. Muitas vezes “férias coletivas” prolongadas “enferrujam” as máquinas que vão se estragando. É o mecanismo que explica a atrofia do testículo. Quando cessa a “importação” a “fábrica” pode estar “sucateada” a tal ponto que não dá mais conta da produção de espermatozóides, que por sua vez, infelizmente, não podem ser “importados” …. Ao contrário, a testosterona tem “máquinas” mais resistentes e rústicas e podem voltar com maior facilidade à produção interna, nos níveis antigos.
Mesmo num testículo atrofiado, que perdeu irremediavelmente, sua “linha de produção de espermatozóides” , a produção de testosterona é retomada e garante o gênero masculino do sujeito.
Esses os problemas dos nossos amigos pesquisadoreschineses, que, aliás, são os que mais pesquisam a anticoncepção masculina. Fácil de entender num país pelas suas dimensões continentais e com uma explosão demográfica, até então contida na marra, através do controle social próprio do comunismo, com retaliações sócio-econômicas para casais com mais de um filho (inclusive com discriminação desfavorável aos bebês e filhos do sexo feminino - uma visão arcaica que mistura a pretensa força de trabalho maior do sexo masculino à visão belicista de soldados potenciais, entranhadas nas filosofias que permearam a revolução chinesa e o comunismo de uma forma geral). São clássicos os fatos de premiar o casal que se esterilizava, após o primeiro filho, ganhando um rádio de pilha, ou as restrições de consumo e outras punições econômicas aos casais que avançam o sinal do segundo filho(a). Mesmo que felizmente essas práticas de controle social (comunistas/ nazistas ???) sejam saudavelmente deixadas de lado, o problema da superpopulação chinesa não deixa de existir e deixar careca os planejadores do governo chinês. A necessidade de planejamento familiar se mantém na mesma proporção das bocas a alimentar, numa população lá pela casa do bilhão e tanto.
Para nós urologistas, a novidade da pesquisa fica apenas pela dose menor do undecanoato, droga já conhecida, contrapondo-se à frustração da ausência de um derivado mais refinado da testosterona, a exemplo dos milhares de derivados estrogênicos que a indústria farmacêutica já desenvolveu em relação às mulheres.
Contribuem ainda para esse panorama não muito animador no campo da anticoncepção masculina vários outros fatores de cunho biológico e sociológico:
1 - o “machismo” ainda impera, notadamente quando existe qualquer sombra de dúvida quando a integridade da sua “indústria nacional” pessoal possa ser colocada em risco (o que, paradoxalmente, muitas e muitas vezes é ignorado, por burrice e/ou cupidez, na utilização das “bolas”, suplementos “batizados” e anabolizantes puros pelas academias e seus atletas sequiosos de se apresentarem “bombados” e fortinhos).
2 - a biologia masculina não ajuda nesse sentido. Enquanto na mulher temos um óvulo a cada 28 dias, em média, liberado homeopaticamente de órgãos duplos (ovários) que já armazenam todos os óvulos, de toda a vida da mulher, na sua fase fértil; no homem temos milhares de espermatozóides, dia e noite, numa “linha de produção de quatro turnos”.
Qualquer “furinho” e podemos ter um espertinho !
No homem temos uma situação que “transborda” continuamente; na mulher temos um evento singelo com um espaço formidável para agirmos.
Se resolvermos os problemas colaterais e garantirmos a reversibilidade de um método anticoncepcional masculino, seguramente a aderência a esse método vai aumentar consideravelmente.
Sai de campo o “machismo” para entrar o “chauvinismo”, na prerrogativa de ter a si o controle de seu poder fecundante, escapando do velho artifício feminino da gravidez marota e do próprio comando do planejamento familiar, hoje efetivamente nas mãos da mulher, mesmo se consideramos o uso do condom, que exibe certa precariedade, sobretudo nos casais mais estáveis, sob uso contínuo.
É esperar para ver.
As tentativas de se atingir um estado de infertilidade passageira, com nivel de falha baixo de métodos anticoncepcionais não-definitivos e segurança, relativamente aos efeitos colaterais, tiveram grande sucesso nas mulheres, que hoje dispõem de uma infinidade de métodos temporários para esse fim.
Eles vão desde pílulas ajustadas para meninas bem jovens, até dispositivos intra-uterinos medicamentosos, de longa duração, utilizados até para abolir as menstruações, passando por uma infinidade de pílulas anticoncepcionais, implantes, injeções, etc. com um variação imensa de doses e combinações hormonais.
Desde o seu lançamento, considerado um marco na sexualidade na década de 60, a “pílula” ou Anticoncepcionais Hormonais Orais (AHO) sofreram constante modificações, objeto de uma pesquisa frenética, para um mercado bilionário privado e público.
Hoje, além da infertilidade passageira, os AHO têm aplicação terapêutica em um sem número de condições ginecológicas, seja como tratamento principal ou mesmo adjuvante (endometriose, menopausa, distúrbios menstruais, ovários policísticos, alguns tipos iniciais de osteoporose, etc.). Alguns de nossos colegas ginecologistas, com os quais convivemos diariamente no Hospital das Clínicas, notabilizam-se pelo vasto conhecimento dos mínimos detalhes e “n” formulações desses medicamentos. Um deles, particularmente amigo, que nos espanta pelo conhecimento vasto e na ponta da língua é o Prof. Nilson de Melo, uma de nossas maiores autoridades nessa área da Contracepção.
Mas como urologistas ficamos com uma verdadeira inveja, no bom sentido, sobre as mesmas técnicas em relação aos homens.
Infertilidade passageira, controlada, reversível e segura é ainda um sonho para os homens.
Muitas são as tentativas para a criação da ‘pílula’ do homem.
Um brasileiro, Dr. Elsimar Coutinho, dedicou grande parte de sua vida científica a isso. Infelizmente com resultados muito modestos.
Notícia recente dá conta que alguns pesquisadores chineses testaram com certo sucesso o uso de undecanoato de testosterona em doses menores do que as encontradas no mercado brasileiro dessa droga, na forma injetável, já utilizada para o tratamento da andropausa, ou mais corretamente, Sindrome da Deprivação Androgênica do Homem, em confortáveis aplicações trimestrais.
O experimento foi conduzido com homens jovens, férteis, com filhos e se extendeu por um período considerável. Segundo o relato chinês todos voltaram a sua condição fértil com a suspensão do medicamento.
É uma esperança, mas que ainda necessita de observação e repetição, com maior tempo de observação, para verificar se junto com os efeitos desejáveis não se observem efeitos colaterais, indesejáveis, em relação à ação do medicamento em outros órgãos e funções.
Explica-se: undecanoato de testoterona é um tipo de testosterona que é metabolizado sem ficar agredindo tanto o fígado, uma grande vantagem sobre a maioria das outras formulações de testosterona, notadamente por via oral, mas que pode, como todas, interferir negativamente no organismo, levando a alterações de comportamento como alterações de humor/euforia, libido exagerada, atrofia do testículo imprevisível, estimulação da próstata (crescimento benigno - câncer (assunto controverso)), além de alterações cardiovasculares, incluindo-se alterações nos lípides (colesterol, triglicérides e frações), com maior chance de AVC (acidente vascular cerebral) e problemas isquêmicos coronários (infarto do miocárdio). Somam-se ainda aumento de pelos corporais, sudorese irregular e alopécia (a carequinha androgênica) e hipertensão arterial. Efeitos verificados em muito menor escala quando fazemos a reposição em pacientes comprovadamente com déficit do hormônio.
Na realidade a história se repete. As primeiras pílulas também tinham efeitos colaterais semelhantes, trocando-se alguns sintomas masculinos por equivalentes femininos, como alterações menstruais, crescimento de pelos, tumores de mama, etc. Muita pesquisa foi necessária para se isolar frações e moléculas com ações cada vez mais específicas dentro do que se desejava, inclusive com doses irrisórias perto da doses “cavalares” dos primeiros AHO.
No homem estamos engatinhando em relação a isso.
A grosso modo, quando ingerimos testosterona exógena existe imediata resposta do organismo no sentido de parar ou diminuir drasticamente a produção da testosterona própria, liberada pelo testículo e de nossos espermatozóides. Quem controla esses níveis e esse funcionamento, o “gerente da fábrica”, localizada no testículo, figurativamente, é a hipófise um pequeno órgão no meio do cérebro que produz dois hormônios comuns ao homem e à mulher (”ordens da gerência para o setor da produção”) chamados FSH e LH - siglas respectivas para Hormônio Folículo Estimulante e Hormônio Luteinizante). O FSH está relacionado diretamente com a produção dos espermatozóides, pela linhagem de células germinativas dos testículos. O LH, por sua vez, está relacionado com a linhagem que lida com a produção hormonal.
