Originalmente postado em 3 de Dezembro de 2008
A revista médica “The Lancet” publicou um trabalho relatando como promissora uma nova droga para tratamento dos distúrbios de sono, que a imprensa leiga noticiou como capaz de evitar a insônia do “jet lag” e após plantões de trabalho. A medicação é o tasimelteon, um equivalente do hormônio melatonina produzido pela glândula pineal em nosso organismo.
A glândula pineal, localizada bem no meio das nossas estruturas cerebrais mais nobres, já foi objeto de muita especulação e as mais variadas interpretações místicas imagináveis.
Cientificamente a glândula produz a melatonina, um hormônio com muitas ações relacionadas com o ciclo do dia/noite (ciclo circadiano) através da quantidade de luz que estimula a retina e por vias nervosas complexas (células ganglionares da retina - região hipotalâmica anterior, núcleos supra-quiasmáticos - conexões para a coluna intermédiolateral da medula espinal - gânglios cervicais superiores - glândula pineal).
Ao atingir a glândula, essa então é capaz de desviar o metabolismo da serotonina cerebral para o metabolismo da melatonina. Essa última apresenta como principais funções: a inibição do eixo hipotálamo-hipofisário (um complexo de estruturas que produz uma série de hormônios que controlam outras glândulas e outros hormônios, como os ovários, testículos, tireóide, etc); a indução do sono; analgesia; atividade anti-tumoral, eliminação de radicais livres e retardo do envelhecimento. Todas essas funções têm implicação no ritmo de sono e de todos os sistemas biológicos com variação relacionada ao dia e a noite e também com as estações do ano, com maior e menor insolação, o que explica, inclusive, o comportamento sexual mais acentuado nas estações mais luminosas em praticamente todas as espécies animais ( primavera e verão).
Ocorre que o papel de neuromodulador não está completamente esclarecido. As pesquisas mais sérias e em maior volume têm dado atenção ao uso da melatonina nos distúrbios de sono em crianças, um problema sério.
Seu uso contudo não é totalmente isento de complicações e efeitos colaterais como cefaléia, naúseas, vômitos, fadiga e alterações gonadais não totalmente conhecidas a longo prazo, principalmente em crianças pré-púberes.
Por esses e por outros aspectos não existe um horizonte próximo do uso de medicamentos a base de melatonina ou similares nos casos de insônia e mesmo com finalidades hedonístas ( radicais livres & retardo do envelhecimento). Na Europa e nos Estados Unidos esses medicamentos não têm liberação oficial, são clandestinos.
O que se pode utilizar desses conhecimentos, principalmente para as pessoas mais idosas, é aproveitar a luz solar, direta ou indiretamente, com os devidos cuidados na primeira opção, no sentido de estimular a produção natural desse hormônio que naturalmente decresce com a idade.
Luz também é vida.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Convenção da IUGA de 2012 não será em São Paulo
Originalmente postado em 23 de Dezembro de 2008
A IUGA ( International Urogynecological Association) é uma entidade médica que reúne médicos ginecologistas, urologistas, proctologistas e outros profissionais de saúde dedicados ao estudo do assoalho pélvico e suas duas funções primordiais - urinária e intestinal.
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e estruturas específicas como a uretra, bexiga, reto, ânus, etc. que nos “fecha” na parte de baixo do tronco, impedindo que todas as nossas vísceras “saiam” por baixo do orifício pélvico (um vazio no “anel” ósseo formado pelos ossos do púbis, a bacia e a coluna sacral).
O assunto é vasto e multidisciplinar, pois envolve a função urinária e a função intestinal. Doenças como a incontinência urinária, em todos os seus tipos, os prolapsos (queda dos órgãos, como o útero e a bexiga, através da vagina ou mesmo a saída de parte do intestino pelo ânus), problemas de evacuação, incontinência de fezes e gases, são bastante frequentes e têm a sua estimativa sub-avaliada pelo pudor das pessoas afetadas em comentar sobre isso.
A área é uma das que mais cresce na Medicina, com muitos estudos e progressos.
São Paulo, através do Núcleo Brasileiro de Uroginecologia, havia se candidatado a sediar a Convenção do ano de 2012. Perdeu por duas dezenas de votos para a Austrália, Brisbaine.
Houve um trabalho muito árduo nessa candidatura: são exigidos vários requisitos em termos de transporte, hotelaria, infra-estrutura e demais necessidades de uma convenção internacional com aproximadamente 5.000 participantes de todos os cantos do mundo. Não há lugar para amadorismos ou jeitinhos, a que o brasileiro, de forma geral, está tão acostumado.
O Núcleo vai reapresentar a candidatura para o ano de 2013.
A IUGA ( International Urogynecological Association) é uma entidade médica que reúne médicos ginecologistas, urologistas, proctologistas e outros profissionais de saúde dedicados ao estudo do assoalho pélvico e suas duas funções primordiais - urinária e intestinal.
