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sábado, 25 de outubro de 2014

HPV - últimas novidades em outubro de 2014


Em evento muito recente, reunindo especialistas de 57 países do mundo, em Barcelona na Espanha, várias experiências globais foram compartilhadas. Dessa vez o Brasil não fez feio. 

Embora tímida, sua campanha de vacinação das meninas em idade pré-puberal foi admirada por toda a plateia, em termos do seu índice de cobertura (aproximadamente 90% dessa faixa da população recebeu a vacina pelo sistema público). Só a Austrália, que fez isso em 2007/2008 tem índices semelhantes, juntamente com os países nórdicos, onde cada habitante, foco da iniciativa de saúde pública recebeu carta com nome e sobrenome. Anos luz à frente do resto do mundo. 

O HPV é um vírus que pode causar o câncer de colo uterino, câncer anal e câncer de laringe/cabeça e pescoço, vulva e pênis.

Mas ainda falta estender o benefício aos meninos, que também padecem e transmitem o vírus.

SAIBA MAIS

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Curso de Reciclagem em Ginecologia apresenta novidades relativas ao HPV no casal.

Realizado em 24 de setembro de 2011 em São Paulo, o curso de Reciclagem em Ginecologia (clique aqui para rever a notícia) apresentou novos parâmetros para a avaliação e acompanhamento para o HPV no casal.Confira os quatro pontos mais interessantes do encontro.

1. Mudanças no exame de Papanicolaou* (ou citologia oncótica do colo do útero)-Dr. Gustavo Focchi da Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina discorreu sobre a citologia em base líquida que propicia, além da citopatologia convencional (que era vista nos esfregaços em lâmina de vidro), a realização de muitos outros exames no mesmo material desde a biologia molecular (rastreamento do HPV) até a aplicação da imunocitoquímica, com pesquisa de marcadores mais confiáveis e até com certo valor prognóstico na análise da citologia, facilitando quando ou não indicar a biópsia e/ou prosseguir com a investigação. Esse novo método também permite a identificação com segurança de micro-organismos como a Neisséria (agente da gonorréia), Herpes, Clamídia e trombofilias.

2. HPV na gravidez - O assunto foi discutido nos seus aspectos práticos. Na gestação o tratamento do HPV sofre sérias restrições de medicamentos e mesmo procedimentos cirúrgicos no colo uterino gravídico. Felizmente durante a gravidez não existe aumento ou recrudescimento do HPV. É, de certa maneira, um enigma. Além disso, a evolução do HPV após a gravidez costuma ser favorável com a
melhora do quadro e, ainda como uma surpresa;alguns estudos apontam que alterações atípicas evoluem melhor quando a via de parto é vaginal. Não se sabe ao certo o porquê, mas provavelmente as grandes modificações de dilatação do colo uterino durante o parto possam ativar os mecanismos de defesa locais.

3. HPV e proctologia - Uso do imiquimode na área proctológica está em alta e com bons resultados. Dr. Sidney Nadal, do serviço de Proctologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e do Hospital de Infectologia “Emílio Ribas” apresentou sua experiência com o uso de imiquimode, um imunomodulador, em lesões HPV-induzidas na região perianal em população HIV positiva. O trabalho inclusive, ganhou um prêmio de melhor trabalho durante o último Congresso Brasileiro de Colo-Proctologia , realizado em Fortaleza, agora no começo de setembro de 2011.

4. HPV e câncer de orofaringe/ cabeça e pescoço - O Dr. Henrique Olival Costa, também da Santa Casa de São Paulo e vice-presidente do Instituto do HPV, mostrou dados ainda inconclusivos a respeito do efeito do HPV nos cânceres de laringe e orofaringe. A presença do HPV na população em geral é estimada em aproximadamente 4,5% (com diferença mínima entre um sexo e outro). Mais estudos são necessários para a avaliação real do problema. Sabe-se, contudo, que os cânceresdessa região em que o HPV tem participação exibem um perfil diferente: incidem mais em jovens, mais em mulheres, mais em não fumantes e tem uma evolução melhor do que os demais. Outra surpresa.


Já o balanço sobre as vacinas no mundo todo fica para uma outra ocasião.