Quando existe essa “importação” maciça de testosterona do exterior, como na nossa macro-economia real, a nossa “fabrica” recebe ordens expressas de diminuir a oferta de testosterona “nacional”. Os níveis de FSH e LH caem e o testículo “entra em férias coletivas”. Muitas vezes “férias coletivas” prolongadas “enferrujam” as máquinas que vão se estragando. É o mecanismo que explica a atrofia do testículo. Quando cessa a “importação” a “fábrica” pode estar “sucateada” a tal ponto que não dá mais conta da produção de espermatozóides, que por sua vez, infelizmente, não podem ser “importados” …. Ao contrário, a testosterona tem “máquinas” mais resistentes e rústicas e podem voltar com maior facilidade à produção interna, nos níveis antigos.
Mesmo num testículo atrofiado, que perdeu irremediavelmente, sua “linha de produção de espermatozóides” , a produção de testosterona é retomada e garante o gênero masculino do sujeito.
Esses os problemas dos nossos amigos pesquisadoreschineses, que, aliás, são os que mais pesquisam a anticoncepção masculina. Fácil de entender num país pelas suas dimensões continentais e com uma explosão demográfica, até então contida na marra, através do controle social próprio do comunismo, com retaliações sócio-econômicas para casais com mais de um filho (inclusive com discriminação desfavorável aos bebês e filhos do sexo feminino - uma visão arcaica que mistura a pretensa força de trabalho maior do sexo masculino à visão belicista de soldados potenciais, entranhadas nas filosofias que permearam a revolução chinesa e o comunismo de uma forma geral). São clássicos os fatos de premiar o casal que se esterilizava, após o primeiro filho, ganhando um rádio de pilha, ou as restrições de consumo e outras punições econômicas aos casais que avançam o sinal do segundo filho(a). Mesmo que felizmente essas práticas de controle social (comunistas/ nazistas ???) sejam saudavelmente deixadas de lado, o problema da superpopulação chinesa não deixa de existir e deixar careca os planejadores do governo chinês. A necessidade de planejamento familiar se mantém na mesma proporção das bocas a alimentar, numa população lá pela casa do bilhão e tanto.
Para nós urologistas, a novidade da pesquisa fica apenas pela dose menor do undecanoato, droga já conhecida, contrapondo-se à frustração da ausência de um derivado mais refinado da testosterona, a exemplo dos milhares de derivados estrogênicos que a indústria farmacêutica já desenvolveu em relação às mulheres.
Contribuem ainda para esse panorama não muito animador no campo da anticoncepção masculina vários outros fatores de cunho biológico e sociológico:
1 - o “machismo” ainda impera, notadamente quando existe qualquer sombra de dúvida quando a integridade da sua “indústria nacional” pessoal possa ser colocada em risco (o que, paradoxalmente, muitas e muitas vezes é ignorado, por burrice e/ou cupidez, na utilização das “bolas”, suplementos “batizados” e anabolizantes puros pelas academias e seus atletas sequiosos de se apresentarem “bombados” e fortinhos).
2 - a biologia masculina não ajuda nesse sentido. Enquanto na mulher temos um óvulo a cada 28 dias, em média, liberado homeopaticamente de órgãos duplos (ovários) que já armazenam todos os óvulos, de toda a vida da mulher, na sua fase fértil; no homem temos milhares de espermatozóides, dia e noite, numa “linha de produção de quatro turnos”.
Qualquer “furinho” e podemos ter um espertinho !
No homem temos uma situação que “transborda” continuamente; na mulher temos um evento singelo com um espaço formidável para agirmos.
Se resolvermos os problemas colaterais e garantirmos a reversibilidade de um método anticoncepcional masculino, seguramente a aderência a esse método vai aumentar consideravelmente.
Sai de campo o “machismo” para entrar o “chauvinismo”, na prerrogativa de ter a si o controle de seu poder fecundante, escapando do velho artifício feminino da gravidez marota e do próprio comando do planejamento familiar, hoje efetivamente nas mãos da mulher, mesmo se consideramos o uso do condom, que exibe certa precariedade, sobretudo nos casais mais estáveis, sob uso contínuo.
É esperar para ver.
Prevenção do Câncer de Próstata
Originalmente postado em 15 de Maio de 2009
Algumas boas notícias têm surgido para a saúde do homem.
Mais precisamente para o câncer de próstata. Várias delas foram divulgadas recentemente no congresso da A.U.A. (American Urological Association), que junto com o congresso europeu de urologia, são os dois eventos mais prestigiados da especialidade.
1
Prevenção do câncer - ficou comprovado num estudo populacional, envolvendo uma amostra grande homens e um tempo adequado de observação, que a dutasterida, uma “prima” da antiga finasterida, usada para bloquear o crescimento benigno da próstata e, em doses menores, evitar a calvície masculina de origem na testosterona, efetivamente pode prevenir em até 25% a chance do aparecimento de um câncer de próstata nas pessoas que fizeram uso do medicamento.
Isso não significa que todo mundo deve sair tomando o remédio, que não é, diga-se de passagem, baratinho como uma aspirina comprada na padaria. O remédio está reservado para quem precisa tratar a hiperplasia benigna e para aqueles que apresentam um risco aumentado de câncer de próstata e já estão na casa dos 40/45 anos pelo menos. Risco é ter um parente sanguíneo próximo que tenha tido câncer de próstata : pai, irmãos, tios, avós.
2
Prevenção do câncer de próstata 2 - Abandonar, para essa finalidade o uso excessivo de vitamina E e zinco. Os benefícios, avaliados por longo período, mostraram-se pequenos e não justificados. São duas substâncias que pareciam eficazes na prevenção, mas que o tempo disse que não. Permanecem as indicações de vitamina E, em doses individualizadas nos casos de subfertilidade e como coadjuvante nos hipogonadismos parciais. Para o zinco, em pequenas doses, nos suplementos vitamínicos quando necessários nas pessoas mais velhas.
3
Vacina terapêutica - Saindo do terreno da prevenção e partindo para o do tratamento, foram divulgados resultados animadores com relação a uma vacina terapêutica ( para quem já tem o câncer de próstata) com o nome comercial de Provenge. Na realidade esses resultados parciais animadores já haviam sido divulgados em 2005 mas não foram suficientes para que o FDA ( Food and Drug Administration) a “Anvisa” americana, aprovasse o uso e comercialização. Na época registraram-se muitos protestos e a queda de braço continuou. Agora parece que a coisa vai ser liberada. Nesses assuntos a comunidade médica vê sérias ressalvas ( e o leigo também deve aprender a identificar isso) porque esses medicamentos, baseados na genética, engenharia genética e imunologia, envolvem empresas de mercado voltadas a descobertas bombásticas para elevar as alturas o preço de suas ações ( como aliás aconteceu com a fabricante Dendreon). Existem muitas facetas éticas, filosóficas e morais envolvidas nesse processo todo, aliás, muito complexo.
4
Coração, colesterol e disfunção erétil - Cada vez mais se acumulam evidências da relação íntima entre sexo e coração, literalmente. Explica-se : todo o tecido esponjoso do pênis é um endotélio, o que reveste nossos vasos pelo corpo todo. Endotélio é como se fosse o “bit do nosso sistema circulatório”, sua unidade padrão. A última notícia é que o uso de algumas estatinas ( remédios para baixar o colesterol) influenciam positivamente, melhoram, a disfunção erétil. O que vai se investigar agora é se todas fazem a mesma coisa, se existe uma dose a partir da qual isso se verifica, etc.
Algumas boas notícias têm surgido para a saúde do homem.
Mais precisamente para o câncer de próstata. Várias delas foram divulgadas recentemente no congresso da A.U.A. (American Urological Association), que junto com o congresso europeu de urologia, são os dois eventos mais prestigiados da especialidade.
1
Prevenção do câncer - ficou comprovado num estudo populacional, envolvendo uma amostra grande homens e um tempo adequado de observação, que a dutasterida, uma “prima” da antiga finasterida, usada para bloquear o crescimento benigno da próstata e, em doses menores, evitar a calvície masculina de origem na testosterona, efetivamente pode prevenir em até 25% a chance do aparecimento de um câncer de próstata nas pessoas que fizeram uso do medicamento.
Isso não significa que todo mundo deve sair tomando o remédio, que não é, diga-se de passagem, baratinho como uma aspirina comprada na padaria. O remédio está reservado para quem precisa tratar a hiperplasia benigna e para aqueles que apresentam um risco aumentado de câncer de próstata e já estão na casa dos 40/45 anos pelo menos. Risco é ter um parente sanguíneo próximo que tenha tido câncer de próstata : pai, irmãos, tios, avós.
2
Prevenção do câncer de próstata 2 - Abandonar, para essa finalidade o uso excessivo de vitamina E e zinco. Os benefícios, avaliados por longo período, mostraram-se pequenos e não justificados. São duas substâncias que pareciam eficazes na prevenção, mas que o tempo disse que não. Permanecem as indicações de vitamina E, em doses individualizadas nos casos de subfertilidade e como coadjuvante nos hipogonadismos parciais. Para o zinco, em pequenas doses, nos suplementos vitamínicos quando necessários nas pessoas mais velhas.