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e estruturas específicas como a uretra, bexiga, reto, ânus, etc. que nos “fecha” na parte de baixo do tronco, impedindo que todas as nossas vísceras “saiam” por baixo do orifício pélvico (um vazio no “anel” ósseo formado pelos ossos do púbis, a bacia e a coluna sacral).
O assunto é vasto e multidisciplinar, pois envolve a função urinária e a função intestinal. Doenças como a incontinência urinária, em todos os seus tipos, os prolapsos (queda dos órgãos, como o útero e a bexiga, através da vagina ou mesmo a saída de parte do intestino pelo ânus), problemas de evacuação, incontinência de fezes e gases, são bastante frequentes e têm a sua estimativa sub-avaliada pelo pudor das pessoas afetadas em comentar sobre isso.
A área é uma das que mais cresce na Medicina, com muitos estudos e progressos.
São Paulo, através do Núcleo Brasileiro de Uroginecologia, havia se candidatado a sediar a Convenção do ano de 2012. Perdeu por duas dezenas de votos para a Austrália, Brisbaine.
Houve um trabalho muito árduo nessa candidatura: são exigidos vários requisitos em termos de transporte, hotelaria, infra-estrutura e demais necessidades de uma convenção internacional com aproximadamente 5.000 participantes de todos os cantos do mundo. Não há lugar para amadorismos ou jeitinhos, a que o brasileiro, de forma geral, está tão acostumado.
O Núcleo vai reapresentar a candidatura para o ano de 2013.
Sites de Hospitais pelo Mundo - Brasileiros na Lista dos Melhores.
Originalmente postado em 13 de Outubro de 2008
Uma notícia auspiciosa para os brasileiros: um ranking mundial, baseado na análise dos sites hospitalares, publicado recentemente, incluiu entre os cinco primeiros lugares da América Latina dois hospitais brasileiros: Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Quando considerados os dez top da América Latina, ainda encontramos o Hospital de Clínicas da Unicamp, o A.C. Camargo de S. Paulo e o Incor.
Apesar da proeza dos nossos hospitais, você poderá conferir os melhores do mundo, verificando a lista completa e os recursos e conteúdo de cada um deles.
O primeiro colocado latinoamericano (a Universidad Catolica do Chile) tem um centena de sites em melhor colocação à sua frente. E alguns outros sites brasileiros, abaixo dos 10 mais têm alguns milhares na sua frente. Interessante notar que a classificação inclui instituições públicas e sem fins lucrativos, mostrando que nem sempre a iniciativa privada se isola na excelência. Uma explicação talvez seja o rigor em analisar mais o serviço público prestado, tipo de informação, perdendo um pouco quando há marketing associado.
Confira as colocações, e os próprios hospitais, no site que elaborou o Ranking aqui.
Uma notícia auspiciosa para os brasileiros: um ranking mundial, baseado na análise dos sites hospitalares, publicado recentemente, incluiu entre os cinco primeiros lugares da América Latina dois hospitais brasileiros: Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Quando considerados os dez top da América Latina, ainda encontramos o Hospital de Clínicas da Unicamp, o A.C. Camargo de S. Paulo e o Incor.
Apesar da proeza dos nossos hospitais, você poderá conferir os melhores do mundo, verificando a lista completa e os recursos e conteúdo de cada um deles.
O primeiro colocado latinoamericano (a Universidad Catolica do Chile) tem um centena de sites em melhor colocação à sua frente. E alguns outros sites brasileiros, abaixo dos 10 mais têm alguns milhares na sua frente. Interessante notar que a classificação inclui instituições públicas e sem fins lucrativos, mostrando que nem sempre a iniciativa privada se isola na excelência. Uma explicação talvez seja o rigor em analisar mais o serviço público prestado, tipo de informação, perdendo um pouco quando há marketing associado.
Confira as colocações, e os próprios hospitais, no site que elaborou o Ranking aqui.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O óleo de Lorenzo, doenças raras e esquecidas: os órfãos da medicina.
Se você anda cansado das grandes explosões do cinema, de todos os tiroteios infindáveis e de outras pataquadas do cinema, dê uma folga e reveja um filme de 1992, dirigido por George Miller, premiado pelo Oscar e Globo de Ouro de 1993, com uma bela atuação de Susan Sarandon, na mãe de uma criança, filho único, que de repente recebe um diagnóstico muito raro de Adrenoleucodistrofia, um distúrbio dos lípides (óleos e ácidos graxos do nosso metabolismo, das gorduras intra-celulares). Situação em que vai se depositando nas células, especialmente do cérebro, destruindo a sua bainha de mielina, uma capinha isolante de nossas células nervosas, dois ácidos graxos de cadeia longa ( molécula grande com muitos carbonos).
O filme narra a história verdadeira de Lorenzo Odone um menino de 6 anos, cujos pais obstinados não aceitaram que essa doença não tinha cura e nem tratamento.