*Papanicolaou (com “ou“ no final em homenagem ao médico grego Geogios Papanicolaou, considerado o pai da Citopatologia).

terça-feira, 20 de setembro de 2011

HPV no homem - novidades recentes

Originalmente postasdo em 11 de Janeiro de 2011

Major Article
“The HPV in Men (HIM) Study”*

Prevalência por Idade e Fatores de Risco para o HPV Anal entre Homens que fazem sexo com Mulheres e Homens que fazem sexo com Homens.

Artigo principal do Journal of Infectious Diseases de 1º. janeiro de 2011
JID 203:49-57, 2011

* O HIM é um estudo multicêntrico coordenado pelo Instituto Lee Moffitt de Tampa, na Flórida, USA, envolvendo o Brasil e México. A pesquisadora principal é a Dra. Anna R. Giuliano. Esse projeto é bastante abrangente e procura esclarecer todos os aspectos envolvendo o HPV no homem. Nesse estudo, relatado abaixo, foram verificados os fatores de risco e prevalência do HPV anal nos homens que não são portadores de HIV e, dentro desse grupo entre aqueles que têm relações com mulheres e os que têm relações com homens.

Adendo - Na literatura médica atualmente se utiliza a denominação MSW (men who have sex with women/ homens que têm relações com mulheres) e MSM (men who have sex with men/ homens que têm relações com homens).

Resumo do estudo - O objetivo do estudo foi estudar melhor a infecção pelo HPV do canal anal no homem HIV negativo, uma vez que existe uma incidência crescente de câncer anal entre os homens (e também mulheres).

No estudo, realizado concomitantemente nos Estados Unidos (Tampa, FL); México (Cuernavaca) e Brasil ( São Paulo) , foram examinadas células esfoliadas do canal anal de mais de 1.400 homens envolvidos no estudo e com o devido consentimento, além de um questionário padrão de mais de 80 itens envolvendo aspectos de comportamento sexual, número de parceiras, etc. A idade variou entre 18 e 70 anos. Entre os homens que se recusaram a participar dessa etapa do estudo (já participando em outros aspectos do projeto – que tem um total de 2.049 homens em acompanhamento) verificou-se uma proporção maior de pacientes solteiros, mais jovens, entre 18 e 30 anos e com atividade sexual apenas com mulheres. Nos Estados Unidos verificou-se ainda que entre os que se recusaram a participar o nível de instrução era menor (medido em escolaridade menor ou igual a 12 anos de instrução recebida).

Os resultados encontrados podem ser resumidos da seguinte maneira:

1- A prevalência de HPV de qualquer tipo não foi diferente nas três cidades.

2- A prevalência de HPV no canal anal foi de 12,2% entre os homens que fazem sexo com mulheres e 47,2% entre os que fazem sexo com homens.

3- Entre os homens que fazem sexo com mulheres foram detectados como fatores independentes associados à positividade do HPV anal os seguintes pontos: ter mais do que 10 parceiras desde o início das atividades sexuais; relacionamento sexual primário com duração menor que 1 ano e diagnóstico de hepatite B.

4- Entre os homens que fazem sexo com homens os fatores de risco associado à positividade do HPV do canal anal foram: ser mais jovem ( quanto mais jovem, maior o risco); 2 ou mais parceiros nos últimos 3 meses; nunca usar condom nas relações nos últimos seis meses. Note-se ainda que entre esses homens a incidência de HPV anal foi 3 vezes maior naqueles que praticavam coito anal receptivo comparativamente aos que se negavam a esse tipo de contato. O hábito de fumar também foi um fator de risco significativo entre os homens que fazem sexo com homens.

Além desses resultados é importante ressaltar que a prevalência do HPV 16 foi o dobro nos MSM do que nos MSW (o HPV 16 é um tipo sabidamente oncogênico, que expressa um potencial de alto risco idêntico na região anal, tanto quanto o que é visto no colo do útero). Também a infecção por vários tipos de HPV foi vista 10 vezes mais nos MSM do que nos MSW.

As conclusões dos autores apontam que o HPV do canal anal está associado em qualquer homem, independente do tipo de comportamento sexual, ao número de parceiros(as), sendo mediada ainda pela idade, duração da relação sexual e uso do preservativo