3
Vacina terapêutica - Saindo do terreno da prevenção e partindo para o do tratamento, foram divulgados resultados animadores com relação a uma vacina terapêutica ( para quem já tem o câncer de próstata) com o nome comercial de Provenge. Na realidade esses resultados parciais animadores já haviam sido divulgados em 2005 mas não foram suficientes para que o FDA ( Food and Drug Administration) a “Anvisa” americana, aprovasse o uso e comercialização. Na época registraram-se muitos protestos e a queda de braço continuou. Agora parece que a coisa vai ser liberada. Nesses assuntos a comunidade médica vê sérias ressalvas ( e o leigo também deve aprender a identificar isso) porque esses medicamentos, baseados na genética, engenharia genética e imunologia, envolvem empresas de mercado voltadas a descobertas bombásticas para elevar as alturas o preço de suas ações ( como aliás aconteceu com a fabricante Dendreon). Existem muitas facetas éticas, filosóficas e morais envolvidas nesse processo todo, aliás, muito complexo.
4
Coração, colesterol e disfunção erétil - Cada vez mais se acumulam evidências da relação íntima entre sexo e coração, literalmente. Explica-se : todo o tecido esponjoso do pênis é um endotélio, o que reveste nossos vasos pelo corpo todo. Endotélio é como se fosse o “bit do nosso sistema circulatório”, sua unidade padrão. A última notícia é que o uso de algumas estatinas ( remédios para baixar o colesterol) influenciam positivamente, melhoram, a disfunção erétil. O que vai se investigar agora é se todas fazem a mesma coisa, se existe uma dose a partir da qual isso se verifica, etc.
Ejaculação Precoce
Originalmente postado em 22 de Maio de 2009
Com adendo em 10/6/09 no final
Quem acompanhou a Andrologia, uma parte da Urologia voltada à parte sexual e hormonal masculina, nos últimos 15 anos notou uma evolução muito interessante. Os conhecimentos sobre a impotência fizeram com que, em primeiro lugar se adotasse uma designação politicamente correta para o problema - disfunção erétil. Em segundo lugar houve um grande desvio do eixo em relação a origem do problema: tivemos uma diminuição (exagerada até!) das causas psicogênicas, em favor de uma esmagadora simplificação, misturando causa e tratamento no aspecto orgânico. Praticamente tudo passou a ser tratado com medicamento, dissociando-se (ou tentando fazer isso…) a ereção da relação sexual, como um todo.
Explico-me : antes vários casos claramente tinham uma origem psicológica (um relacionamento complicado, um histórico sexual cheio de problemas desde o início da atividade sexual da pessoa, uma parceira complicada, um aspecto afetivo complexo, medos dos mais variados tipos, etc). De repente, com a pílula azul, imaginou-se que agora tínhamos um “tanque de guerra” que passava por cima disso tudo e simplesmente na hora que o sujeito a tomasse, trinta a quarenta minutos depois, com um pequeno esforço mental e algumas preliminares, meio assim no tapa, a ereção automática e garantida resolveria tudo.
Felizmente para uma boa parte das pessoas com graus variados de disfunção isso resolveu o problema. Funcionou como um “empurrão” e muitas relações sofreram uma “psicoterapia de choque”, assim também “no tapa”.
É certo que de um lado isso foi bom para alguns, mas de outro a coisa foi meio radical. Algumas pesquisas recentes mostraram que alguns relacionamentos foram postos a pique, impiedosamente, não resistindo a “psicoterapia pasteurizada de caixinha”. Outros ainda correm sério perigo - 54% dos usuários desses medicamentos, com união estável, admitiram que passaram a ter relações extra-conjugais após a utilização da droga mágica…
No campo médico começamos a assistir o “efeito Orloff” desta farra. O “day after” de tanta auto-medicação.
Vamos comentá-lo a seguir, porque, antes, vamos voltar à outra parte interessante da Andrologia que começa a se agitar - a ejaculação precoce.
Durante muito tempo a ejaculação precoce foi estudada e compreendida nas suas causas e possíveis intervenções para tratá-la.
Por definição, a ejaculação precoce ocorre quando entre a ereção (ou as vezes apenas a intenção de relação) e a ejaculação o tempo fica em 1 minuto ou menos. Registram-se casos extremos de ejaculação até sem ereção.
Algumas definições tentam ser mais liberais e abrangentes, classificando a ejaculação precoce como aquela que é rápida e insuficiente para que a parceira atinja o orgasmo.
Outras associam o tempo curto, percebido pelo homem (e muitas vezes percebida e manifestada ou não pela parceira), comprovando-se claramente a falta de auto-controle da ejaculação, percebida pelo próprio homem.
Porque tanta complicação???
Não é sem razão. A definição depende de uma análise muitas vezes pessoal, caso a caso. A primeira pergunta que cabe é desconcertante, mas muito válida: E se a parceira tem dificuldade em atingir o seu orgasmo ?
Muitas vezes no consultório a ejaculação precoce é um diagnóstico muito fácil se o paciente apresenta uma mudança do seu padrão anterior. Antes tinha uma vida sexual que satisfazia a si e a sua parceira e isso muda, com evidente diminuição do tempo em que consegue evitar o término da relação, atingindo o orgasmo.
Quando, porém, o paciente é jovem e não tem nenhum padrão anterior há a necessidade de muita conversa na consulta para estabelecer algum padrão e dissociar a situação de uma parceira em específico.
Além disso, o que sabemos muito bem é que a ejaculação precoce está claramente associada a algum estado ansioso. Algum grau de ansiedade que possa mexer com a nossa bioquímica. Stress é um deles. Mas, certamente, encontramos muitos estados emocionais, psicológicos e pessoais envolvidos com essa alteração bioquímica.
Dessa maneira, a ejaculação precoce é uma disfunção e não uma doença - a causa orgânica (que se encontrada, definiria uma doença) é raríssima. É muito mais um desvio, uma alteração do comportamento. É resposta a uma situação que não se encaixa na tranqüilidade que deve existir na relação sexual.
Bioquimicamente isso é bastante claro. Sexo não combina com stress, ansiedade e todos os estados em que a adrenalina está muito elevada.
Sexo está mais para relaxamento, para todas as reações opostas à reatividade natural que temos diante de um desafio, um problema, uma resposta de alarme, de luta e prontidão. É psicologia e fisiologia básica. Todo o organismo reage quando ameaçado - quando em situação de extremo perigo ninguém tem ereção; pelo contrário todo o sangue é desviado para as áreas críticas do organismo - cérebro, coração, pulmões, órgãos vitais. A mão que estava quentinha torna-se fria, as pupilas se dilatam, o coração acelera, a respiração aumenta - a luta e iminente. Pênis e escroto, nessa hora, murcham e se retraem, estão recrutados para isso, o sangue que ali estava vai contribuir para outras áreas e a retração (resultado da contração muscular generalizada) também ajuda a proteger os próprios órgãos reprodutores - é a chamada “economia de guerra”. Em casos extremos, há a descarga adrenérgica em que pode haver a eliminação de urina, fezes e esperma, como a vista nos enforcados.
É fácil imaginar que esse quadro tenha nuances e gradações entre o extremo e situações de menor intensidade que, no entanto, são suficientes para atrapalhar as relações sexuais do casal no dia-a-dia.
É muito comum a ejaculação precoce sumir o melhorar muito nas férias prolongadas.
Feito esse panorama, já se sabe há muito que um recurso que pode ser utilizado para melhorar esse processo de ejaculação precoce, além do indivíduo entender a sua situação, o que o leva a ficar ou ter ficado nesse estado de “alerta”, é o uso de medicamentos que alteram a bioquímica envolvida no processo final .
Muitas são as drogas com esse efeito. Vários anti-depressivos, principalmente envolvidos com a inibição da recaptação da serotonina, têm como efeito colateral um retardo (as vezes brutal e irritante) do paciente não conseguir ejacular.
A dedução é clara - doses menores, menores efeitos colaterais, suficientes para retardar a ejaculação dentro de níveis aceitáveis.
Não é, pois, merecido o estardalhaço que se faz com as pílulas mágicas para isso, que serão lançadas na Alemanha ou em qualquer outro lugar.
Os anti-depressivos, mesmo em doses menores, nem sempre estão isentos de outros efeitos, muitos os seus principais, que se tornam indesejáveis para quem deles não precisa.
O mérito, portanto, das pílulas lançadas com estardalhaço refere-se ao esforço da indústria farmacêutica em buscar substâncias com menores desses efeitos. Os curiosos vão encontrar N substâncias, todas elas geralmente terminadas em …xetina (lê-se …qsetina). Paroxetina, Fluoxetina (o velho Prozac, lembra????), duloxetina e a dapoxetina (o lançamento alemão com nome comercial de Priligy).
Vale lembrar que esses não são os únicos utilizados e muitas vezes a medicação precisa ser ajustada caso a caso, não só na dose , como no agente.
Outro ponto importante é que essas medicações não vão, por si só, resolver o problema. Na ejaculação precoce são fundamentais as terapias cognitivas-comportamentais ( que nome pomposo!). Simples: terapias de conhecimento/reconhecimento do problema e ajustes no comportamento, envolvendo treinamento e mudança de comportamento.