Um menino que viveu mais 24 anos após o terrível diagnóstico e morreu no último dia 30 de maio, aos 30 anos, de pneumonia.
A teimosia de seus pais, e depois, de um neurologista (Hugo Moser) e uns poucos médicos, “esticou” a vida desse moço por pelo menos mais 20 anos do que é previsto nesses casos, sem o tratamento realizado.
Uma teimosia que ensinou uma lição a Medicina e aos médicos, relembrando-lhes a necessária humildade e a indispensável chama da esperança que deve permear a profissão.
Diante do desafio, essas pessoas se atiraram sobre livros e mais livros de bioquímica e química pura. Debruçaram-se sobre os mecanismos da doença, representados pelo excesso de dois ácidos graxos saturados, de cadeia longa, responsáveis pela desmielinização dos pacientes com esse distúrbio. Descobriram que uma proporção de 4:1 de de gliceril trioleato e gliceril trierucato, outros dois óleos, poderiam diminiuir as concentrações plasmáticas do lípides “ruins” quando administrados por via oral.
Tiveram a coragem de administrar essa substância, que aos ratos de laboratório era fatal, mas que aos humanos não apresentou problemas. Enfrentaram o descrédito, o ceticismo e a falta de cooperação de boa parte da comunidade científica procurada para ajudar.
A doença de Lorenzo é uma doença rara, ligada ao cromossomo X, que afeta 1 em 20.000 homens. Não fosse pela obstinação da familia e de um pequeno grupo de médicos liderados por Moser, essa seria apenas mais uma das doenças consideradas orfâs da Medicina, conforme chamou a atenção The Lancet, em pequeno editorial de 14 de junho desse ano.
As doenças orfãs são, caracteristicamente, marcadas por alguns pontos em comum :
* falta de pesquisa;
* poucos ou nenhum tratamento em desenvolvimento;
* poucos recursos de pesquisa;
* nenhuma atenção pública e
* completa dependência de grupos organizados para reinvidicar atenção.
Engana-se quem pensa que isso é raríssimo e se restringe a doenças raras a ponto de Holliwood se interessar e fazer dinheiro. Existem muitas doenças nessa mesma vala comum. Muitas vezes o drama é vivido aleatoriamente por quem menos espera.
Se ainda acrescentarmos algumas doenças regionais, principalmente algumas infecciosas, totalmente negligenciadas, vamos ter uma dimensão maior do problema.
Não, não pense apenas na África e Ásia, meu amigo. Sim pense aqui mesmo. O que outrora eram as doenças tropicais, têm se tornado um pesadelo para a America Latina.
A edição de 21 de junho do British Medical Journal traz uma pequena notícia de que duas organizações de pesquisa da França ( Drugs for Neglected Diseases e o Institut de Recherche pour le Développment anunciaram um trabalho conjunto para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da Doença de Chagas e a Leishmaniose, duas pragas que grassam entre nós.
Iniciativas como essa devem ser saudadas pois, se de um lado é compreensível o custo astronômico do desenvolvimento de um fármaco até que ele possa efetivamente ser comercializado, por outro lado a sociedade, incluindo as empresas farmacêuticas, deve se organizar para que essas doenças esquecidas sejam devidamente “lembradas” e pesquisadas. Esse ônus deve ser abarcado por todas as nações, hoje globalizadas, e, principalmente, por aquelas diretamente envolvidas com os problemas regionais. E há várias maneiras de se prover esse fomento científico, que não apenas com investimentos diretos, mas também com incentivos na carga fiscal e mesmo na criação de uma política e um cultura voltada ao investimento em pesquisa.
Talvez seja chegado o momento de, a exemplo das leis de incentivo cultural, a pesquisa também possa ser brindada com uma “Lei Rouanet” que a Cultura já tem.
A pesquisa médica é uma das bases da “Saúde” que hoje se encontra em todas as conversas e até na boca de quem nada dela entende. É através dela que o conhecimento é gerado e aplicado, servindo de base para a melhoria de tratamentos, percepção de peculiaridades regionais das diversas populações do país, aliando a cultura e os recursos naturais, barateando estruturas, fomentando know-how próprio e por fim atendendo as necessidades próprias do país, sem que se precise sair quebrando patentes e utilizando-se de outros expedientes mal vistos pela comunidade internacional.
Originalmente postado em 25 de Junho de 2008.
O filme narra a história verdadeira de Lorenzo Odone um menino de 6 anos, cujos pais obstinados não aceitaram que essa doença não tinha cura e nem tratamento.
Um menino que viveu mais 24 anos após o terrível diagnóstico e morreu no último dia 30 de maio, aos 30 anos, de pneumonia.
A teimosia de seus pais, e depois, de um neurologista (Hugo Moser) e uns poucos médicos, “esticou” a vida desse moço por pelo menos mais 20 anos do que é previsto nesses casos, sem o tratamento realizado.