Se não considerarmos isso, vamos assistir a uma “simplificação” idiota da ejaculação precoce, como a que vem acontecendo com a a disfunção erétil, com automedicação e/ou raciocínio mágico de “tomou o remédio” tudo funcionou…
Os consultórios estão cheios de pacientes, em que isso não se passou exatamente desse jeito…
ADENDO POSTADO EM 10 DE JUNHO 2009
Hoje foram veiculadas várias notícias dando conta de que 1 em cada 3 homens são ejaculadores precoces. Há aqui um exagero, inclusive a SBU está buscando quem deu essa informação dessa maneira ( o autor desse blog preside a Comissão de Comunicação da SBU).
Os dados disponíveis em trabalho exaustivo de levantamento de tudo o que se tem publicado em disfunção sexual mostra que o mais correto seria 1 homem em cada 5. As controvérsias e variações ficam por conta de características que podem definir grupos de homens tão distintos como muçulmanos do norte da Índia, como homens que usam ou não álcool.
Para dar uma desempoeirada no seu ingles transcrevo abaixo parte desse trabalho com todas as referências.
Arch Sex Behav. Author manuscript; available in PMC 2008 June 12.
Published in final edited form as:
Arch Sex Behav. 2001 April; 30(2): 177–219.
PMCID: PMC2426773
NIHMSID: NIHMS53253
Copyright notice and Disclaimer
Prevalence of Sexual Dysfunctions
Results from a Decade of Research
Jeffrey Simons, Ph.D. and Michael P. Carey, Ph.D.*
Center for Health and Behavior, Syracuse University, 430 Huntington Hall, Syracuse, NY 13244-2340, USA
*To whom correspondence should be addressed, 315 - 443 - 2755 (voice), 315 - 443 - 4123 (fax), email: mpcarey@syr.edu
Premature ejaculation is defined as ejaculation with minimal stimulation before the person wishes it. Age, novelty of the sexual situation, and recent frequency of sexual activity are considered in determining premature ejaculation. Community estimates of the current / 1- year prevalence of premature ejaculation range from 4% (Ernst et al., 1993; Fugl-Meyer & Sjogren Fugl-Meyer, 1999) - 5% (Schiavi, 1995; Ventegodt, 1998) across three studies. Two additional studies report significantly higher 1-year estimates of 14% (Solstad et al., 1993) and 29% (Laumann et al., 1999). The reason for these discrepant estimates is not clear. Schiavi et al. (1995) report a current estimate of 20% among former alcohol dependent men.
In primary care settings current estimates range from 2% (Nirenberg et al., 1991) to 31% (Read et al., 1997) across four studies. The lowest estimate was among alcohol dependent individuals choosing not to participate in additional research that would have involved intrusive measurements. Volunteers for the study reported a prevalence of 24% (Nirenberg et al., 1991). Thus, prevalence of premature ejaculation may be estimated at between 4% (Catalan et al., 1992b) and 31% (Read et al., 1997) .
There is an extremely large range of estimates of the current prevalence of premature ejaculation in sexuality clinic samples. Current estimates range from 0% (Bhui et al., 1994; Catalan et al., 1992b) to 77% (Verma et al., 1998) across five studies. The highest estimate (77%; (Verma et al., 1998) is from a Northern Indian population. This figures is nearly four times the next highest estimate of 22% (Goldmeier et al., 1997). If the estimate of Verma et al. (1998) is considered an outlier, a more accurate range is 0% (Bhui et al., 1994; Catalan et al., 1992b) to 22% (Goldmeier et al., 1997). Prevalence of premature ejaculation does not appear to be higher among individuals attending sexuality clinics than in primary care settings
E estamos conversados. Se aparecer a fonte fidedigna que confirme a tragédia de um em cada 3, prontamente comentarei.
Com adendo em 10/6/09 no final
Quem acompanhou a Andrologia, uma parte da Urologia voltada à parte sexual e hormonal masculina, nos últimos 15 anos notou uma evolução muito interessante. Os conhecimentos sobre a impotência fizeram com que, em primeiro lugar se adotasse uma designação politicamente correta para o problema - disfunção erétil. Em segundo lugar houve um grande desvio do eixo em relação a origem do problema: tivemos uma diminuição (exagerada até!) das causas psicogênicas, em favor de uma esmagadora simplificação, misturando causa e tratamento no aspecto orgânico. Praticamente tudo passou a ser tratado com medicamento, dissociando-se (ou tentando fazer isso…) a ereção da relação sexual, como um todo.
Explico-me : antes vários casos claramente tinham uma origem psicológica (um relacionamento complicado, um histórico sexual cheio de problemas desde o início da atividade sexual da pessoa, uma parceira complicada, um aspecto afetivo complexo, medos dos mais variados tipos, etc). De repente, com a pílula azul, imaginou-se que agora tínhamos um “tanque de guerra” que passava por cima disso tudo e simplesmente na hora que o sujeito a tomasse, trinta a quarenta minutos depois, com um pequeno esforço mental e algumas preliminares, meio assim no tapa, a ereção automática e garantida resolveria tudo.
Felizmente para uma boa parte das pessoas com graus variados de disfunção isso resolveu o problema. Funcionou como um “empurrão” e muitas relações sofreram uma “psicoterapia de choque”, assim também “no tapa”.
É certo que de um lado isso foi bom para alguns, mas de outro a coisa foi meio radical. Algumas pesquisas recentes mostraram que alguns relacionamentos foram postos a pique, impiedosamente, não resistindo a “psicoterapia pasteurizada de caixinha”. Outros ainda correm sério perigo - 54% dos usuários desses medicamentos, com união estável, admitiram que passaram a ter relações extra-conjugais após a utilização da droga mágica…
No campo médico começamos a assistir o “efeito Orloff” desta farra. O “day after” de tanta auto-medicação.
Vamos comentá-lo a seguir, porque, antes, vamos voltar à outra parte interessante da Andrologia que começa a se agitar - a ejaculação precoce.
Durante muito tempo a ejaculação precoce foi estudada e compreendida nas suas causas e possíveis intervenções para tratá-la.
Por definição, a ejaculação precoce ocorre quando entre a ereção (ou as vezes apenas a intenção de relação) e a ejaculação o tempo fica em 1 minuto ou menos. Registram-se casos extremos de ejaculação até sem ereção.
Algumas definições tentam ser mais liberais e abrangentes, classificando a ejaculação precoce como aquela que é rápida e insuficiente para que a parceira atinja o orgasmo.
Outras associam o tempo curto, percebido pelo homem (e muitas vezes percebida e manifestada ou não pela parceira), comprovando-se claramente a falta de auto-controle da ejaculação, percebida pelo próprio homem.
Porque tanta complicação???
Não é sem razão. A definição depende de uma análise muitas vezes pessoal, caso a caso. A primeira pergunta que cabe é desconcertante, mas muito válida: E se a parceira tem dificuldade em atingir o seu orgasmo ?
Muitas vezes no consultório a ejaculação precoce é um diagnóstico muito fácil se o paciente apresenta uma mudança do seu padrão anterior. Antes tinha uma vida sexual que satisfazia a si e a sua parceira e isso muda, com evidente diminuição do tempo em que consegue evitar o término da relação, atingindo o orgasmo.
Quando, porém, o paciente é jovem e não tem nenhum padrão anterior há a necessidade de muita conversa na consulta para estabelecer algum padrão e dissociar a situação de uma parceira em específico.
Além disso, o que sabemos muito bem é que a ejaculação precoce está claramente associada a algum estado ansioso. Algum grau de ansiedade que possa mexer com a nossa bioquímica. Stress é um deles. Mas, certamente, encontramos muitos estados emocionais, psicológicos e pessoais envolvidos com essa alteração bioquímica.
Dessa maneira, a ejaculação precoce é uma disfunção e não uma doença - a causa orgânica (que se encontrada, definiria uma doença) é raríssima. É muito mais um desvio, uma alteração do comportamento. É resposta a uma situação que não se encaixa na tranqüilidade que deve existir na relação sexual.
Bioquimicamente isso é bastante claro. Sexo não combina com stress, ansiedade e todos os estados em que a adrenalina está muito elevada.
Sexo está mais para relaxamento, para todas as reações opostas à reatividade natural que temos diante de um desafio, um problema, uma resposta de alarme, de luta e prontidão. É psicologia e fisiologia básica. Todo o organismo reage quando ameaçado - quando em situação de extremo perigo ninguém tem ereção; pelo contrário todo o sangue é desviado para as áreas críticas do organismo - cérebro, coração, pulmões, órgãos vitais. A mão que estava quentinha torna-se fria, as pupilas se dilatam, o coração acelera, a respiração aumenta - a luta e iminente. Pênis e escroto, nessa hora, murcham e se retraem, estão recrutados para isso, o sangue que ali estava vai contribuir para outras áreas e a retração (resultado da contração muscular generalizada) também ajuda a proteger os próprios órgãos reprodutores - é a chamada “economia de guerra”. Em casos extremos, há a descarga adrenérgica em que pode haver a eliminação de urina, fezes e esperma, como a vista nos enforcados.
É fácil imaginar que esse quadro tenha nuances e gradações entre o extremo e situações de menor intensidade que, no entanto, são suficientes para atrapalhar as relações sexuais do casal no dia-a-dia.
É muito comum a ejaculação precoce sumir o melhorar muito nas férias prolongadas.
Feito esse panorama, já se sabe há muito que um recurso que pode ser utilizado para melhorar esse processo de ejaculação precoce, além do indivíduo entender a sua situação, o que o leva a ficar ou ter ficado nesse estado de “alerta”, é o uso de medicamentos que alteram a bioquímica envolvida no processo final .
Muitas são as drogas com esse efeito. Vários anti-depressivos, principalmente envolvidos com a inibição da recaptação da serotonina, têm como efeito colateral um retardo (as vezes brutal e irritante) do paciente não conseguir ejacular.
A dedução é clara - doses menores, menores efeitos colaterais, suficientes para retardar a ejaculação dentro de níveis aceitáveis.
Não é, pois, merecido o estardalhaço que se faz com as pílulas mágicas para isso, que serão lançadas na Alemanha ou em qualquer outro lugar.
Os anti-depressivos, mesmo em doses menores, nem sempre estão isentos de outros efeitos, muitos os seus principais, que se tornam indesejáveis para quem deles não precisa.
O mérito, portanto, das pílulas lançadas com estardalhaço refere-se ao esforço da indústria farmacêutica em buscar substâncias com menores desses efeitos. Os curiosos vão encontrar N substâncias, todas elas geralmente terminadas em …xetina (lê-se …qsetina). Paroxetina, Fluoxetina (o velho Prozac, lembra????), duloxetina e a dapoxetina (o lançamento alemão com nome comercial de Priligy).
Vale lembrar que esses não são os únicos utilizados e muitas vezes a medicação precisa ser ajustada caso a caso, não só na dose , como no agente.
Outro ponto importante é que essas medicações não vão, por si só, resolver o problema. Na ejaculação precoce são fundamentais as terapias cognitivas-comportamentais ( que nome pomposo!). Simples: terapias de conhecimento/reconhecimento do problema e ajustes no comportamento, envolvendo treinamento e mudança de comportamento.
Se não considerarmos isso, vamos assistir a uma “simplificação” idiota da ejaculação precoce, como a que vem acontecendo com a a disfunção erétil, com automedicação e/ou raciocínio mágico de “tomou o remédio” tudo funcionou…
Os consultórios estão cheios de pacientes, em que isso não se passou exatamente desse jeito…
ADENDO POSTADO EM 10 DE JUNHO 2009
Hoje foram veiculadas várias notícias dando conta de que 1 em cada 3 homens são ejaculadores precoces. Há aqui um exagero, inclusive a SBU está buscando quem deu essa informação dessa maneira ( o autor desse blog preside a Comissão de Comunicação da SBU).
Os dados disponíveis em trabalho exaustivo de levantamento de tudo o que se tem publicado em disfunção sexual mostra que o mais correto seria 1 homem em cada 5. As controvérsias e variações ficam por conta de características que podem definir grupos de homens tão distintos como muçulmanos do norte da Índia, como homens que usam ou não álcool.
Para dar uma desempoeirada no seu ingles transcrevo abaixo parte desse trabalho com todas as referências.
Arch Sex Behav. Author manuscript; available in PMC 2008 June 12.
Published in final edited form as:
Arch Sex Behav. 2001 April; 30(2): 177–219.
PMCID: PMC2426773
NIHMSID: NIHMS53253
Copyright notice and Disclaimer
Prevalence of Sexual Dysfunctions
Results from a Decade of Research
Jeffrey Simons, Ph.D. and Michael P. Carey, Ph.D.*
Center for Health and Behavior, Syracuse University, 430 Huntington Hall, Syracuse, NY 13244-2340, USA
*To whom correspondence should be addressed, 315 - 443 - 2755 (voice), 315 - 443 - 4123 (fax), email: mpcarey@syr.edu
Premature ejaculation is defined as ejaculation with minimal stimulation before the person wishes it. Age, novelty of the sexual situation, and recent frequency of sexual activity are considered in determining premature ejaculation. Community estimates of the current / 1- year prevalence of premature ejaculation range from 4% (Ernst et al., 1993; Fugl-Meyer & Sjogren Fugl-Meyer, 1999) - 5% (Schiavi, 1995; Ventegodt, 1998) across three studies. Two additional studies report significantly higher 1-year estimates of 14% (Solstad et al., 1993) and 29% (Laumann et al., 1999). The reason for these discrepant estimates is not clear. Schiavi et al. (1995) report a current estimate of 20% among former alcohol dependent men.
In primary care settings current estimates range from 2% (Nirenberg et al., 1991) to 31% (Read et al., 1997) across four studies. The lowest estimate was among alcohol dependent individuals choosing not to participate in additional research that would have involved intrusive measurements. Volunteers for the study reported a prevalence of 24% (Nirenberg et al., 1991). Thus, prevalence of premature ejaculation may be estimated at between 4% (Catalan et al., 1992b) and 31% (Read et al., 1997) .
There is an extremely large range of estimates of the current prevalence of premature ejaculation in sexuality clinic samples. Current estimates range from 0% (Bhui et al., 1994; Catalan et al., 1992b) to 77% (Verma et al., 1998) across five studies. The highest estimate (77%; (Verma et al., 1998) is from a Northern Indian population. This figures is nearly four times the next highest estimate of 22% (Goldmeier et al., 1997). If the estimate of Verma et al. (1998) is considered an outlier, a more accurate range is 0% (Bhui et al., 1994; Catalan et al., 1992b) to 22% (Goldmeier et al., 1997). Prevalence of premature ejaculation does not appear to be higher among individuals attending sexuality clinics than in primary care settings
E estamos conversados. Se aparecer a fonte fidedigna que confirme a tragédia de um em cada 3, prontamente comentarei.
Ejaculação precoce & disfunção erétil - pesquisas correntes.
Originalmente postado em 28 de Abril de 2009
Após a publicação da última matéria, anterior a essa, alguns clientes me ligaram.
Alguns para congratulações.
Uns poucos, que me chamaram a atenção, desesperançados e meio deprimidos com a água fria. Nem ao céu, nem à terra. Podemos garantir a esperança em progressos na área da saúde masculina se tivermos um olho crítico no que exatamente estamos lendo.
Por exemplo, nesses dias ocorre o encontro da American Urological Association, a maior sociedade de urologia, considerados os países isoladamente. Um dos briefings para a imprensa tratou do uso de nanotecnologia, numa pomada como veículo, portanto de uso tópico, em que microscópicas partículas (nano é a ordem de grandeza) de óxido nítrico são liberados na mucosa do pênis, facilitando a ereção. É um evento promissor para uma eventual terapia, se chegar ao uso clínico.
Sim, aqui entra a nossa ressalva de se interpretar com cuidado as coisas.
A experiência foi feita com apenas 7 camundongos, geneticamente propensos à disfunção erétil. A ereção foi conseguida em 6 deles após um período médio de 1 hora e 5 minutos da aplicação. Não há menção de outros detalhes relativos à duração da ereção e dos efeitos colaterais imediatos e de longo prazo.
Resumo da ópera - a liberação química do óxido nítrico é potencialmente possível através da nanotecnologia e pode ser útil para obter a ereção em ratos, de acordo com um experimento com um pequeno número de animais testados. Ponto final!
Pesquisa básica e experimental (realizada em laboratório, não envolvendo humanos, mas cobaias). Promissora, mas que exigem um número maior da casuística, estudo de efeitos em longo prazo, efeitos colaterais, custos… Etc.
Situação quase idêntica à da pesquisa italiana com um spray anestésico para ejaculação precoce. Pesquisa inicial com um número pequeno de indivíduos, com seguimento de curto prazo, sem repetição e confirmação de resultados.
Em toda a ciência, todos os dias, resultados iniciais ocorrem aos montes e devem seguir uma rotina implacável para a verificação se a hipótese é verdadeira e se compensa em termos de aplicabilidade (leia-se custo, tolerabilidade, qualidade do efeito, efeitos colaterais & segurança, etc. etc.).
Enquanto isso, a vergonha de procurar ajuda a respeito da disfunção erétil associada a cupidez de se levar vantagem com o “baratinho” tem feito vicejar uma indústria monumental de remédios para impotência falsificados e vendidos pela internet. O negócio é mais rentável do que a cocaína e, adivinhe, já faz parte do leque de investimentos do “outlaw business”.
Após a publicação da última matéria, anterior a essa, alguns clientes me ligaram.
Alguns para congratulações.
Uns poucos, que me chamaram a atenção, desesperançados e meio deprimidos com a água fria. Nem ao céu, nem à terra. Podemos garantir a esperança em progressos na área da saúde masculina se tivermos um olho crítico no que exatamente estamos lendo.