Uma teimosia que ensinou uma lição a Medicina e aos médicos, relembrando-lhes a necessária humildade e a indispensável chama da esperança que deve permear a profissão.
Diante do desafio, essas pessoas se atiraram sobre livros e mais livros de bioquímica e química pura. Debruçaram-se sobre os mecanismos da doença, representados pelo excesso de dois ácidos graxos saturados, de cadeia longa, responsáveis pela desmielinização dos pacientes com esse distúrbio. Descobriram que uma proporção de 4:1 de de gliceril trioleato e gliceril trierucato, outros dois óleos, poderiam diminiuir as concentrações plasmáticas do lípides “ruins” quando administrados por via oral.
Tiveram a coragem de administrar essa substância, que aos ratos de laboratório era fatal, mas que aos humanos não apresentou problemas. Enfrentaram o descrédito, o ceticismo e a falta de cooperação de boa parte da comunidade científica procurada para ajudar.
A doença de Lorenzo é uma doença rara, ligada ao cromossomo X, que afeta 1 em 20.000 homens. Não fosse pela obstinação da familia e de um pequeno grupo de médicos liderados por Moser, essa seria apenas mais uma das doenças consideradas orfâs da Medicina, conforme chamou a atenção The Lancet, em pequeno editorial de 14 de junho desse ano.
As doenças orfãs são, caracteristicamente, marcadas por alguns pontos em comum :
* falta de pesquisa;
* poucos ou nenhum tratamento em desenvolvimento;
* poucos recursos de pesquisa;
* nenhuma atenção pública e
* completa dependência de grupos organizados para reinvidicar atenção.
Engana-se quem pensa que isso é raríssimo e se restringe a doenças raras a ponto de Holliwood se interessar e fazer dinheiro. Existem muitas doenças nessa mesma vala comum. Muitas vezes o drama é vivido aleatoriamente por quem menos espera.
Se ainda acrescentarmos algumas doenças regionais, principalmente algumas infecciosas, totalmente negligenciadas, vamos ter uma dimensão maior do problema.
Não, não pense apenas na África e Ásia, meu amigo. Sim pense aqui mesmo. O que outrora eram as doenças tropicais, têm se tornado um pesadelo para a America Latina.
A edição de 21 de junho do British Medical Journal traz uma pequena notícia de que duas organizações de pesquisa da França ( Drugs for Neglected Diseases e o Institut de Recherche pour le Développment anunciaram um trabalho conjunto para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da Doença de Chagas e a Leishmaniose, duas pragas que grassam entre nós.
Iniciativas como essa devem ser saudadas pois, se de um lado é compreensível o custo astronômico do desenvolvimento de um fármaco até que ele possa efetivamente ser comercializado, por outro lado a sociedade, incluindo as empresas farmacêuticas, deve se organizar para que essas doenças esquecidas sejam devidamente “lembradas” e pesquisadas. Esse ônus deve ser abarcado por todas as nações, hoje globalizadas, e, principalmente, por aquelas diretamente envolvidas com os problemas regionais. E há várias maneiras de se prover esse fomento científico, que não apenas com investimentos diretos, mas também com incentivos na carga fiscal e mesmo na criação de uma política e um cultura voltada ao investimento em pesquisa.
Talvez seja chegado o momento de, a exemplo das leis de incentivo cultural, a pesquisa também possa ser brindada com uma “Lei Rouanet” que a Cultura já tem.
A pesquisa médica é uma das bases da “Saúde” que hoje se encontra em todas as conversas e até na boca de quem nada dela entende. É através dela que o conhecimento é gerado e aplicado, servindo de base para a melhoria de tratamentos, percepção de peculiaridades regionais das diversas populações do país, aliando a cultura e os recursos naturais, barateando estruturas, fomentando know-how próprio e por fim atendendo as necessidades próprias do país, sem que se precise sair quebrando patentes e utilizando-se de outros expedientes mal vistos pela comunidade internacional.
Originalmente postado em 25 de Junho de 2008.
IPod e raios - uma curiosidade médica - um cuidado banal.
Existe uma celeuma muito grande em relação aos efeitos físicos de fenômenos naturais e criados pelo homem sobre nosso organismo. Uma dessas controvérsias deriva da grande quantidade de ondas eletromagnéticas a que estamos expostos nos últimos anos, em quantidades crescentes e preocupantes.
Num passado não tão distante era comum que nossos auto-radios, embora funcionando muito bem pela cidade, sofressem uma série de interferências quando nos aproximávamos da Avenida Paulista, em São Paulo, uma área que notoriamente concentra uma grande quantidade de antenas transmissoras e retransmissoras de rádio, tv, telecomunicações ( talvez a maior torre da cidade, dessa última modalidade, fique próxima à vizinha Avenida Brigadeiro Luiz Antonio) .
Hoje os auto-radios evoluiram muito em qualidade nesse sentido, mas as vezes, ainda, as emissoras de ondas médias estão sujeitas a essas interferências. Os experts e especialistas garantem (?) que esse banho de eletromagnetismo não afeta em nada a saúde humana, incluindo-se agora as ondas das células de telefonia móvel, que constituem um verdadeiro “oceano” em nossa volta.
Alguns estudos escandinavos afirmaram categoricamente que o uso do celular não causa dano individual aos seus usuários ( a preocupação maior é com tumores cerebrais). Fosse outro lugar qualquer, que não a Escandinávia, de ilibada reputação científica mundial, alguns analistas mais xiitas estariam de sobrolho elevado procurando uma “teoria da conspiração” pela associação entre grandes fabricantes de cell fone naquela região e a pesquisa em tela. Pura neurose. É natural que as pesquisas venham de onde a telefonia celular praticamente começou. Lembro-me até hoje do espanto, quando na Suécia, num congresso médico, há muitos e muitos anos, quando vi um sujeito jovem falando sem parar num pequeno telefone sem fio e sem antena, num barco no meio das dezenas de ilhas dos arredores da bela Estocolmo.
Mas não há consenso. Um outro estudo recente chama a atenção para o fato de que as coisas não são bem assim, tão pacíficas, quando consideramos crianças ( leia-se pessoas ainda em desenvolvimento).
É interessante porque esse tipo de afirmação envolvendo riscos à exposição e uso de novas tecnologias, muitas vezes não se firma em bases de conhecimento, digamos assim, muito sólidas. Existe, nesse particular, um fator importante que é o crivo do tempo.
Quando se inventou a radioscopia (um dispositivo de raio X que emite radiação contínua para que se possa visualizar, num écran, uma parte do corpo - ou boa parte dele), houve época em que, nas festas de sociedade mais chiques, o “must” era disponibilizar um aparelho desses para visualizar o esqueleto dos convidados num aposento devidamente escuro, às custas de uma radiação totalmente descontrolada. Um misto de inocência, ignorância, frivolidade e fatalidade, que talvez não se aplique com tanta severidade com o reverso da mesma moeda em relação a famosa Abreugrafia, em função dos benefícios trazidos pela sua aplicação.
Só muito mais tarde, no entanto, é que fomos aprendendo o quão grave eram as exposições maciças de RX ao organismo, mesmo cumulativamente, nas inocentes radiografias, que, diferentemente da radioscopia, têm sua radiação calculada e aplicada numa fração de segundos).
Mas o objetivo de nosso pequeno artigo hoje não é esse.
Envolve um artigo muito curioso que saiu no The New England Journal of Medicine (julho/2007), talvez a mais conceituada revista científica médica, sobre o uso de IPod durante tempestades, principalmente as com raios e trovões.
O conhecimento dos efeitos dos raios nas pessoas vem sendo acumulado há muitos anos e sabe-se que o jeito mais comum de um raio atingir uma pessoa é pelo efeito “side flash” em que o raio, após atingir uma estrutura maior, como por exemplo um poste, uma torre ou uma árvore, “pula” para a pessoa que está alí próxima. Registram-se também infelicidades em que o raio cai diretamente sobre a pessoa.
A corrente que se transmite causa várias reações musculares violentas e muito graves (contrações em opistótono), que, de tão fortes, são capazes de arremessar a pessoa longe da sua posição original, levando a lesões traumáticas secundárias à queda e ao arremesso contra prováveis superfícies perfurantes, cortantes, etc., além das lesões da corrente elétrica propriamente dita. Muitas vezes o trauma do deslocamento poder ser fatal.
A pele tem uma resistência extraordinária à descarga elétrica que faz com que o raio sofra um efeito conhecido como “flash over”, transferindo essa corrente para a circunvizinhança, fora do organismo.
A presença de objetos metálicos nas roupas ou dentro delas, em contato com a pele da pessoa atingida, pode canalizar a corrente para o interior do organismo e causar danos mais sérios.
No artido do New England foi descrito o caso de um homem que estava utilizando um IPod, durante seu jogging, e recebeu uma descarga ao lado de uma árvore. Os fones de ouvido funcionaram como condutores para o interior do ouvido levando a ruptura timpânica bilateral, pelo efeito do calor da corrente e súbita expansão do ar, além de danos ósseos no ouvido interno, mandíbula e ossos temporais, necessitando de cirurgia. Além disso, os fios do IPod até as orelhas produziram queimaduras lineares no seu trajeto, no peito, pescoço e orelhas (segundo a terceiro grau).
Fica, então, o alerta sobre o perigo do uso dos diversos equipamentos musicais, fones de ouvido, etc. durante uma tempestade…
Correr , cantar e ouvir música na chuva, só no cinema que a chuva é de mentirinha !