Por exemplo, nesses dias ocorre o encontro da American Urological Association, a maior sociedade de urologia, considerados os países isoladamente. Um dos briefings para a imprensa tratou do uso de nanotecnologia, numa pomada como veículo, portanto de uso tópico, em que microscópicas partículas (nano é a ordem de grandeza) de óxido nítrico são liberados na mucosa do pênis, facilitando a ereção. É um evento promissor para uma eventual terapia, se chegar ao uso clínico.
Sim, aqui entra a nossa ressalva de se interpretar com cuidado as coisas.
A experiência foi feita com apenas 7 camundongos, geneticamente propensos à disfunção erétil. A ereção foi conseguida em 6 deles após um período médio de 1 hora e 5 minutos da aplicação. Não há menção de outros detalhes relativos à duração da ereção e dos efeitos colaterais imediatos e de longo prazo.
Resumo da ópera - a liberação química do óxido nítrico é potencialmente possível através da nanotecnologia e pode ser útil para obter a ereção em ratos, de acordo com um experimento com um pequeno número de animais testados. Ponto final!
Pesquisa básica e experimental (realizada em laboratório, não envolvendo humanos, mas cobaias). Promissora, mas que exigem um número maior da casuística, estudo de efeitos em longo prazo, efeitos colaterais, custos… Etc.
Situação quase idêntica à da pesquisa italiana com um spray anestésico para ejaculação precoce. Pesquisa inicial com um número pequeno de indivíduos, com seguimento de curto prazo, sem repetição e confirmação de resultados.
Em toda a ciência, todos os dias, resultados iniciais ocorrem aos montes e devem seguir uma rotina implacável para a verificação se a hipótese é verdadeira e se compensa em termos de aplicabilidade (leia-se custo, tolerabilidade, qualidade do efeito, efeitos colaterais & segurança, etc. etc.).
Enquanto isso, a vergonha de procurar ajuda a respeito da disfunção erétil associada a cupidez de se levar vantagem com o “baratinho” tem feito vicejar uma indústria monumental de remédios para impotência falsificados e vendidos pela internet. O negócio é mais rentável do que a cocaína e, adivinhe, já faz parte do leque de investimentos do “outlaw business”.
Informação & experiência - a Internet e a Medicina
Originalmente postado em 5 de Março de 2009
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou em 5 de março de 2009 um artigo, na sua página 17, muito interessante.
Trata da crescente utilização da Internet como fonte de informação médica pelos leigos e mostra alguns aspectos peculiares.
Em primeiro lugar, questiona prós e contras da disponibilidade de informação nesse meio, o que, pessoalmente nos parece ridículo. A informação disponível é fato real e inquestionável.
Guardadas as devidas proporções qualquer informação técnica, e aqui não falamos apenas de Medicina, sempre esteve disponível depois que Gutemberg inventou a prensa e passaram-se os anos da Idade Média e alguns outros períodos negros, aqui e acolá, em que livros eram proibidos, necessitavam do famoso”Imprimatur” ou mesmo eram censurados ou queimados em praça pública. Ressalvados esses lapsos, qualquer cidadão sempre pode entrar em qualquer livraria especializada e comprar qualquer livro sobre Medicina, Veterinária, Fisica Atômica, Odontologia, etc. Com o advento da Internet eles podem inclusive ser comprados comodamente da casa do sujeito, sem sair de casa.
Do mesmo modo do que ocorre na Internet, existem livros médicos de respeito e livros “pseudo-médicos”, assim como livros de dietas maravilhosas, curas por cristais, ciência superficial, e pelo o que a imaginação de cada um conseguir atingir. Eles estão em supermercados, rodoviárias, padarias, postos de gasolina, etc.
Resumo da questão - a informação sempre esteve disponível; a informação sempre teve o seu lado seguro, confiável e científico contraposto à informação dúbia, com viés pessoal, comercial, de crendices, objeto de proselitismo, etc.
O grande senão, para que não se fizesse uma “farra da informação”, como a reportagem chama a atenção, como um temor que vai se generalizando entre especialistas de todas as áreas, é que para a obtenção dessa informação o sujeito tinha que por a mão no bolso.
Comprar um livro médico bom não custa barato. Se você tem familiaridade com a própria internet veja, por exemplo, quanto custa a “bíblia” da Urologia: “Campbell-Walsh Urology” da Editora Saunders, na sua última edição, com 4 pesados volumes e 4.000 páginas de texto apenas de urologia.
Num país pobre, como o nosso, a imagem de um leigo comprando um livro técnico que não seja de sua profissão, por pura curiosidade, para saber mais disso ou daquilo é raríssima. No exterior, nem tanto.
O fato, no entanto, é que as pessoas antes de adquirir um livro geralmente se informam sobre a sua qualidade, sua atualização, profundidade, sobre quem escreveu ou editou, etc.
Ninguém, geralmente, quer comprar porcaria, jogando dinheiro fora.
Na Internet o que se vê é a gratuidade de quase tudo. Isso gera uma facilidade horizontal e vertical em todos os sentidos: é fácil escrever, é fácil publicar, ninguém revê, ninguém contesta, a terra é livre.
Pior do que o papel, que pode aceitar qualquer coisa, embora custe imprimir, publicar, distribuir e vender, passando pelo crivo da qualidade detectada pelos leitores, leigos, críticos e especialistas, a Internet pode “dourar” qualquer conceito e “entupir” qualquer um com uma pilha de informação indistinguível em termos de qualidade, origem e veracidade entre outros atributos que assegure que o que estamos “adquirindo”, mesmo gratuitamente, é verdadeiro e genuíno.
Aí mora o perigo. Aí entra a experiência. A Internet não é médico, não é advogado, não é veterinário, não é dentista, não é cientista.
Estude todas as leis, de cabo a rabo e aventure-se numa petição em qualquer tribunal…
Estude toda a Odontologia e compre todos aqueles motorzinhos e brocas, aquela parafernália toda e materiais que o seu dentista tem e …. (quem vai ser sua cobaia ???????)
Agora pegue seus sintomas, seus sinais, consulte-se na Internet veja o remédio “maravilhoso” (geralmente no site do fabricante ou bancado pelo mesmo), complete com um chat ou blog sobre aquilo que você “diagnosticou” e vá até a farmácia da esquina, compre o remédio ( porque aqui no Brasil, compra-se qualquer remédio, em qualquer esquina, sem receita médica) e seja você mesmo a sua cobaia. Parabéns ! Você realmente é um prodígio, um internauta de primeira!
Em tempos de globalização, deixando o sarcasmo de lado, a informação é totalmente compartilhada (exceto os segredos da fórmula da Coca-Cola, dos satélites de guerra, etc), mas a experiência em distinguir a informação, analisar um trabalho científico em todas as suas implicações, ter senso crítico em relação, inclusive, à evolução do conhecimento naquele assunto específico, são insubstituíveis.
Isso sem falar na parte prática da execução de procedimentos, cirurgias, exames especializados, etc.
Por fim o artigo toca de relance num problema muito mais espinhoso da Medicina, particularmente no Brasil: as consultas de 15 minutos.
Isso sim merece uma reflexão muito mais profunda do que tudo o que possa existir de porcaria e de má qualidade em informação de saúde na web.
Trata-se de uma situação hipócrita que, certamente, não vamos resolver aqui nesse simples artigo que algumas poucas pessoas vão ler.
Hipócrita de todos os lados.
De um lado médicos que se sujeitam a receber R$ 15 ou R$20 por uma consulta médica ou R$ 100 ou R$ 150 por uma cirurgia, geralmente 40 a 50 dias depois de realizado o serviço.
De outro pacientes que pagam alguns planos de saúde valores irrisórios diante do que custa a Medicina que todos querem ( e aqui não estou falando de consultas e cirurgias apenas, mas do que custa na ponta do lápis um equipamento de ultra-som, uma máquina de hemodiálise, um dia numa UTI, um tomógrafo e assim por diante). Nunca ouvi ninguém dizer que o seu convênio médico era barato.
Sei que alguns são realmente bastante caros, mas cobrem a Medicina de ponta.
Salvo as honrosas exceções, o que assistimos hoje é uma situação bastante perversa: o paciente precisa do cuidado médico. A prática médica custa. O médico está insatisfeito ( talvez por R$ 15 ou R$ 20 fosse melhor aprender a cortar cabelos e colocar um salão de beleza bem bonito, sem riscos de acidentes, de erros, dinheiro na mão ao final do serviço…). Do outro lado o paciente fica insatisfeito, não consegue falar tudo em 15 minutos, não tem aquele atendimento humano, interessado. Tem apenas um exame físico sucinto e um monte de exames de laboratório e imagem para fazer.
Entre os dois infelizes e insatisfeitos, com aquelas exceções que já mencionei, está o plano de saúde e os laboratórios diagnósticos que cada vez ficam mais ricos…
Pense a respeito. Algo não está certo.
Pense no que exigimos e de quem exigimos.