Em outra ocasião falaremos de como o excesso e abuso desses equipamentos têm contribuido para a formação de uma geração de surdos.
Originalmente postado em 15 de Maio de 2008
Num passado não tão distante era comum que nossos auto-radios, embora funcionando muito bem pela cidade, sofressem uma série de interferências quando nos aproximávamos da Avenida Paulista, em São Paulo, uma área que notoriamente concentra uma grande quantidade de antenas transmissoras e retransmissoras de rádio, tv, telecomunicações ( talvez a maior torre da cidade, dessa última modalidade, fique próxima à vizinha Avenida Brigadeiro Luiz Antonio) .
Hoje os auto-radios evoluiram muito em qualidade nesse sentido, mas as vezes, ainda, as emissoras de ondas médias estão sujeitas a essas interferências. Os experts e especialistas garantem (?) que esse banho de eletromagnetismo não afeta em nada a saúde humana, incluindo-se agora as ondas das células de telefonia móvel, que constituem um verdadeiro “oceano” em nossa volta.
Alguns estudos escandinavos afirmaram categoricamente que o uso do celular não causa dano individual aos seus usuários ( a preocupação maior é com tumores cerebrais). Fosse outro lugar qualquer, que não a Escandinávia, de ilibada reputação científica mundial, alguns analistas mais xiitas estariam de sobrolho elevado procurando uma “teoria da conspiração” pela associação entre grandes fabricantes de cell fone naquela região e a pesquisa em tela. Pura neurose. É natural que as pesquisas venham de onde a telefonia celular praticamente começou. Lembro-me até hoje do espanto, quando na Suécia, num congresso médico, há muitos e muitos anos, quando vi um sujeito jovem falando sem parar num pequeno telefone sem fio e sem antena, num barco no meio das dezenas de ilhas dos arredores da bela Estocolmo.
Mas não há consenso. Um outro estudo recente chama a atenção para o fato de que as coisas não são bem assim, tão pacíficas, quando consideramos crianças ( leia-se pessoas ainda em desenvolvimento).
É interessante porque esse tipo de afirmação envolvendo riscos à exposição e uso de novas tecnologias, muitas vezes não se firma em bases de conhecimento, digamos assim, muito sólidas. Existe, nesse particular, um fator importante que é o crivo do tempo.
Quando se inventou a radioscopia (um dispositivo de raio X que emite radiação contínua para que se possa visualizar, num écran, uma parte do corpo - ou boa parte dele), houve época em que, nas festas de sociedade mais chiques, o “must” era disponibilizar um aparelho desses para visualizar o esqueleto dos convidados num aposento devidamente escuro, às custas de uma radiação totalmente descontrolada. Um misto de inocência, ignorância, frivolidade e fatalidade, que talvez não se aplique com tanta severidade com o reverso da mesma moeda em relação a famosa Abreugrafia, em função dos benefícios trazidos pela sua aplicação.
Só muito mais tarde, no entanto, é que fomos aprendendo o quão grave eram as exposições maciças de RX ao organismo, mesmo cumulativamente, nas inocentes radiografias, que, diferentemente da radioscopia, têm sua radiação calculada e aplicada numa fração de segundos).
Mas o objetivo de nosso pequeno artigo hoje não é esse.
Envolve um artigo muito curioso que saiu no The New England Journal of Medicine (julho/2007), talvez a mais conceituada revista científica médica, sobre o uso de IPod durante tempestades, principalmente as com raios e trovões.
O conhecimento dos efeitos dos raios nas pessoas vem sendo acumulado há muitos anos e sabe-se que o jeito mais comum de um raio atingir uma pessoa é pelo efeito “side flash” em que o raio, após atingir uma estrutura maior, como por exemplo um poste, uma torre ou uma árvore, “pula” para a pessoa que está alí próxima. Registram-se também infelicidades em que o raio cai diretamente sobre a pessoa.
A corrente que se transmite causa várias reações musculares violentas e muito graves (contrações em opistótono), que, de tão fortes, são capazes de arremessar a pessoa longe da sua posição original, levando a lesões traumáticas secundárias à queda e ao arremesso contra prováveis superfícies perfurantes, cortantes, etc., além das lesões da corrente elétrica propriamente dita. Muitas vezes o trauma do deslocamento poder ser fatal.
A pele tem uma resistência extraordinária à descarga elétrica que faz com que o raio sofra um efeito conhecido como “flash over”, transferindo essa corrente para a circunvizinhança, fora do organismo.
A presença de objetos metálicos nas roupas ou dentro delas, em contato com a pele da pessoa atingida, pode canalizar a corrente para o interior do organismo e causar danos mais sérios.
No artido do New England foi descrito o caso de um homem que estava utilizando um IPod, durante seu jogging, e recebeu uma descarga ao lado de uma árvore. Os fones de ouvido funcionaram como condutores para o interior do ouvido levando a ruptura timpânica bilateral, pelo efeito do calor da corrente e súbita expansão do ar, além de danos ósseos no ouvido interno, mandíbula e ossos temporais, necessitando de cirurgia. Além disso, os fios do IPod até as orelhas produziram queimaduras lineares no seu trajeto, no peito, pescoço e orelhas (segundo a terceiro grau).
Fica, então, o alerta sobre o perigo do uso dos diversos equipamentos musicais, fones de ouvido, etc. durante uma tempestade…
Correr , cantar e ouvir música na chuva, só no cinema que a chuva é de mentirinha !
Em outra ocasião falaremos de como o excesso e abuso desses equipamentos têm contribuido para a formação de uma geração de surdos.
Originalmente postado em 15 de Maio de 2008
Ecologia & Economia - o dilema do politicamente correto que se aproxima
Alguns meios de comunicação deram destaque, na semana curta que se encerrou no último feriado prolongado desse ano, a algumas notícias que parecem não ter nenhuma relação entre si, mas que têm muito a ver uma com a outra.
Na primeira tivemos várias matérias dando conta do trânsito caótico enfrentado em São Paulo, um vilão que reduz em 5% a produtividade econômica em todo o país, só ficando atrás do México. Pior que isso, um trânsito que mata. Para ficarmos apenas no que foi notícia por esses dias, duas pessoas atropeladas por dia também na cidade de São Paulo, quase 70% deles fora da faixa do pedestre. Mas a costura com as outras notícias ficou por conta do congestionamento. O espaço entre um e outro fica cada vez mais curto e, lá por não sei quando, ele vai começar na garagem do cidadão, ao tentar sair para a rua. Na outra face das notícias a crise de alimentos com um aumento de 80% do consumo mundial, puxados pela Índia e China, e um salto nos preços dos alimentos, levando a um desafio enorme a façanha de alimentar 6,7 bilhões de bocas ou os 9,2 bilhões de pessoas de 2050. Nessas últimas semanas não tivemos notícia sobre a água potável, sua escassez, a agressão aos mananciais pela invasão imobiliaria incontrolável, mas sobraram notícias sobre preservação, meio ambiente, desmatamento, agricultura, queimadas, etc.
O ponto é simples. Estime em sua casa quantas pessoas cabem confortavelmente com os recursos disponíveis da casa: camas, lugares à mesa, lugares na sala, uso do banheiro e do chuveiro. Sacrifique um pouco o conforto e inclua mais pessoas. Passe a pensar também nos seus gastos com a manutenção da sua estrutura e alimentação com esse “plus” hipotético. Sacrifique mais, sacrifique tudo, e calcule o máximo de pessoas. Extrapole (”open house”). Talvez esse cálculo seja suportado por um final de semana prolongado ( desde que aquele parente (s) chato (s) não exagere na chatice e assim por diante). Depois disso, meu amigo, vem o caos. Não apenas do espaço, mas dos recursos e até da dificuldade em ratear a conta (supondo que haja inteira boa vontade e disposição de todos os “convivas” para fazer isso…) .
O exemplo pode parecer grotesco, mas não é.
Não se trata de entrar na contra-mão do desenvolvimento e desejar que se vendam menos carros, que se instituam rodízios mais abrangentes, pedágios urbanos, que não se construam outras casas para aqueles parentes que dividem o seu banheiro…
Não, não se trata disso. O crescimento da humanidade e dos países tem mostrado essa opção: novas casas, novas rodovias, novas malhas viárias, transporte público, obras públicas, saneamento, etc.
No entanto, existem alguns recursos naturais que são finitos, existem alguns lugares em que não se pode permitir que aquelas casas a mais sejam construidas, aquela nascente desmatada e ocupada e assim por diante.
Existe ainda uma conta que se bem feita pode apontar o quão anti-econômico seja continuar investindo em mega-metrópoles, que não páram de crescer e cujo sistema de transporte nunca será eficiente, cuja água e esgoto ficarão cada vez mais caros e raros, cuja poluição ficará incontrolável na ausência de sérias medidas restritivas. Isso nos leva ao ponto de que algumas cidades estão no seu limite e a liberdade de alguém ali aportar quando bem entender começe a ser seriamente questionada, até mesmo pensando no próprio bem-estar do pretendente e dos que lá já estão. Politicamente incorreto ?
Isso não é novidade em algumas cidades da Europa. É um dilema do politicamente correto que se choca com outro politicamente correto em termos ambientais e econômicos.
Hoje, maio de 2008, o preço dos alimentos pode ser pago por alguns países, inclusive aqueles com os quais o Brasil compõem o BRIC e experimentam crescimentos ao redor dos dois dígitos. Mas muitos não produzem e estão ficando sem nada, grande parte desses na África e Ásia. Não têm como pagar os novos preços. E todo mundo sabe que não estamos no limite da agricultura no planeta, mas a demanda que a faz crescer não é humanitária, mas pecuniária, sob as leis do mercado.