Há 25 anos atrás, quando eu entrava em uma sala de cirurgia os aventais eram de algodão (brim) bem grosso, auto-clavados para sua esterilização ( calor úmido sob altíssimas pressões) e portanto reaproveitáveis, como muitas outras coisas que não eram utilizadas necessariamente “dentro” da cirurgia, “dentro” do paciente e eram de uso permanente, como ainda são os instrumentos cirúrgicos metálicos, as pinças, tesouras, clamps, etc. Hoje, no entanto, tudo ficou descartável, tudo é TNT (tecido não tecido) e mais uma infinidade de materiais, geralmente importados.
Quando a tecnologia permitiu e a necessidade da boa prática pediu que agulhas e seringas fossem descartáveis, todos ficamos contentes. Era uma necessidade básica e racional.
Por outro lado a “febre” do uso único e do descartável se generalizou de maneira irracional. Houve um exagero muito grande em várias coisas, não só, mas principalmente, dentro de uma sala cirúrgica. Muitas coisas não precisam necessariamente ser descartáveis e tão sofisticadas, encarecendo sobremaneira a medicina que praticamos. Há maneiras muito seguras de processamento e esterilização perfeita de muitos materiais.
Na realidade criou-se uma indústria bilionária com isso. É a indústria de material de saúde
Se você acha que isso de “tudo descartável” está perfeitamente certo e que isso traz mais segurança, desculpe mas há aqui um engano. Desse engano nasce uma conta que você e eu não podemos pagar e que literalmente “azeda” na ponta do lápis a conta da saúde.
É mais ou menos todo mundo querer andar de Mercedes Benz 700 para ir ao trabalho e depois não sobrar quase mais nada para as coisas “triviais” do nosso dia a dia.
São luxos que desequilibram a distribuição equânime das coisas. E isso não ocorre apenas no setor de saúde suplementar, ocorre também no serviço público em que a gestão dos recursos privilegia a medicina de ponta, em algumas “ilhas de excelência” , enquanto o “arroz com feijão”, o atendimento básico, é apenas o prato diário dos jornais e telejornais, com seus absurdos e carência crônica.
Honrosas exceções à parte novamente, porque será que todo mundo quer fazer transplante hoje em dia ???? Ou, há algum tempo atrás, todo hospital queria ter a sua Cirurgia Cardíaca, Setor de Hemodiálise, Cirurgia Ortopédica, Tomógrafo e Ressonância Magnética…
São procedimentos muito bem remunerados pelo SUS. Isso e tão somente isso.
Quem ler “O Séculos dos Cirurgiões” vai aprender muitas curiosidades médicas sobre a evolução da medicina e cirurgia. Nós, os cirurgiões, somos descendentes dos barbeiros, que com suas habilidades com as navalhas fizeram as primeiras cirurgias, amputações, etc. , valendo a rapidez e precisão.
No andar atual da carruagem, logo vamos voltar as nossas origens aqui no Brasil.
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou em 5 de março de 2009 um artigo, na sua página 17, muito interessante.
Trata da crescente utilização da Internet como fonte de informação médica pelos leigos e mostra alguns aspectos peculiares.
Em primeiro lugar, questiona prós e contras da disponibilidade de informação nesse meio, o que, pessoalmente nos parece ridículo. A informação disponível é fato real e inquestionável.
Guardadas as devidas proporções qualquer informação técnica, e aqui não falamos apenas de Medicina, sempre esteve disponível depois que Gutemberg inventou a prensa e passaram-se os anos da Idade Média e alguns outros períodos negros, aqui e acolá, em que livros eram proibidos, necessitavam do famoso”Imprimatur” ou mesmo eram censurados ou queimados em praça pública. Ressalvados esses lapsos, qualquer cidadão sempre pode entrar em qualquer livraria especializada e comprar qualquer livro sobre Medicina, Veterinária, Fisica Atômica, Odontologia, etc. Com o advento da Internet eles podem inclusive ser comprados comodamente da casa do sujeito, sem sair de casa.
Do mesmo modo do que ocorre na Internet, existem livros médicos de respeito e livros “pseudo-médicos”, assim como livros de dietas maravilhosas, curas por cristais, ciência superficial, e pelo o que a imaginação de cada um conseguir atingir. Eles estão em supermercados, rodoviárias, padarias, postos de gasolina, etc.
Resumo da questão - a informação sempre esteve disponível; a informação sempre teve o seu lado seguro, confiável e científico contraposto à informação dúbia, com viés pessoal, comercial, de crendices, objeto de proselitismo, etc.
O grande senão, para que não se fizesse uma “farra da informação”, como a reportagem chama a atenção, como um temor que vai se generalizando entre especialistas de todas as áreas, é que para a obtenção dessa informação o sujeito tinha que por a mão no bolso.
Comprar um livro médico bom não custa barato. Se você tem familiaridade com a própria internet veja, por exemplo, quanto custa a “bíblia” da Urologia: “Campbell-Walsh Urology” da Editora Saunders, na sua última edição, com 4 pesados volumes e 4.000 páginas de texto apenas de urologia.
Num país pobre, como o nosso, a imagem de um leigo comprando um livro técnico que não seja de sua profissão, por pura curiosidade, para saber mais disso ou daquilo é raríssima. No exterior, nem tanto.
O fato, no entanto, é que as pessoas antes de adquirir um livro geralmente se informam sobre a sua qualidade, sua atualização, profundidade, sobre quem escreveu ou editou, etc.
Ninguém, geralmente, quer comprar porcaria, jogando dinheiro fora.
Na Internet o que se vê é a gratuidade de quase tudo. Isso gera uma facilidade horizontal e vertical em todos os sentidos: é fácil escrever, é fácil publicar, ninguém revê, ninguém contesta, a terra é livre.
Pior do que o papel, que pode aceitar qualquer coisa, embora custe imprimir, publicar, distribuir e vender, passando pelo crivo da qualidade detectada pelos leitores, leigos, críticos e especialistas, a Internet pode “dourar” qualquer conceito e “entupir” qualquer um com uma pilha de informação indistinguível em termos de qualidade, origem e veracidade entre outros atributos que assegure que o que estamos “adquirindo”, mesmo gratuitamente, é verdadeiro e genuíno.
Aí mora o perigo. Aí entra a experiência. A Internet não é médico, não é advogado, não é veterinário, não é dentista, não é cientista.
Estude todas as leis, de cabo a rabo e aventure-se numa petição em qualquer tribunal…
Estude toda a Odontologia e compre todos aqueles motorzinhos e brocas, aquela parafernália toda e materiais que o seu dentista tem e …. (quem vai ser sua cobaia ???????)
Agora pegue seus sintomas, seus sinais, consulte-se na Internet veja o remédio “maravilhoso” (geralmente no site do fabricante ou bancado pelo mesmo), complete com um chat ou blog sobre aquilo que você “diagnosticou” e vá até a farmácia da esquina, compre o remédio ( porque aqui no Brasil, compra-se qualquer remédio, em qualquer esquina, sem receita médica) e seja você mesmo a sua cobaia. Parabéns ! Você realmente é um prodígio, um internauta de primeira!
Em tempos de globalização, deixando o sarcasmo de lado, a informação é totalmente compartilhada (exceto os segredos da fórmula da Coca-Cola, dos satélites de guerra, etc), mas a experiência em distinguir a informação, analisar um trabalho científico em todas as suas implicações, ter senso crítico em relação, inclusive, à evolução do conhecimento naquele assunto específico, são insubstituíveis.
Isso sem falar na parte prática da execução de procedimentos, cirurgias, exames especializados, etc.
Por fim o artigo toca de relance num problema muito mais espinhoso da Medicina, particularmente no Brasil: as consultas de 15 minutos.
Isso sim merece uma reflexão muito mais profunda do que tudo o que possa existir de porcaria e de má qualidade em informação de saúde na web.
Trata-se de uma situação hipócrita que, certamente, não vamos resolver aqui nesse simples artigo que algumas poucas pessoas vão ler.
Hipócrita de todos os lados.
De um lado médicos que se sujeitam a receber R$ 15 ou R$20 por uma consulta médica ou R$ 100 ou R$ 150 por uma cirurgia, geralmente 40 a 50 dias depois de realizado o serviço.
De outro pacientes que pagam alguns planos de saúde valores irrisórios diante do que custa a Medicina que todos querem ( e aqui não estou falando de consultas e cirurgias apenas, mas do que custa na ponta do lápis um equipamento de ultra-som, uma máquina de hemodiálise, um dia numa UTI, um tomógrafo e assim por diante). Nunca ouvi ninguém dizer que o seu convênio médico era barato.
Sei que alguns são realmente bastante caros, mas cobrem a Medicina de ponta.
Salvo as honrosas exceções, o que assistimos hoje é uma situação bastante perversa: o paciente precisa do cuidado médico. A prática médica custa. O médico está insatisfeito ( talvez por R$ 15 ou R$ 20 fosse melhor aprender a cortar cabelos e colocar um salão de beleza bem bonito, sem riscos de acidentes, de erros, dinheiro na mão ao final do serviço…). Do outro lado o paciente fica insatisfeito, não consegue falar tudo em 15 minutos, não tem aquele atendimento humano, interessado. Tem apenas um exame físico sucinto e um monte de exames de laboratório e imagem para fazer.