São dilemas que se avizinham.
PS: A última notícia relacionada foi que em algumas cidades do estado de São Paulo caiu o número de vasectomias e laqueaduras no sistema público e em outras aumentou ( algo em torno de 3 a 4 mil procedimentos a cada 100.000 pessoas - o que em nossa opinião é muito pouco mesmo). Imagine se a China não tivesse implementado algum programa de planejamento familiar…
Originalmente postado em 25 de Maio de 2008
Na primeira tivemos várias matérias dando conta do trânsito caótico enfrentado em São Paulo, um vilão que reduz em 5% a produtividade econômica em todo o país, só ficando atrás do México. Pior que isso, um trânsito que mata. Para ficarmos apenas no que foi notícia por esses dias, duas pessoas atropeladas por dia também na cidade de São Paulo, quase 70% deles fora da faixa do pedestre. Mas a costura com as outras notícias ficou por conta do congestionamento. O espaço entre um e outro fica cada vez mais curto e, lá por não sei quando, ele vai começar na garagem do cidadão, ao tentar sair para a rua. Na outra face das notícias a crise de alimentos com um aumento de 80% do consumo mundial, puxados pela Índia e China, e um salto nos preços dos alimentos, levando a um desafio enorme a façanha de alimentar 6,7 bilhões de bocas ou os 9,2 bilhões de pessoas de 2050. Nessas últimas semanas não tivemos notícia sobre a água potável, sua escassez, a agressão aos mananciais pela invasão imobiliaria incontrolável, mas sobraram notícias sobre preservação, meio ambiente, desmatamento, agricultura, queimadas, etc.
O ponto é simples. Estime em sua casa quantas pessoas cabem confortavelmente com os recursos disponíveis da casa: camas, lugares à mesa, lugares na sala, uso do banheiro e do chuveiro. Sacrifique um pouco o conforto e inclua mais pessoas. Passe a pensar também nos seus gastos com a manutenção da sua estrutura e alimentação com esse “plus” hipotético. Sacrifique mais, sacrifique tudo, e calcule o máximo de pessoas. Extrapole (”open house”). Talvez esse cálculo seja suportado por um final de semana prolongado ( desde que aquele parente (s) chato (s) não exagere na chatice e assim por diante). Depois disso, meu amigo, vem o caos. Não apenas do espaço, mas dos recursos e até da dificuldade em ratear a conta (supondo que haja inteira boa vontade e disposição de todos os “convivas” para fazer isso…) .
O exemplo pode parecer grotesco, mas não é.
Não se trata de entrar na contra-mão do desenvolvimento e desejar que se vendam menos carros, que se instituam rodízios mais abrangentes, pedágios urbanos, que não se construam outras casas para aqueles parentes que dividem o seu banheiro…
Não, não se trata disso. O crescimento da humanidade e dos países tem mostrado essa opção: novas casas, novas rodovias, novas malhas viárias, transporte público, obras públicas, saneamento, etc.
No entanto, existem alguns recursos naturais que são finitos, existem alguns lugares em que não se pode permitir que aquelas casas a mais sejam construidas, aquela nascente desmatada e ocupada e assim por diante.
Existe ainda uma conta que se bem feita pode apontar o quão anti-econômico seja continuar investindo em mega-metrópoles, que não páram de crescer e cujo sistema de transporte nunca será eficiente, cuja água e esgoto ficarão cada vez mais caros e raros, cuja poluição ficará incontrolável na ausência de sérias medidas restritivas. Isso nos leva ao ponto de que algumas cidades estão no seu limite e a liberdade de alguém ali aportar quando bem entender começe a ser seriamente questionada, até mesmo pensando no próprio bem-estar do pretendente e dos que lá já estão. Politicamente incorreto ?
Isso não é novidade em algumas cidades da Europa. É um dilema do politicamente correto que se choca com outro politicamente correto em termos ambientais e econômicos.
Hoje, maio de 2008, o preço dos alimentos pode ser pago por alguns países, inclusive aqueles com os quais o Brasil compõem o BRIC e experimentam crescimentos ao redor dos dois dígitos. Mas muitos não produzem e estão ficando sem nada, grande parte desses na África e Ásia. Não têm como pagar os novos preços. E todo mundo sabe que não estamos no limite da agricultura no planeta, mas a demanda que a faz crescer não é humanitária, mas pecuniária, sob as leis do mercado.
São dilemas que se avizinham.
PS: A última notícia relacionada foi que em algumas cidades do estado de São Paulo caiu o número de vasectomias e laqueaduras no sistema público e em outras aumentou ( algo em torno de 3 a 4 mil procedimentos a cada 100.000 pessoas - o que em nossa opinião é muito pouco mesmo). Imagine se a China não tivesse implementado algum programa de planejamento familiar…
Originalmente postado em 25 de Maio de 2008
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