Entre os dois infelizes e insatisfeitos, com aquelas exceções que já mencionei, está o plano de saúde e os laboratórios diagnósticos que cada vez ficam mais ricos…
Pense a respeito. Algo não está certo.
Pense no que exigimos e de quem exigimos.
Há 25 anos atrás, quando eu entrava em uma sala de cirurgia os aventais eram de algodão (brim) bem grosso, auto-clavados para sua esterilização ( calor úmido sob altíssimas pressões) e portanto reaproveitáveis, como muitas outras coisas que não eram utilizadas necessariamente “dentro” da cirurgia, “dentro” do paciente e eram de uso permanente, como ainda são os instrumentos cirúrgicos metálicos, as pinças, tesouras, clamps, etc. Hoje, no entanto, tudo ficou descartável, tudo é TNT (tecido não tecido) e mais uma infinidade de materiais, geralmente importados.
Quando a tecnologia permitiu e a necessidade da boa prática pediu que agulhas e seringas fossem descartáveis, todos ficamos contentes. Era uma necessidade básica e racional.
Por outro lado a “febre” do uso único e do descartável se generalizou de maneira irracional. Houve um exagero muito grande em várias coisas, não só, mas principalmente, dentro de uma sala cirúrgica. Muitas coisas não precisam necessariamente ser descartáveis e tão sofisticadas, encarecendo sobremaneira a medicina que praticamos. Há maneiras muito seguras de processamento e esterilização perfeita de muitos materiais.
Na realidade criou-se uma indústria bilionária com isso. É a indústria de material de saúde
Se você acha que isso de “tudo descartável” está perfeitamente certo e que isso traz mais segurança, desculpe mas há aqui um engano. Desse engano nasce uma conta que você e eu não podemos pagar e que literalmente “azeda” na ponta do lápis a conta da saúde.
É mais ou menos todo mundo querer andar de Mercedes Benz 700 para ir ao trabalho e depois não sobrar quase mais nada para as coisas “triviais” do nosso dia a dia.
São luxos que desequilibram a distribuição equânime das coisas. E isso não ocorre apenas no setor de saúde suplementar, ocorre também no serviço público em que a gestão dos recursos privilegia a medicina de ponta, em algumas “ilhas de excelência” , enquanto o “arroz com feijão”, o atendimento básico, é apenas o prato diário dos jornais e telejornais, com seus absurdos e carência crônica.
Honrosas exceções à parte novamente, porque será que todo mundo quer fazer transplante hoje em dia ???? Ou, há algum tempo atrás, todo hospital queria ter a sua Cirurgia Cardíaca, Setor de Hemodiálise, Cirurgia Ortopédica, Tomógrafo e Ressonância Magnética…
São procedimentos muito bem remunerados pelo SUS. Isso e tão somente isso.
Quem ler “O Séculos dos Cirurgiões” vai aprender muitas curiosidades médicas sobre a evolução da medicina e cirurgia. Nós, os cirurgiões, somos descendentes dos barbeiros, que com suas habilidades com as navalhas fizeram as primeiras cirurgias, amputações, etc. , valendo a rapidez e precisão.
No andar atual da carruagem, logo vamos voltar as nossas origens aqui no Brasil.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) 2 - Os sintomas
Para ler a primeira parte do artigo Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) clique aqui
Ao contrário da mulher que apresenta a menopausa como uma fase da vida com um início praticamente bem definido no tempo ( a variação pode ser apenas de alguns meses até o seu estabelecimento definitivo), no homem não existe fato semelhante porque a testosterona continua a ser produzida regularmente. No caso das mulheres há uma interrupção fisiológica da produção dos hormônios femininos, da ovulação ; já no homem além dos hormônios também os espermatozóides continuam a ser produzidos.
Em todos os homens, no entanto, há uma diminuição dos níveis de testosterona (hormônio masculino) com o envelhecimento.
Nem todos apresentam sintomas e muitos sintomas podem ter origem multifatorial.
Geralmente o que se verifica no quadro clínico é:
-Diminuição do volume ejaculado
-Alteração do orgasmo
-Diminuição do tamanho e consistência dos testículos
-Alteração da sensibilidade peniana
-Demora no orgasmo/ejaculação
-Diminuição dos pelos corporais
-Alteração da textura da pele
-Diminuição da massa e força muscular
-Fadiga
-Depressão
-Insônia
-Diminuição da libido
-Diminuição da qualidade das ereções (obter e manter)
-Diminuição das ereções noturnas e matinais
-Alterações do humor
-Diminuição do desempenho intelectual
-Irritabilidade e Labilidade emocional
-Tristeza
-Enfado
A avaliação desses sintomas, que podem estar todos presentes ou apenas alguns, vai muito além do que uma simples dosagem sérica da testosterona. Envolve uma avaliação global de outros sistemas e glândulas, inclusive do metabolismo ósseo ( osteoporose também ocorre em homens !). Como consequência o auto-diagnóstico e auto-tratamento são fortemente desencorajados nesse particular.
Originalmente postado em 17 de Maio de 2008
Ao contrário da mulher que apresenta a menopausa como uma fase da vida com um início praticamente bem definido no tempo ( a variação pode ser apenas de alguns meses até o seu estabelecimento definitivo), no homem não existe fato semelhante porque a testosterona continua a ser produzida regularmente. No caso das mulheres há uma interrupção fisiológica da produção dos hormônios femininos, da ovulação ; já no homem além dos hormônios também os espermatozóides continuam a ser produzidos.
Em todos os homens, no entanto, há uma diminuição dos níveis de testosterona (hormônio masculino) com o envelhecimento.
Nem todos apresentam sintomas e muitos sintomas podem ter origem multifatorial.
Geralmente o que se verifica no quadro clínico é:
-Diminuição do volume ejaculado
-Alteração do orgasmo
-Diminuição do tamanho e consistência dos testículos
-Alteração da sensibilidade peniana
-Demora no orgasmo/ejaculação
-Diminuição dos pelos corporais
-Alteração da textura da pele
-Diminuição da massa e força muscular
-Fadiga
-Depressão
-Insônia
-Diminuição da libido
-Diminuição da qualidade das ereções (obter e manter)
-Diminuição das ereções noturnas e matinais
-Alterações do humor
-Diminuição do desempenho intelectual
-Irritabilidade e Labilidade emocional
-Tristeza
-Enfado
A avaliação desses sintomas, que podem estar todos presentes ou apenas alguns, vai muito além do que uma simples dosagem sérica da testosterona. Envolve uma avaliação global de outros sistemas e glândulas, inclusive do metabolismo ósseo ( osteoporose também ocorre em homens !). Como consequência o auto-diagnóstico e auto-tratamento são fortemente desencorajados nesse particular.
Originalmente postado em 17 de Maio de 2008
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Distúrbio Androgênico do Envelhimento Masculino DAEM - 1
Muito tem sido falado a respeito do Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (no inglês sugestivamente ADAM - Androgen deprivation in ageing male ou A.D.A.M. syndrome).
É interessante notar logo de início, aos internetófilos de plantão, que é preciso cuidado na procura desses termos, pois que serão encontrados um jogo de computador relativamente recente, uma síndrome (conjunto de sintomas e sinais que compõem uma doença ou condição de saúde) na esfera das fissuras palatinas e a nossa síndrome D.A.E.M. ou A.D.A.M., na realidade uma sigla.
Feitas essas considerações, o D.A.E.M. refere-se à falta de andrógenos que são hormônios masculinos ( dos quais a testosterona produzida no testículo é o principal) no homem ao redor dos quarenta anos e daí para frente. Daí a razão de há alguns anos ter sido lançado o termo “Andropausa” numa correlação com a Menopausa da mulher.
Os sintomas vão além da esfera sexual, atingindo também o humor, o estado de espírito ( grande tendência à depressão e tristeza), a agilidade mental, a disposição geral, perda de massa muscular e de pilificação, aumento da gordura visceral entre outros.
No âmbito sexual os sintomas são variáveis desde a diminuição da libido (desejo sexual), qualidade da ereção prejudicada e até disfunção erétil (antigamente denominada impotência sexual)
Vamos abordar alguns aspectos nos artigos seguintes, principalmente nos cuidados que devem cercar esse tipo de diagnóstico. Uma vez que isso tem sido banalizado com uma simples dosagem hormonal no sangue, sem que se tomem outras precauções e avaliações prévias ao uso indiscriminado da reposição hormonal.
Nesse aspecto as mulheres apresentam-se à frente dos homens, alguns anos-luz, uma vez que os conhecimentos a respeito do climatério estão muito mais avançados e sedimentados inclusive nas conseqüências da reposição hormonal quando mal realizada ou indicada por quem não está habilitado para tal.
*Originalmente postado em 16 de Abril de 2008.
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